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sábado, 7 de janeiro de 2017

Jesus desceu ao "INFERNO" e tomou as chaves da mão do diabo?


Aonde está escrito na bíblia que Jesus foi ao inferno e tomou as "chaves" das mãos do diabo?


Temos ouvido muitas pregações e teorias sobre este assunto (a descida do Senhor Jesus ao inferno). E muitos tem se convencido, sem examinar as escrituras (Bíblia) profundamente; de que realmente o Senhor Jesus entre sua morte e ressurreição desceu ao inferno e tomou as "chaves" das mãos do diabo.

Quais seriam estas "chaves"? Uns afirmam que essas chaves seriam:

A "chave da morte", outros a "chave do inferno" e os que afirmam ter Jesus tomado as "chaves da autoridade". 

Outros dizem que Jesus foi ao inferno para pisar na cabeça da serpente (referência a Gênesis, quando Deus disse a Eva que seu descendente pisaria a cabeça da serpente). Alguns afirmam que Ele foi resgatar as almas dos santos do antigo testamento, que morreram sem salvação e estavam no inferno.

Há muitas interpretações a esse respeito, mas vamos aos fatos. 

A pergunta é está? Aonde está escrito na bíblia que Jesus desceu ao inferno e tomou as chaves das mãos do diabo?

Os que defendem está teoria baseiam-se em:

"...no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, isto é, oito almas se salvaram através da água."  (1 Pedro 3:19-20)

Podemos analisar neste texto que em nenhum momento diz que Jesus desceu ao inferno ou tomou qualquer chave das mãos do diabo. O texto nos diz que Ele, de forma pré-figurada na pessoa de Noé, pregou aos homens que morreram no dilúvio. Neste texto não temos a afirmação de que Jesus desceu ao inferno ou qualquer menção a qualquer chave. 

O texto referente as chaves esta em Apocalipse 1:18 em um outro contexto bíblico e em nenhum momento diz que as chaves da morte e do inferno pertenceram ao diabo ou que o Senhor as tomou de alguém.

"E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno." (Apocalipse 1:18)

Infelizmente quando não examinamos as escrituras com a direção do Espirito de Deus, nos deixamos influenciar por tradições, doutrinas e costumes dos homens, que não tem nada a ver com as verdades bíblicas. 

"Nenhuma interpretação ou doutrina deve ser aceita sem exame. Pelo contrário, tudo deve ser examinado cuidadosamente mediante o estudo pessoal das Escrituras." 

Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim. (Atos 17:11)



Fonte: www.pulpitocristaoverdade.blogspot.com.br

sábado, 12 de novembro de 2016

O rei de Tiro e satanás, são a mesma pessoa ou não?


O rei de Tiro descrito no livro de Ezequiel capítulo 28 é Satanás?

O Contexto histórico e cultural de Tiro


A cidade de Tiro é hoje Es-Sur, um pobre povoado libanês, habitado por pescadores. Foi em tempos antigos uma cidade fortificada da Fenícia, apelidada por alguns historiadores como “a Veneza da Antiguidade”. Sua origem remota no tempo pode ser atestada através de citações em Heródoto, historiador grego que situa sua fundação em 2700 a.C, e nas “Cartas de Amarna” (“Cartas de Amarna” é a designação dada a um conjunto de tabuinhas em escrita cuneiforme encontradas em Amarna, uma das várias capitais do Egito Antigo. Faziam parte do arquivo de correspondência do Egito com os seus reis vassalos e governadores de Canaã e datam dos reinados de Amen-hotep III e de Amen-hotep IV - mais conhecido como Akhenaton. A maioria delas foi escrita em acádico, a língua diplomática da época.) Nessas cartas há relatos de que durante o período de Amen-hotep III, o chefe local de Tiro escreveu a este faraó delatando traições de cidades vizinhas e solicitando auxílio contra o amorreu Aziru e contra o rei de Sidom. Com o declínio do Egito, Tiro se tornou independente e até mesmo recebeu refugiados sidônios que fugiram para a ilha. Nos relatos bíblicos, Tiro é mencionada brevemente nas conquistas de Josué e, mais tarde, no período da monarquia unida, principalmente durante a construção do Templo de Salomão, com a qual contribuiu fornecendo materiais e mão de obra especializada. 

Expulsos da Palestina e Síria, principalmente por causa da invasão de suas cidades pelos poderosos filisteus que dominavam a tecnologia do ferro, no XIII e XII séculos a.C, os fenícios concentraram seus esforços para o lado do mar e se tornaram os maiores marinheiros e comerciantes de todos os tempos, em relação ao mundo conhecido. Após se estabelecerem em Tiro, aventuraram-se pelas águas do Mediterrâneo fundando colônias na costa e ilhas vizinhas do Mar Egeu, na Grécia, na costa Norte da África, em Cartago, na Sicília e na Córsega, na Península Ibérica e até mesmo para além dos Pilares de Hércules, em Gadeira. 

Durante o século XI a.C, a economia de Tiro experimentou uma mudança radical, da cultura agrária para o mercantilismo, mas não se sabe se isto é devido às relações comerciais com Israel ou a algum tipo de vantagem que obtiveram delas. É fato, porém, que Tiro se tornou famosa na antiguidade pela produção de certa tintura púrpura bastante rara, extraída de um molusco conhecido como múrice. O nome Fenícia pode ter se originado desse comércio, pois phoinix, quer dizer “vermelho” ou “púrpura”. A cor púrpura era reservada em várias culturas dos tempos antigos para a realeza e nobreza, o que deve ter favorecido a valorização do produto fenício. Além da tintura, os mercadores satisfaziam os caprichos do mundo então conhecido com tapeçarias exóticas e bordados delicados provenientes de portos comerciais espalhados por rotas que somente eles conheciam. Os metais também contribuíram para a emergência comercial de Tiro. Os fenícios estabeleceram um grupo de tarshishes, isto é, “fundições ou refinarias” em várias colônias, particularmente no sudoeste da Espanha, região célebre pela presença de minérios, e na Ilha de Chipre, que continha preciosas minas de cobre. Desde os tempos remotos, os tírios eram conhecidos por sua aptidão para toda a obra artística em cobre e metal amarelo.

O nome Tiro significa “rocha”. A cidade era composta de duas partes distintas: uma fortaleza rochosa, chamada de “Antiga Tiro”, situada numa pequena ilha a quase um quilômetro da costa do Mediterrâneo e um povoado na costa principal da Fenícia. O canal que separava as duas partes da cidade também servia para ligar dois importantes portos: o porto sidônio a nordeste e o egípcio ao sul. Essa localização geográfica estratégica permitiu a Tiro resistir aos impérios mais poderosos que passaram pela Palestina, mantendo uma relativa independência. Os monarcas assírios sempre a desejaram, alguns conseguiram até mesmo fazer com que lhe pagasse tributos para que parassem de atacá-la e Assurbanipal chegou a subjugá-la por um período de tempo, tomando seu lado continental. Com o declínio do Império Assírio, Tiro se rebelou, recuperando muito de sua autonomia e de seu antigo comércio marítimo. Em 588, o faraó Hofra atacou sem muito sucesso a Tiro e Sidom. Nabucodonosor sitiou Tiro por treze anos seguidos e não conseguiu tomá-la, apesar de posteriormente Tiro ter reconhecido a suserania babilônica e pago tributos por pelo menos uma década, o que há vários contratos babilônicos que comprovam, mas a maior parte dos tesouros de Tiro deixaram a ilha em navios com destino às colônias e Nabucodonosor terminou sua campanha sem grandes recompensas (cf Ez 29:18). 

A ausência de pressões provenientes de políticas agressivas – ou até mesmo a capacidade de sobreviver bem a essas políticas -, juntamente com a efervescência econômica e as habilidades artísticas celebradas, gerou um espírito de orgulho no povo de Tiro. A cidade somente foi destruída por Alexandre Magno em 332 a.C, após um cerco de sete meses construindo um molhe do continente até a ilha. A cidade foi reconstruída em 314 a.C, mas foi completamente destruída pelos sarracenos em 1291.

Outro fato que merece destaque sobre a cidade é a força da figura do rei dentro de sua sociedade. Como outras culturas oriundas do Crescente Fértil, os habitantes de Tiro compartilhavam a crença de que seu rei era o representante dos deuses na terra, dotado de um caráter sobre-humano. A principal divindade em Tiro era Baal-Mecarte, senhor do inferno (e do fogo), da tempestade e da fertilidade, que teve seu culto introduzido em Israel por Jezabel, esposa do rei Acabe. (cf I Rs 16:31-34). A situação de invencibilidade da Ilha era atribuída ao fato de ser o lugar sagrado deste deus, e em seu templo podia ser encontrado no altar um trono vazio reservado para seu representante no meio dos homens, o monarca. Essa fé era algo tão profundo que chegou até mesmo a resistir aos apelos da helenização e pensamento grego que varreu toda a região durante o período de Alexandre Magno e Tiro não se rendeu à tentação de ser uma república, mas conservou a forma de governo monárquica até a completa perda de sua independência. 

Os Oráculos contra Tiro

Ezequiel dedica mais tempo a Tiro do que qualquer outro escritor do Antigo Testamento. Na seção que examinaremos de seu livro (Ez 26 – 28:19), o profeta faz três oráculos contra a cidade: prediz a derrota de seu poder naval sob as mãos de Nabucodonosor (cap.26), faz uma magnífica lamentação sobre o naufrágio do galante navio de Tiro (cap. 27), e descreve o orgulho e queda do príncipe de Tiro numa canção de escárnio (cap.28:1-19)

1. A Derrota e Destruição de Tiro (Ezequiel 26:1-21)

O primeiro verso do capítulo introduz a cronologia da profecia. O décimo primeiro ano provavelmente corresponde ao ano 586 a.C e o verso 2 sugere que Jerusalém já havia sido destruída. O teor deste oráculo é predominantemente histórico e factual. O “portal das nações quebrado” pode referir-se à localização privilegiada de Jerusalém num território estratégico sobre as estradas dos pedágios. Agora que a cidade havia sido conquistada, já não poderia receber os impostos das caravanas que passavam por ela e Tiro planejava lucrar com a situação. Esta atitude fez com que o Senhor se colocasse contra Tiro e, a seguir, são pronunciados quatro oráculos contra ela, cada um introduzido pela expressão “Assim diz o Soberano, o Senhor” (vs 3,7,15 e 19).

O primeiro oráculo contra a cidade de Tiro (vs 3-6): 
Culpa e castigo

A introdução já declara o motivo da culpa de Tiro na expressão “por essa razão”, ligando a palavra profética à denúncia de intenção da cidade em beneficiar-se com a queda de Jerusalém. O versículo 3 chega a ter certa dose de ironia com a comparação “virão como o mar quando eleva as suas ondas”, já que o domínio dos mares era a maior força deste povo e uma de suas maiores realizações. 

A predição da destruição completa da Ilha-fortaleza (indicada pela expressão “rocha nua” no vs 4) deve ter parecido absurda aos ouvintes da época, devido à fama de invencibilidade que a cidade ostentava. A frota e o exército de Tiro tinham a peculiar característica de movimentarem-se da ilha para o continente e vice versa, quando era estrategicamente conveniente, para se defenderem de seus atacantes, mas Deus decreta através de Ezequiel que esse jogo de “gato e rato” acabaria, pois não somente a ilha seria arrasada, mas também os territórios do continente, a linha das colônias fenícias na costa, conforme parece ressaltar o versículo 6. 

É interessante ainda notar que nos dias atuais onde havia a cidade de Tiro é situada hoje a cidade de Es-Sur, um povoado habitado quase que exclusivamente por pescadores, onde a profundidade das águas favorece a pesca com rede, cumprindo a literalmente a Palavra do verso 5: “Fora, no mar, ela se tornará um local propício para estender redes de pesca, pois Eu falei. Palavra do Soberano, o Senhor”. (comparar também com verso 14).

O segundo oráculo contra a cidade de Tiro (vs 7-14): 
A iminente destruição por Nabucodonosor

Nabucodonosor é a forma do nome sempre usado por Ezequiel para “Nabukudurri-usur”, que significa, “deus Nebo, proteja as minhas fronteiras”. O significado deste nome já demonstra a relevância que os babilônicos davam para o expansionismo de seu império. O título que o acompanha “Rei de reis” é de origem assíria e asseverava a força da relação entre o suserano e seus vassalos conquistados. O império assírio havia conseguido por mais de uma vez exigir pagamentos de tributos por parte da cidade de Tiro, durante os reinados de Assurnasírpal II, Salmaneser III e Assurbanipal, cair diante de um monarca babilônico que ostentava um título de um passado que nenhum habitante de Tiro via com simpatia é, ironicamente, um duro golpe no orgulho dos tírios. 

Os versos 8-12 descrevem as táticas militares que seriam usadas contra Tiro: obras de cerco, aríetes, espadas, cavalaria pesada e até um levantamento de escudos, uma formação militar babilônica semelhante ao “testudo romano” ou “formação tartaruga”, artifício defensivo que consistia em dispor os escudos bem juntos uns dos outros, protegendo os lados, a dianteira e o teto de ataques projéteis. No verso 11, encontramos a expressão “suas resistentes colunas ruirão”, essas colunas não fazem parte das defesas de Tiro contra invasores, não possuem um significado bélico, mas um caráter duplo sagrado e cívico. O oráculo sugere que a morada inexpugnável de Baal-Mecarte seria profanada, seu templo cairia incapaz de proteger sua cidade sagrada e o rei de Tiro, seu campeão e representante na terra, nada poderia fazer a esse respeito. A queda de Tiro iria revelar a impotência e fragilidade do deus que a cidade se orgulhava tanto.

O terceiro oráculo contra a cidade de Tiro (vs 15-18):
Os Efeitos de sua queda sobre os príncipes do mar

Tiro possuía colônias das quais adquiria as mais variadas mercadorias e dispunha de um vasto território comercial, o terceiro oráculo mostra como a queda da capital desde império mercante iria afetar seus limites como um todo, se entendendo até os pontos mais afastados. Sua queda teria repercussões até mesmo nas rotas e caminhos secretos que somente esses fenícios conheciam. 

Os príncipes do mar são os mercadores, reis e governantes de cidades e portos que dependiam economicamente da prosperidade de Tiro, essa dependência fica evidente no choro e pavor descritos no verso 16, quando eles desceriam do trono, ou seja, perderiam sua alta posição ao descobrirem-se desamparados de sua capital. O fragmento “porão de lado seus mantos e tirarão suas roupas bordadas” pode também ser interpretado como uma alusão aos produtos de luxo que desapareceriam com o declínio das rotas comerciais fenícias. 

As lamentações dos príncipes (vs 17,18) ilustram não somente sua tristeza pela conquista de Tiro, mas também sua perplexidade. Como um povo poderoso que impunha pavor, era um poder nos mares, responsável por uma civilização e sustentador de todo um modo de vida, foi reduzido a ruínas? Se um destino assim teve a poderosa Tiro, o que seria das cidades desses príncipes?

O quarto oráculo contra a cidade de Tiro (vs 19-21):
A descida ao "inferno"

“(...) e quando eu a cobrir com as vastas águas do abismo” (v 19) é a predição de que as ambições de Tiro não se cumpririam. A palavra hebraica para “vastas águas” é tehôm, e denota uma profundidade inexplorável (ou que não pode ser conquistada ou medida). A cidade sonhava e se empenhava em conquistar e ampliar seu domínio sobre as muitas águas, mas não teria êxito neste intento e, em vez disso, ainda seria conquistada por elas.

Os versos 20 e 21 profetizam que o Senhor faria Tiro descer ao Sheol, “(...) para fazer companhia aos antigos”, e habitar embaixo da terra. O fato das Escrituras muitas vezes falar das profundezas da terra como lugar dos mortos não é suficiente para postular que os escritores bíblicos cressem que esse fosse o verdadeiro lugar dos espíritos que partiam. Considerando que os homens pensam em termos concretos, é natural que, à vista do sepultamento do corpo, a morada dos mortos fosse localizada num nível abaixo da terra. De qualquer forma, o sentido de sheol nesta profecia é enfatizar que a cidade de Tiro seria destituída de sua posição de destaque. Em vez de ascender, seria rebaixada até o inferno – o lugar mais profundo – e seu orgulho seria quebrado, uma vez que ela seria procurada e não mais encontrada (v 21).

2. Um Lamento por Tiro (Ezequiel 27:1-36)
No capítulo 27 de Ezequiel, o Senhor ordena ao profeta que faça um lamento a respeito de Tiro. A lamentação era uma prática geralmente associada ao arrependimento e contrição ou tinha lugar por causa de alguma grande desgraça. Os sepultamentos eram ocasiões para se lamentar, e desde o Egito Antigo, o Oriente conhecia as carpideiras, profissionais de cabelos desgrenhados e vestes desemaranhadas que acompanhavam os cortejos fúnebres expressando tristeza. Mortes notáveis algumas vezes motivaram lamentações poéticas, como por exemplo, Davi lamentou Saul e Jônatas com o “Lamento do Arco” (2 Sm 1:17-24) e Jeremias compôs um lamento em homenagem ao rei Josias (2 Cr 35:25). O oráculo apresentado com a linguagem poética de lamentação indica que, como os acontecimentos enumerados anteriormente, a queda de Tiro seria algo realmente notável. No poema, introduzido por um pequeno trecho em prosa, Tiro é representada como um elegante navio manobrado por marinheiros de cidades fenícias (vs. 1-9), ricamente carregado de mercadorias de muitas nações (vs 9-25) que naufragou para tristeza dos navegantes (vs 25-36).

Os nove primeiros versos do poema descrevem a construção e tripulação do navio. As palavras: “Você diz, ó Tiro: Minha beleza é perfeita”, enfatiza mais uma vez que o pecado de Tiro foi o orgulho. Assim como o início do poema é a declaração soberba que a cidade julgava altivamente ter atingido a perfeição, foi seu orgulho e desejo de ascensão que desencadeou seu julgamento pelo Senhor e sua queda. A madeira do navio foi descrita. Os conveses foram feitos de ciprestes de Senir (que significa “montanha sagrada”), o nome amonita para o Monte Hermom. O mastro era feito de cedros do Líbano. Seus remos, de carvalhos de Basã, uma região a leste e nordeste de Quinerete. A estrutura do navio era feita de cipreste das costas de Chipre, e revestido de mármore ou marfim (segundo algumas traduções). Todos esses materiais serviam para ilustrar como a beleza de Tiro reunia elementos raros e preciosos de todo o mundo conhecido, valorizados tanto por sua qualidade como pela dificuldade em ser encontrados. As velas da embarcação são descritas como “feitas de belo linho bordado”, esse linho bordado era uma mercadoria muito cobiçada na época e seu uso na convecção de velas pode ser interpretado como um símbolo de riqueza exagerada. Os toldos são descritos como “azul e púrpura”, no original literalmente “púrpura azul e púrpura vermelha”, se levarmos em conta o que já foi informado sobre o uso reservado da cor púrpura na antiguidade para realeza e nobreza de diversas culturas, pode-se inferir que a visão de um navio como descrito por Ezequiel claramente evocaria conceitos de prosperidade, sucesso, imponência, luxo e orgulho.

Sidom e Arvade, territórios fenícios com experiência em navegação, forneciam os remadores a Tiro e Gebal, afamada desde os tempos antigos por seus pedreiros e mestres em construção de navios, os artesãos que proveriam manutenção até mesmo em alto mar se fosse necessário. A tribulação do navio era a melhor da época, com os melhores especialistas segundo suas áreas de atuação. A qualidade dos materiais usados e a mão de obra encontrada no navio sugere um fim glorioso para o mesmo, uma expectativa de sucesso onde quer que ele passe.

A partir da segunda parte do verso 9 até o verso 25, cita-se lugares que atuavam como parceiros e clientes de Tiro. É uma espécie de “catálogo de comerciantes”. Tiro recebia metais de Tarsis. Javã, Tubal e Meseque eram remanescentes do povo hitita e faziam tráfico de escravos e bronze. Togarma (provavelmente a atual Armênia) fornecia cavalos. Os homens de Rodes, marfim e ébano; a Síria, pedras preciosas, bordados e púrpura; Judá e Israel, cereais e especiarias; Damasco, vinho e lã; perfumes de Samá e Rama, etc. A lista extensa mostra como o comércio de Tiro era diversificado e a palavra “mercadorias” nos versos 12,14,16,19 e 22 é a tradução da palavra hebraica ’izzabón, que significa “a parte que fica com o negociante” e traz implícita a idéia de lucro. O Catálogo serve para ilustrar a variedade de mercadorias e também a riqueza que Tiro adquiria através delas.

Após descrever os materiais e mão de obra do navio e revelar seu catálogo comercial, Ezequiel prossegue o oráculo tragicamente nos versos 25 a 30: O navio naufraga e sua carga de bens, mercadorias e riquezas se perde. A tripulação (composta de marinheiros, pilotos, calafates, negociantes e soldados) morre afogada e seus gritos podem ser ouvidos até mesmo das praias próximas, demonstrando que nem a riqueza, poder, nem o conhecimento técnico que proporcionou um império mercantil a Tiro, nem seus muitos clientes poderiam livrá-la do juízo de Yavé. 

Os versos 30 e 31 mostram que o abatimento de Tiro é um acontecimento tão trágico que todos os outros marujos – provavelmente os que haviam desenvolvido relação comercial com ela - largariam seus afazeres apenas para pranteá-la. Apenas nestes dois versículos, enfatizando o impacto e consternação que a queda de Tiro teria no mundo marítimo, encontramos enumerados oito sinais de tristeza: 1 - O fato dos marujos abandonarem suas tarefas normais; 2 - erguer a voz; 3 - gritar com amargura; 4 – espalhar poeira sobre a cabeça; 5 – rolar na cinza; 6 – raspar a cabeça; 7 – usar vestes de luto e 8 – chorar com angústia de alma e pranto amargurado.

A última parte do oráculo (vs 32-36) é o lamento, propriamente dito, sobre o fim trágico de Tiro. É interessante notar que o verso 34 encerra uma idéia semelhante àquela encontrada em Ezequiel 26:2: a de uma situação extrema que pôs fim a uma vantagem comercial. A ira do Senhor contra Tiro se acendeu quando a cidade, em seu orgulho, quis tirar proveito da queda de Jerusalém e o julgamento de Deus impôs a mesma condição à orgulhosa Tiro de uma maneira tão marcante que chocou as nações e povos que a conheciam.

3. A Queda do Príncipe de Tiro. (Ezequiel 28:1-19)

No capítulo 28, Ezequiel passa da cidade a seu governador, como representante do caráter de sua comunidade e personificação do espírito da orgulhosa metrópole comercial. Rei e povo constituem uma corporação sólida que recebe a condenação por seu orgulho e auto-deificação. A Bíblia traz outros exemplos dessa “insanidade da prosperidade”, com reis declarando-se (ou querendo ser) deuses: Senaqueribe (II Rs 18:33-35), Faraó (Ez 29:3) e Nabucodonosor (Dn 3:15, 4:30) nos servem de exemplo dentre outros. 

O profeta Ezequiel refere-se ao rei de Tiro em duas partes distintas: a primeira traz a profecia contra o monarca (vs 1-10) e a segunda é um lamento sobre sua queda (vs 11-19). Qualquer interpretação destas passagens deve ser feita sem deixar de ter em mente que, apesar desta divisão, se trata de um oráculo contínuo, inteiro, que envolve pronunciamentos de julgamento e lamento. Há uma grande quantidade de termos específicos que ligam as duas partes da trama: o coração arrogante (vs 2,4,17), a beleza (vs 7,12,17), o esplendor (vs 7,17), a sabedoria (vs 4,5,7,17), o comércio (vs. 5,16,18) e o ouro (vs 4,13). Qualquer exegese proposta ao texto deve contemplá-lo em sua integridade e esclarecer satisfatoriamente os pontos levantados tanto na profecia quanto no lamento. O estudo individual das partes neste trabalho visa apenas uma maior facilidade didática.

A Profecia: O Castigo do Príncipe de Tiro por causa de sua Auto-Exaltação

O Príncipe de Tiro é anunciado no verso 2 como “nagîd”, literalmente, “líder” de Tiro. O termo “nagîd” era usado com exclusividade para designar os governantes de Israel e, no contexto de Ezequiel, serve para demonstrar que, apesar deste príncipe acreditar que havia adquirido sua posição por méritos e força própria, a realidade não era essa, ele devia seu poder e status a uma designação de Yavé. Ittobaal II era o rei da cidade fenícia nesta ocasião, mas a denúncia e condenação são mais contra a arrogância e autoteísmo de Tiro do que contra qualquer governante específico: “No orgulho do seu coração você diz: ‘Sou um deus; sento-me no trono de um deus no coração dos mares.’. Mas você é um homem, e não um deus (...)”. A intenção inicial do texto é colocar o rei de Tiro em seu lugar de homem mortal e revelar que suas presunções são falsas. Se compararmos a temática deste oráculo com a profecia de Isaías (II Rs 19:21-28), dirigida a um outro rei com delírios de divindade, Senaqueribe (II Rs 18:31-35), notaremos que o Senhor procedeu da mesma forma com ele, lembrando-o que Ele o havia estabelecido (II Rs 19:25). Essa idéia de divinização do monarca aparece também na introdução à lamentação, no verso 12, quando o rei de Tiro é tratado por “melek”, termo que exemplifica bem o conceito do Crescente Fértil de que o governante era um representante sobrenatural dos deuses. A expressão “trono de um deus no coração dos mares” bem pode referir-se ao trono reservado ao rei no altar do templo de Baal-Mecarte ou até mesmo à cidade de Tiro como habitação inexpugnável dos deuses. É válido observar que se trata de “um trono” de “um deus” e não “o” Trono do Deus Altíssimo”, como alguns tem sido induzidos a interpretar quando lêem a passagem em paralelo com Isaías 14:13,14. Aliás, sobre a passagem de Isaías, é válido ter em mente que o hebraico é uma língua que não faz distinção entre letras maiúsculas e minúsculas, logo a tradução do original “el” por “Deus” (com letra maiúscula) já é uma interpretação posterior que obscurece a intenção inicial do texto. “El”, apesar de ser uma partícula que aparece em vários dos nomes conhecidos de Yavé na Bíblia, é o nome de uma divindade cananéia, pai do deus Baal, para exemplificar essa distinção, podemos comparar o texto de Isaías com o relato do encontro de Abraão com Melquisedeque em Gênesis 14:17-24. Melquisedeque apresenta-se como sacerdote do “Deus Altíssimo”, no original hebraico “El Eliom”, justamente para que Abraão entendesse que o Deus dos dois era o mesmo, não o “el” cananita ou qualquer outro “el” conhecido na região. Sobre o “trono de el” é necessário lembrar que havia uma crença generalizada no Oriente da existência de uma montanha sagrada ao Norte muito alta, usada pelos deuses para ascender ao céu. Supostamente existia um trono no topo desta montanha e o deus ou homem que se assentasse sobre este trono teria poder sobre os demais deuses e homens, é mais provável que seja este o “trono de el” sobre o qual o rei de Isaias deseja se assentar do que sobre o “Trono do Deus Altíssimo”, interpretação favorita dos que insistem em ver Lúcifer como retratado ali.

A indagação do verso 3: “Você é mais sábio do que Daniel?”, pode não referir-se ao Daniel da Bíblia, mas a um abastado juiz chamado Danel (cf também Ez 14:14) da antiga cidade portuária de Ugarit, aclamado na época por seu conhecimento, sabedoria e justiça e que é citado também nas tabuinhas de Ras-Shamra, datadas do mesmo período deste oráculo. Essa suposição leva em conta que os versículos seguintes 4 e 5 mostram que sabedoria aqui não quer dizer uma habilidade especial vinda de Deus para cultura, ciência e interpretação profética como a dada ao Daniel bíblico (Dn 1:17), mas uma aptidão e conhecimento para se enriquecer e acumular tesouros, como uma espécie de malícia comercial. Essa sabedoria corrompida teria sido a causa do orgulho do rei (vs 5).

Com a finalidade de abater o rei orgulhoso, o Senhor traria os “estrangeiros das mais impiedosas nações”, os caldeus ou babilônicos, para que o arrancassem de sua posição pseudodivina e lhe lembrassem que ele não passava de um ser humano comum (vs 9). Como antítese ao conceito de exaltação e enfatizando o castigo pelo orgulho, aparece a expressão “descer à cova” (heb. shahat), equivalente ao Sheol, ou reino subterrâneo dos mortos. A palavra Shahat vem da raiz shûah, que significa “afogar-se” e sugere mais uma vez, como na profecia contra a cidade de Tiro (Ez 26:19), que como punição pelo orgulho, ele não seria capaz de dominar as águas, mas as águas o aniquilariam.

A profecia é finalizada com a predição: “Você terá a morte dos incircuncisos nas mãos dos estrangeiros” (vs 10). Segundo Heródoto, os fenícios praticavam a circuncisão como um sinal de honra e morrer como um incircunciso desprezado era a vergonha muito temida. O oráculo com essas palavras acrescenta à aniquilação o sentido de maior humilhação possível dentro da cultura fenícia.

O Lamento sobre o Rei de Tiro (Ezequiel 28:12-19)

A segunda parte das predições dirigidas ao rei de Tiro foram as que mais receberam atenção em esforços interpretativos desde o princípio. Antes de nos lançarmos à tentativa de analisar esta passagem, é relevante termos uma vista panorâmica das teorias prevalecentes.

• Satanás é o rei de Tiro
Talvez esta seja a suposição mais conhecida e com o maior número de adeptos. Muitos através da história da igreja cristã têm interpretado Ezequiel 28:12-19 como a descrição de Satanás. Pais da igreja como Tertuliano, Orígenes, João Cassiano, Cirilo de Jerusalém, e especialmente, Jerônimo ajudaram a popularizar esta interpretação porque liam Isaías 14:12-15 como uma passagem paralela. Apoio moderno a esta teoria é encontrado, por exemplo, em Kaiser Junior, que interpreta a história não somente como uma contenda entre meros mortais, mas simultaneamente como uma batalha sobrenatural pelo domínio. Segundo Kaiser Junior, Satanás teria sua própria sucessão de tiranos que correspondiam à linhagem davídica de Deus, além de sua própria pessoa culminante, o tirano dos tiranos. 

• O rei de Tiro é uma analogia do Primeiro Homem
Devido a certos paralelos entre nossa passagem e Gênesis 2-3, alguns supõem que o rei de Tiro seja uma ilustração ou adaptação de Adão, o primeiro homem. Os dois relatos compartilham alguns elementos: o Jardim do Éden, a criação, a perfeição, o querubim e a expulsão. Mas existem diferenças básicas que tornam difícil sustentar essa posição: em Ezequiel há pedras preciosas em vez de árvores; o ser está coberto e não nu; a responsabilidade é de guarda e não de cultivo e cuidado do jardim; não há serpente ou elemento tentador externo e, o mais importante, não há mulher.

• Trata-se de um relato de caráter mitológico
A linguagem de Ezequiel tem sido vista por muitos estudiosos como mítica e encorajado a interpretação de identificar o rei de Tiro como uma entidade mitológica ou como se ele se considerasse a personificação de uma deidade mitológica. Para validar essa suposição, geralmente são evocados os termos “querubim”, “monte santo de Deus” e “pedras afogueadas” em ligação com 28:2 “No orgulho do seu coração você diz: ’Eu sou El (...)”, 

Esta teoria era refutada até pouco tempo alegando-se que não existia nenhum mito na literatura do Antigo Oriente que demonstrasse semelhanças com Ezequiel, entretanto Pfeiffer e Harrison não são dessa opinião. Eles citam em seu comentário bíblico que os fenícios conheciam uma fábula estruturalmente muito parecida com a narrativa de Gênesis 2 e 3. Segundo a lenda fenícia, no Jardim de Deus habitavam inicialmente o homem ideal (o Urmensch, ou primeiro homem), perfeito em sabedoria e beleza e o querubim que guardava o jardim. Embora fosse um simples mortal, o homem ficou orgulhoso e proclamou-se deus. Por este pecado, o querubim o expulsou de lá. Segundo o relato de Ezequiel, o rei de Tiro seria arruinado por uma ofensa semelhante.

A posição literal
Esta última perspectiva entende que o príncipe e o rei de Tiro são a mesma pessoa e interpreta o texto nominalmente, como um oráculo dirigido a um homem específico em determinado momento do tempo. Geralmente esta posição requer mais subsídios, considerando a linguagem difícil de Ezequiel e o abismo cultural, temporal e de pensamento que dificulta a descoberta do sentido primário do texto.

Análise do Lamento sobre o rei de Tiro

Embora escrita em métrica qiná, própria das lamentações, o texto é mais uma ironia do que uma lamentação. 

Na expressão “modelo da perfeição”, a palavra hebraica traduzida como modelo é “hôtem”, e traz o sentido de “aquele que sela’, ou ”aferidor”, como algo a ser imitado ou invejado. Pode referir-se ao papel de destaque ocupado pelo rei que inspirava a ambição dos outros príncipes fenícios. Logo em seguida, aparecem duas outras características do monarca: “cheio de sabedoria e de perfeita beleza”, lembrando que na profecia anterior a sabedoria é retratada como malícia comercial e que o texto deve ser tratado como uma unidade, podemos estender até aqui a interpretação que a sabedoria e beleza podem ser, respectivamente, as habilidades de adquirir riquezas e os luxos advindos desses tesouros. Seguindo o raciocínio desta forma, o rei de Tiro (do ponto de vista dos mercadores marítimos e do povo fenício) servia mesmo de modelo aferidor.

Os versos 13 a 15 são problemáticos. Muitos interpretam o Éden aqui como o jardim da criação e postulam que o rei de Tiro seria então Adão ou Satanás. Mas se entendermos a passagem literalmente, se este é o Jardim do Éden literal, do relato de Gênesis, não há possibilidade do rei da cidade de Tiro (homem) ser o sujeito do oráculo. Se esta possibilidade não existe, e insistimos sustentando na identificação do destinatário das palavras proféticas como ou o primeiro homem ou o diabo, o lamento torna-se um texto independente, sem qualquer ligação com a profecia anterior e já vimos inicialmente a importância do oráculo ser tratado como um todo contínuo e coeso. 

Uma proposta interessante para tentar solucionar a expressão “Éden, jardim de Deus”, é a leitura paralela do oráculo contra o Egito (capítulos 29-31). A passagem sugere uma conexão – ao menos na mente do profeta e talvez na da sociedade como um todo – entre a idéia de “Jardim de Deus” ou Éden e o Líbano. No capítulo 31 há a referência ao “cedro do Líbano” (vs 3), aos “cedros do jardim de Deus” (vs 8) e das árvores do Jardim do Éden até mesmo sentindo inveja do cedro do Líbano. O rei responsável por Tiro ter iniciado seu processo de ascensão comercial foi Hirão, que participou ativamente da construção do templo de Salomão. A riqueza de Tiro começou fabricando artefatos em bronze (o que pode ser uma referência às pedras afogueadas e a fundição) e vendendo madeiras do Líbano. Desta forma, o rei de Tiro teria estado no Éden representado em seu antecessor distante. Esta imagem comercial relacionando o Éden e o Líbano parece convincente porque não foge do propósito do oráculo, que é denunciar Tiro por seu pecado de ganância (26:2). As pedras como cobertura podem ser interpretadas como símbolos de riqueza.

A expressão “Você foi ungido querubim guardião” merece atenção especial. O original hebraico é ambíguo e passível de duas traduções de sentidos diferentes, pode significar tanto “Você era o querubim ungido” quanto “você estava com o querubim ungido”. Os que vêem Adão nesta passagem geralmente preferem a última tradução e alegam que Adão tinha uma companhia angelical no Éden, mas devemos lembrar algumas coisas: no relato de Gênesis, a mulher é feita porque não era bom que o homem estivesse só, logo, é improvável que ele desfrutasse de um companheiro inteligente; se a função do suposto querubim companheiro é de guardião de Adão, deve-se expor do que ele estava sendo protegido e o porquê; e, finalmente, no relato bíblico, é o homem que é expulso do paraíso, não o querubim; somente após a expulsão de Adão é que encontramos menção da presença de querubins no jardim (Gn 3:24). Há ainda os que entendem que o querubim deste texto é Satanás, literalmente, o que também é difícil de sustentar, pois Satanás nunca é retratado na Bíblia como guardião de coisa alguma. Deve-se considerar ainda que, especificamente em Ezequiel, os querubins são descritos como aqueles que guardam e sustentam o trono de Deus, dar a Satanás a posição de querubim antes de sua queda é tomar por certo o que não tem respaldo em nenhuma parte da Escritura, ou seja, afirmar que a função de Satanás era guardar e sustentar o trono de Deus. 

Parece razoável interpretar o rei de Tiro (homem) no papel do querubim ungido como alguém que recebeu um privilégio do próprio Deus. Este privilégio pode ter sido participar da edificação do palácio de Davi e, posteriormente, da construção do Templo, inclusive na fabricação de diversos utensílios sagrados. A posição de destaque no comércio mundial pode ter sido fruto das bênçãos de Deus pela participação de seus antepassados no sistema de culto em Israel. Não se pode perder de vista que o motivo dos oráculos contra Tiro é a expectativa gananciosa da cidade de lucrar com a queda de Jerusalém. O rei de Tiro que auxiliou Davi e Salomão tinha uma postura muito diferente daquele da época de Ezequiel, basta comparar I Reis 5:7 com Ezequiel 26:2 para que isso fique evidente. Trair o legado deste privilégio por orgulho e ganância mereceu o julgamento e punição de Yavé.

A posição de que a passagem trata de um relato mítico também não deve ser descartada totalmente. Relacionar o lamento sobre o rei de Tiro com elementos mitológicos da cultura fenícia parece ser realmente válido dentro do contexto estrutural encontrado em toda a obra de Ezequiel. O profeta, por todo o livro, faz uso de diversos recursos didáticos para viabilizar o entendimento de sua mensagem: representação dramática, atos simbólicos, parábolas e provérbios, dentre outros. Parece razoável que este profeta também utilizasse elementos mitológicos ou fábulas da cultura fenícia para que a mensagem fosse compreendida da forma mais clara e fiel possível por este povo. Um argumento forte contra esta suposição, porém, é que Ezequiel profetizou contra Tiro no meio do exílio babilônico, ele não se deslocou até a orgulhosa cidade comercial para entregar sua profecia e os ouvintes deste oráculo provavelmente foram judeus deportados. Se levarmos isso em consideração, parece injustificado ou inútil o esforço para deixar o oráculo mais facilmente inteligível aos fenícios. 

O “monte santo de Deus”, referido no verso 14, deve ser o monte Saphôn, montanha sagrada para o povo fenício e pode ser interpretada metaforicamente como um lugar elevado, de privilégio e destaque, ainda mais se pensarmos que este oráculo é o lamento sobre a queda e deve enfatizar o sentido de perder uma alta posição para ser humilhado até o inferno. Cabe aqui também o pensamento comum oriental sobre a existência da montanha sagrada ao Norte, escada dos deuses para o céu.

Caminhar entre as “pedras fulgurantes”, no original hebraico, quer dizer andar entre as pedras que se destacam por seu brilho, não que estas pedras sejam incandescentes. É a definição de algo que emite luz própria, à semelhança do fogo, não que esteja se consumindo ou envolto em chamas. Esse brilho à aparência de fogo é característico da manifestação divina (cf. Ez 1:13) e pode ser interpretado como mais um indício de que o rei de Tiro foi favorecido por Deus, mas sua atitude ambiciosa atraiu juízo sobre si. Não somente sua posição, mas suas riquezas somente foram adquiridas com a permissão de Yavé. Existem alguns teólogos que tentam definir essas “pedras fulgurantes” como algum paralelo na religião fenícia ao sacerdócio judaico, alegando uma simbologia das pedras do peitoral relacionada a fragmentos de lendas sobre o monte Saphôn e as estrelas de Baal o rodeando. Entretanto os que pensam assim esquecem que o texto fala sobre “andar” entre estas pedras, não usá-las como adorno sagrado, como é comumente sugerido.

“Você era inculpável em todos os seus caminhos” (vs 15), aparece em muitas traduções como “Perfeito em todos os caminhos”. A palavra traduzida por perfeição ou até inculpabilidade, no texto hebraico original, é “tamin” e designa mais um estado de integridade do que de ausência de defeitos. Perfeição sugere que não falta nada ou parte alguma, como a oferta ao Senhor devia ser perfeita e não apresentando animais mancos (que faltavam ou faziam uso atrofiado dos membros) ou aleijados. Uma tradução do sentido aproximado seria, “Não te faltava nada, mas sua ganância desejou ir além”. Essa concepção está em harmonia com a temática do oráculo como um todo e deve ser considerada. É interessante notar que ela introduz a “multiplicação do comércio” e o aparecimento da violência e do pecado (vs 16), a violência pode ser entendida como uma tentativa de atender à ganância do coração a qualquer custo, numa atitude em que “os fins justificam os meios”. A continuação da leitura revela a expressão ”comércio desonesto”, essa desonestidade não era somente cobrar com usura, além do preço justo, com ganhos excessivos, mas principalmente usar de quaisquer meios para enriquecimento. Se pensarmos que Tiro era favorecida por Deus por sua atitude em relação a Israel anteriormente, parece natural que a mudança de atitude nesta ultima ocasião (26:2) resultaria num juízo de Deus (“fiz sair de você um fogo que o consumiu”) contra ela. Essa ideia ganha força enfatizada também na profanação do santuário, a quebra de uma instituição sagrada, e a expulsão, ou o fim dos privilégios.


Conclusão:

Os oráculos de Ezequiel são dirigidos ao rei de Tiro histórico, personagem real, como conseqüência de seu orgulho e ganância. As inferências míticas podem ter sido introduzidas para que a compreensão da mensagem fosse facilitada dentro da cultura fenícia, ainda que não haja sustentação para crer que o profeta tinha expectativas de que suas palavras chegassem diretamente a esse povo. A suposição de que o rei de Tiro é uma analogia de Adão não apresentou argumentos convincentes o bastante para validá-la, nem a que postula que o oráculo dirige-se a Satanás antes de sua queda. Entretanto, é impossível não enxergar um poder espiritual atuando por trás do personagem humano. Mesmo que os oráculos não sejam contra Satanás, deve-se reconhecer que havia um espírito maligno por trás do orgulho do rei de Tiro, instigando-o em sua auto-deificação.




BIBLIOGRAFIA:

ARTHUR, Joseph. “O Rei de Tiro em Ezequiel 28:12-19: Seria Ele Satanás?” in:Vox Scripturae – Revista Teológica Latino-americana.Vol 7. Ano 1. Junho.Pg 3-24. São Paulo: VS/Aetal, 1997.
BÍBLIA SAGRADA. Nova Versão Internacional, São Paulo: Sociedade Bíblica Internacional, 2000
BOYER, O.S. Pequena Enciclopédia Bíblica. 14 impressão. São Paulo:Vida, 1989.
BUCKLAND, A.R. Dicionário Bíblico Universal. Traduzido em português por J.S.Figueiredo. São Paulo: Vida, 1988.
DOUGLAS, J.D (org.). O Novo Dicionário da Bíblia. Editor em português: R.P.Shedd. São Paulo: Edições Vida Nova, 1988.
KAISER JR, W. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Edições Vida Nova, 1988
OLIVA, Alfredo dos Santos. A História do diabo no Brasil. São Paulo: Fonte Editorial, 2007.
PFEIFFER, C.F et HARRISON, E.F. Comentário Bíblico Moody. Volume 3-Isaías à Malaquias. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1987.
SMITH, R. L. Teologia do Antigo Testamento. Tradução de H.U. Fuchs e L.Yamakami.São Paulo: Edições Vida Nova, 2001.
WILLMINGTON, Harold L. A Bíblia em Esboços. Tradução de E. P Junior. São Paulo: Hagnos, 2001.

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por Luciano Maia
Fonte: http://vulcanobh.blogspot.com.br

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A IGREJA E O CIRCO GOSPEL


Muitas vezes recebemos questões como: Por que vocês não usam esse ou aquele super recurso para melhorar a edição/layout? Por que vocês não utilizam ferramentas de discursos ou aplicam estratégias para aumentar o número de curtidas? Por que vocês não compartilham vídeos dos "queridinhos" do mundo gospel, dando uma pitada de humor na página? Quem são vocês da Página?

Bem, amados, a nossa resposta permanece a mesma de quando começamos essa página com o objetivo de dividir algumas reflexões e textos acerca do Evangelho.

Quem somos nós? Bem, somos os que são consolados pelo Espírito, amados de Jesus, e filhos de Deus, assim como todos aqueles que se encontraram com o Cristo pelas estradas de Damasco.

Essa página não tem como objetivo qualquer pretensão pessoal de quem quer que seja. Afinal de contas, a maior parte da história (verdadeira) da Igreja do Senhor aqui na terra foi realizada de forma anônima, por homens e mulheres cujos nomes somente saberemos no céu. Gente simples e humilde que sangra pelo Evangelho.

Mas, se Deus vê e se alegra, o que mais importa? Nada mais importa conquanto seja Ele anunciado e o caráter do Seu Filho enxergado naqueles que, de fato, se agarram em Seu precioso Nome como única fonte de esperança.

Não pretendemos agradar quem quer que seja e nem rentabilizar influências ou vender o que quer que seja; receber convites para pregar ou encarnar o "Ministério __________ (nome da pessoa)". Não faremos disso uma estrutura pesada.

O Brasil tem padecido de males como esses. A título de exemplo, observe que conhecemos uma centena de 'cantores' e 'pastores' que construíram fortunas às custas de música e discurso sobre a bíblia. Mas, sejamos francos: conhecemos uma única pessoa que construiu fortuna às custas de louvor sincero e pregação genuína do Evangelho de Jesus Cristo? A resposta que ecoa do coração do Evangelho é NÃO. (E não venha dar "piti" na Página, porque, como foi dito, não estamos aqui para agradar você).

O Evangelho não produz glamour, estruturas pesadas, instituições que prezam mais por seus usos e costumes (manuais de regras comportamentais), e comércio. Então, me responda por qual razão todo "artista gospel" que conseguiu "5 minutos de fama" logo abre a sua lojinha virtual? Por qual razão eles vendem os seus "testemunhos" em livros? Por que insistem em rentabilizar ou monetizar o Evangelho?

Mais uma vez vamos insistir: não adianta vir aqui brigar conosco, pois você perderá o seu tempo. Os fins não justificam os meios. Pouco importa se o seu "artista" ajuda criancinhas na África com essa grana às custas do Evangelho ou se faz caravana para Israel. O fato é que fomos chamados para servir o Evangelho (servir a Cristo) e não para nos servir dele (ou, como muitos estão fazendo: se lambuzando dele).

Não estamos falando de fanatismo religioso (amor sem conhecimento) e nem de legalismo religioso (conhecimento sem amor). Estamos falando de discernimento (amor e conhecimento andam de mãos dadas). É por isso que não se tratam de regras escritas com tinta e tábuas de pedra, mas escritas com o Espírito do Deus vivo nas tábuas de corações humanos.

Quando é que vamos discernir que todo comércio que andam fazendo, ainda que a pretexto de fazer caridade ou levar o evangelho, não redime as ações praticadas? Jesus Cristo, por acaso, agora é servido por mãos humanas, como se estivesse em necessidade de alguma coisa?

Quando vamos discernir que o Evangelho não é sobre um coração transformado, mas sim sobre um novo coração? Você não se converte porque passa a fazer parte de uma comunidade, mas por meio de uma obra sobrenatural de Deus na sua vida.
Os discípulos nunca tiveram muito dinheiro, nunca tiveram TV ou Rádio, nunca venderam camisetas ou seja lá o que for - aliás, não venderam NADA -, e nunca tiveram grandes prédios, templos, sinagogas, ministérios. Eles nunca tiveram absolutamente NADA disso. Mas sabe o que eles fizeram? Aqui está a resposta: Eles viraram o mundo de cabeça para baixo.

Mas hoje não é mais assim. Hoje, a pessoa canta um pouquinho bem ou fala um pouquinho bem e ela já SE TORNA um ministério. E aí já sabemos. É mais um vida girando na estrutura do circo gospel.

Os frutos são estruturas obesas, gente sem discernimento, uma cristandade cheia de fetiche pelos "pastores-celebridade e cantores-celebridade", gente vivendo do dinheiro que sequer deveria ganhar (nesse contexto), e gente perdida que se agarra à ideia de que está abençoando muita gente. Cegos guiados por cegos.

E, uma vez ou outra, aparece o "crente-fã" revoltadinho porque alguém falou algo de verdadeiro sobre essa orgia gospel. Ele se sente ofendido porque não consegue discernir que Deus misericordiosamente age, resgata e salva pessoas APESAR de toda a palhaçada.

O "crente-fã" fica bravo porque crê que se Deus agiu é porque partilha e se agrada desses acontecimentos. Se alguém é salvo ouvindo um culto da Universal do Reino de Deus ou dos "malucos" da Lagoinha, automaticamente o "crente-fã" crê que Deus está ali. Mas não, Ele não se agrada disso.

O objetivo do que dizemos é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para o outro pelas ondas teológicas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela malícia de certas pessoas que induzem os incautos ao erro. Precisamos nos agarrar aos pilares da nossa fé.

Leonard Ravenhill estava certo: mais pessoas vão para o inferno por causa de um evangelho mal pregado do que por qualquer outra razão. Esse é o alerta para você: é bom que você não tenha o sangue deles em suas mãos, pois dará conta das suas ações. E isso não é uma ameaça - não me venha com essa -, isso é um alerta encharcado da reverência e da solenidade que permeia tais ações.

Você tem um bom testemunho? Então vamos vender livros, cursos, CDs (até "coaching" tiveram a capacidade de fazer). Vocês estão malucos? Você tem uma boa voz? Então façamos um igreja como se fosse um palco e aí você pode cantar, vender CDs, e talvez até abrir uma loja virtual para vender camisas, canecas e capacetes. Vocês estão malucos? Desperte, ó povo de Deus! Esse evangelho foi proclamado a custo de sangue. Vocês perderam totalmente o juízo. Mal sabem vocês que são juízo de Deus sobre esse povo ambicioso e idólatra que consegue para si mesmo a eficácia das suas próprias cobiças.

Muitos de vocês oferecem o mesmo que o Diabo, mas em nome de Cristo. Ouça, Igreja, saia desse meio enquanto há tempo. Corra para longe disso e não toque em absolutamente nada quando sair. Corra pela sua vida. Esse é o meu conselho para você. E saiba que você não encontrará uma igreja local perfeita, mas certamente encontrará igrejas que são feitas por pessoas que honestamente desejam servir ao Senhor. Quem tem ouvidos, que ouça, pois o Senhor está às portas.

Eu não quero ser achado entre aqueles que estão fazendo coisas que o Senhor e os seus discípulos abominariam. Eu quero ser achado entre aqueles cuja vida expressa o caráter do Cristo, porque o evangelho não é sobre uma vida que tentamos viver com Jesus ou para Jesus, mas sim sobre Jesus Cristo vivendo em nós. E se Ele vive, o nosso caráter muda.

Responda-me: Por que mesmo você acredita em Deus? Porque até mesmo os demônios acreditam e tremem diante dele. Então me diga: o que exatamente coloca o diabo e os demônios de um lado da linha e você de outro? Certamente não são essas sandices que estão ao nosso redor.

É este o lamento de Deus hoje:
"Pensavas que (EU) era como você".

A vida nessa terra não é um parque de diversões gospel. Estamos aqui neste mundo caído como peregrinos e em nós foi posta a mensagem da reconciliação entre Deus e todos os homens. Precisamos anunciá-la, se é que amamos os nossos semelhantes, ainda que para isso precisemos desafiar os coronéis da fé, os currais evangélicos e os celeiros de heresias.


Não tememos ninguém, senão ao Senhor,


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O mundo e o diabo como tentadores



O mundo

O mundo instiga tanto convertidos como não convertidos a cometerem pecado. Ele coloca diante deles todos os tipos de entretenimento, na esperança de se beneficiarem de alguma forma, bem como amizade, amor, apreço e fama. Se isso não lograr êxito, ele irá ameaçar com o mal, infortúnio, opróbrio, perseguição, etc.

Ainda que uma pessoa mundana tente outra pessoa mundana ao pecado, a igreja em geral, e cada crente individualmente, é o seu foco principal. Os últimos são como ovelhas entre os lobos. Portanto, eles não devem confiar em ninguém, mas devem estar sempre vigilantes quando estiverem entre as pessoas do mundo.

O Senhor Jesus predisse que não temos que esperar nada do mundo, senão o mal das pessoas mundanas. No mundo tereis aflições (João 16.33). O Senhor Jesus também ensina que devemos estar em guarda com os homens (Mateus 10.17). Ademais, lemos ainda:

Prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza. 
(2Pedro 3.17)

Para finalizar, o Senhor Jesus aduziu este precioso conselho:

Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. 
(Mateus 10.16)


O diabo

Satanás também tenta o homem. Os não convertidos estão em seu poder. O diabo governa sobre eles, que são prisioneiros de sua vontade. Ele exerce todo o seu poder para fazer com que os crentes venham a cair em tentações. Outrossim, ele leva o nome de tentador (Mateus 4.3), inimigo (Mateus 13.39), adversário (1Pedro 5.8) e diabo (Tiago 4.7). Destarte, suas tentações mais sutis são referidas como ciladas (Efésios 6.11).

Ele procura descobrir aonde o crente é vulnerável; e, baseado nisso, apresenta suas tentações. Não seria razoável ele fomentar suas tentações com todos, uma vez que não seria muito eficaz. Ele conhece a estrutura do homem, bem como a sua vulnerabilidade; ele sabe qual é o pecado mais suscetível de ser cometido, sabe as circunstâncias e a ocasião em que iremos cometê-lo. Juntamente com isso, ele lança pensamentos e imagens em nossa mente, na tentativa de nos fazer cogitar tais pensamentos, estimulando nossos desejos pecaminosos através destas reflexões.

No momento oportuno, ele irá criar situações que sabe que temos caído frequentemente. Então, quando a alma estiver desesperada, prestes a ruir em pecado, ele tentará seduzi-la para um próximo pecado. Ele sabe como disfarçar bem o pecado de maneira sutil, apresentando-o de maneira tão desejável que a nossa vontade é completamente excitada. No início, o pecado estimula o homem, instando-o de tal modo para que não tenha tempo de direcionar um pensamento sequer com respeito a Deus. Uma vez que o pecado foi cometido, ele tenta levar a pessoa ao desespero, ao sugerir:

“Uma vida assim não pode coexistir com a graça. Você não é nascido de novo. Você não tem a fé verdadeira. Não há graça para você. Seu pecado é muito grande. Você deve ter cometido o pecado contra o Espírito Santo. Após isso, ele vai aterrorizá-lo de várias maneiras”.

Contudo, nós temos que saber isto: o diabo não pode coagir o homem a pecar. Tudo o que ele pode fazer é imbuir, seduzir, criar situações. Logo, o próprio homem é responsável pelos pecados que comete, não podendo, assim, culpar o diabo. Ademais, nem sempre o diabo é o tentador; antes, é o próprio homem que geralmente inicia o pecado.



por Wilhelmus à Brakel
Trecho extraído de The Christian’s Reasonable Service, volume 3, pág 576-578

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Lúcifer não é satanás: a verdadeira origem do mal


O Que a Bíblia Diz? Quem é "Lúcifer"?



O nome Lúcifer é frequentemente aplicado a Satanás, mas não há base bíblica para esta ideia  A palavra "Lúcifer" é a tradução em algumas Bíblias (ainda que não nas versões portuguesas mais comuns) da palavra hebraica hêlîl em Isaías 14:12. Versões bem conhecidas como a Revista e Corrigida, a Revista e Atualizada (1 e 2) e a Linguagem de Hoje traduzem esta palavra como "estrela da manhã."

veja em WikipediaLÚCIFER


A palavra “lúcifer” é uma palavra do Latim (idioma antigo) e significa "portador da luz("lux" ou "lucis "+ "ferre")". Quem traduziu a Bíblia para o Latim foi “Eusébio Sofrônio Jerônimo” e essa tradução é conhecida como "VULGATA LATINA"; na Bíblia em Latim, o substantivo "lúcifer" aparece seis vezes, a saber:
1 - A palavra "lúcifer" aparece em Jó 11:17, referindo-se ao amanhecer.
2- A palavra "lúcifer" aparece em Jó 38:32, referindo-se à estrelas.
3 - A palavra "lúcifer" aparece em Salmos 110:3 (Na Nova Vulgata Apenas), referindo-se ao amanhecer.
4 - A palavra "lúcifer" aparece em 2 Pedro 1:19, referindo-se, por incrível que pareça, a Jesus!
5 - A palavra “lúcifer” aparece em Isaías 14:12, referindo-se ao rei da Babilônia (compare Is 14:12 com Is 14:4-6)


6 - A palavra Lúcifer aparece em Apocalipse 2:28

Isaías 14 é uma profecia sobre a queda do rei de Babilônia (veja 14:4). Este rei exaltava-se, buscando tomar a glória que pertence a Deus. A profecia de Isaías 14 mostra que ele seria derrubado de volta à terra.

É interessante que o Novo Testamento fale sobre a "estrela da alva" (2 Pedro 1:19) e a "estrela da manhã" (Apocalipse 2:28; 22:16). Em todas estas passagens, é claro que a estrela da manhã não é Satanás, ou qualquer outra criatura blasfema. O próprio Jesus é a brilhante estrela da manhã que abençoa seus servos fiéis.

Então, por que o nome "Lúcifer" é frequentemente aplicado a Satanás? O uso partiu de uma interpretação errada de Isaías 14:12. Muitos comentaristas inseriram algo maior neste texto, vendo-o como uma explicação da origem de Satanás. Certamente há razão para acreditar que o Diabo foi um dos anjos (Jó 1:6), que ele tem estado em rebelião contra Deus desde antes da criação da Terra (1 João 3:8; veja Gênesis 3), e que vários anjos seguiram sua desobediência e serão castigados eternamente (Judas 6). O que o rei de Babilônia fez foi o mesmo tipo de pecado: desafiar a autoridade do Rei dos reis. Neste sentido, podemos pensar em "Lúcifer" como um filho ou discípulo de Satanás (veja João 8:44), mas a profecia de Isaías 14:12 não está falando especificamente do Diabo.

Esta é uma lição permanente para nós de Isaías 14. O rei de Babilônia serve como um lembrete claro da verdade das palavras de Jesus em Lucas 14:11: "... todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado." Que possamos andar humildemente com nosso Deus.


SATANÁS NUNCA FOI LÚCIFER: A VERDADE SOBRE A ORIGEM DO MAL

PRIMEIRAS PALAVRAS

O Mal é algo que só se caracteriza graças, primeiramente, a existência do Bem. Porém, ao caracterizar-se, o Mal acaba por caracterizar o Bem, ou seja, caracteriza que o Bem é Bom. O Bem e o Mal são forças que se anulariam caso existisse apenas uma. Por exemplo, a saúde é algo bom, mas só para quem conhece a doença, que é algo mau. Ora quando temos saúde não damos importância ao tipo de bebida ou comida que consumimos. O importante é que sejam agradáveis ao nosso paladar. No entanto, quando adoecemos é que percebemos que a saúde é algo bom, ou seja, por intermédio do mal descobri que o bem é bom. 

Essa relação é diretamente proporcional, ou seja, quanto maior for o mal, mais certeza teremos de que o bem é bom. No exemplo em questão, quanto maior for a enfermidade mais certeza terá o enfermo de que a saúde é algo bom. Logo, o mal da doença caracteriza a benignidade da saúde. Mas, não existe doença sem que haja primeiramente a saúde. Portanto, o mal caracteriza o bem, mas sua existência depende da prévia existência do bem.


Muitos, ou todos, condenam Adão e Eva por terem comido o fruto da árvore do conhecimento entre o Bem e o Mal. Para nós é muito fácil dizer que o que eles fizeram não foi correto, mas só sabemos disso porque somos conhecedores do pecado. Certamente que Adão e Eva não sabiam que a vida eterna era algo bom, até conhecerem a morte. Depois disso, passaram a dar valor ao fruto de uma árvore que sempre esteve à disposição deles, mas lhes parecia tão normal quanto às outras, por isso não lhe dava importância: A Árvore da Vida. Mas, agora não eram mais dignos de chegarem a ela. Por isso Deus colocou querubins para guardarem-na:

"Então, disse o SENHOR Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim não estenda a mão, e tome também a árvore da vida, e coma, e viva eternamente.
O SENHOR Deus, por isso, o lançou fora do jardim do éden, a fim de lavrar a terra de que fora tomado.E, Expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do éden (...) para guardar o caminho da árvore da vida" ( Gn 3:22-24 ) 

Portanto, a Vida Eterna só se caracterizou como algo bom graças ao conhecimento sobre a Morte que, naquele momento, caracterizava-se como má.

Uma questão pode ser levantada nesta situação: "Qual motivo da existência da árvore do conhecimento, sobre o bem e o mal, no paraíso, se ela viria a trazer tantos malefícios?"

Acredito, e agora se trata de uma reflexão meramente individual, portanto passível de discussão, que a existência da árvore do conhecimento tem o objetivo de caracterizar a benignidade de Deus, ou seja, primeiro existiu o Bem, mas foi necessária a introdução do Mal para que o Bem pudesse ser caracterizado.


E, com base nisso, pode-se afirmar: "O Mal já existia no paraíso antes mesmo da criação do homem, mais precisamente no terceiro dia da criação ele surgiu. Logo, é verdade afirmar que Adão e Eva foram os primeiros homens a pecar, mas não que eles foram os responsáveis pela introdução do mal no paraíso, pois o Mal já existia antes mesmo deles terem comido o fruto proibido. Ora, Satanás estava na serpente, logo o Mal já existia e tanto isso é verdade que Deus criou a primeira lei: "... de toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás..." ( Gn 2:16-17 ). Se havia lei era porque já havia o mal (transgressão), pois: "onde não há lei, também não há transgressão..." ( Rm 4:15 ); "pela lei vem o pleno conhecimento do pecado" ( Rm 3:20 ).

Sabe-se, portanto, que o Mal já existia no paraíso antes mesmo de Adão e Eva terem pecado, mas a questão que fundamenta este estudo é: "Como surgiu o Mal?". Necessariamente quando se busca um conhecimento sobre origem do mal, busca-se, também, o conhecimento sobre a origem de seu maior representante: Satanás (Diabo).


Mas  adiante vamos discorrer um aprofundado estudo bíblico a procura de evidências que possam fundamentar toda essa estória de um dia Satanás ter sido Lúcifer, um anjo que queria ser mais poderoso que Deus, e que iniciou uma peleja no Céu, na qual foi derrotado e lançado a Terra e nos tenta até hoje.
Após este estudo descobriremos que tudo isso não passa de uma lenda causada por uma interpretação equivocada dos leitores e estudiosos da bíblia.


OS POVOS MAIS ABENÇOADOS POR DEUS

Na bíblia, mais precisamente no Antigo Testamento, há relatos sobre dezenas de povos que tiveram, direta ou indiretamente, alguma relação com o povo de Israel. Entre eles podemos citar os egípcios, os babilônios, os sidomeses, os de Tiro, os da Assíria, os de Moabe, etc.

Todos esses povos tiveram alguma relação negativa com o povo de Israel e, através de profecias, receberam duras penas de Deus. No livro intitulado Ezequiel encontra-se várias profecias contra alguns desses povos. Por exemplo, em Ez 25 há profecias contra os povos de Amom, Moabe, Edom e Filístia. Em várias outras partes da bíblia, principalmente em Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel, podem ser encontradas diversas dessas profecias.

Porém, em relação a alguns povos Deus, por intermédio dos profetas, além de anunciar profecias de destruição, anunciou, também, lamentações. Os únicos povos que Deus lamentou destruir foram: Israel, Egito, Tiro e Babilônia.


Qual seria o motivo que levou Deus a lamentar a destruição desses povos? Ora, por uma razão comum: Os reis, ou príncipes, desses povos eram abençoados e amados por Deus. Ora, como pôde Deus amar e abençoar povos como, por exemplo, os egípcios que tanto mal lhe fez, se é que fizeram algum bem?!

Esta indagação só pode ser respondida, com clareza, após uma profunda análise dos relatos bíblicos sobre esses povos e, logo após, vamos associar as conclusões com a equivocada estória sobre a origem de Satanás, que é o objetivo de nossa discussão.

As lamentações a esses povos podem ser encontradas em:
1 ? Lamentações (Livro todo dedicado ao sofrimento do povo de Israel); 
2 ? Ez 27:1-4 (Lamentações à Tiro e seu rei):
"Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Tu, pois, ó filho do homem, levanta uma lamentação sobre Tiro; dize a Tiro (...): Assim diz o SENHOR: Ó Tiro, tu dizes: Eu sou perfeita em formosura. No coração dos mares, estão os teus limites; os que te edificaram aperfeiçoaram a tua formosura."

3 ? Jr 51:7-9 (Lamentação à Babilônia e seu rei):
"A Babilônia era um copo de ouro na mão do SENHOR (...). Repentinamente, caiu Babilônia ela, porém, não sarou (...) lamentai por ela, tomai bálsamo para a sua ferida."

4 ? Ez 32:1-2 (Lamentação ao Egito):
"(...) Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, levanta uma lamentação contra faraó, rei do Egito, e dize-lhe: Foste comparado a um filho de leão entre as nações (...)"
Sabe-se, agora, após ler esses trechos, que Deus realmente lamentou destruir esses povos mas, exatamente, o que significa "lamentar"?

Se analisarmos em um dicionário, lamentar é o mesmo que: 1 ? Chorar, gemendo ou gritando; 2 ? Lastimar, deplorar; 3 ? Proferir palavras de tristeza, aflição. 
Logo, Deus estava muito triste ao anunciar os castigos a esses povos, aos quais os amava bastante.

3.1  O POVO DE ISRAEL
Não há dúvidas sobre o grande amor de Deus em relação ao povo de Israel, o "Povo de Deus" (Ex 3:10), principalmente à cidade de Jerusalém, sendo esta, simbolicamente, considerada a "Noiva de Deus" (Is 62:3-5).
Porém a recíproca desse amor não era verdadeira, uma vez que este povo despontava tanto a Deus que Ele, por diversas vezes, o castigou e, arrependendo-se, por conta de Seu grande amor, o perdoou:
"Então, enviou o SENHOR a peste a Israel, desde a manhã até o tempo que determinou; e, de Dã até Berseba, morreram setenta mil homens do povo. Estendendo, pois, o Anjo do SENHOR a mão sobre Jerusalém, para a destruir, arrependeu-se o SENHOR do mal e disse ao Anjo que fazia a destruição entre o povo: Basta, retira a mão..." (2 Sm 24:15-16)

"...Assim diz o SENHOR, Deus de Israel...: Se permaneceres nesta terra, então, vos edificarei e não vos derribarei; porque estou arrependido do mal que vos tenho feito." (Jr 42:9-11).

Talvez o período de domínio da Babilônia sobre Israel tenha sido o maior castigo de Deus para com o seu povo:
"...Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Visto que não escutastes as minhas palavras, eis que mandarei buscar todas as tribos do Norte, diz o SENHOR, como também a Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo, e os trarei contra esta terra, contra os seus moradores e contra todas as nações em redor, e os destruirei totalmente... toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto; todas estas nações servirão ao rei da Babilônia setenta anos" (Jr 25:8,9,11).

Era com grande tristeza que Ele o castigava:
"Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? ? Diz o SENHOR; não desejo eu, antes, que ele se converta e viva?... Não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei." (Ez 18:23,32). 

Tamanha era essa tristeza que há um livro todo focado em prantear o castigo sofrido pelo povo de Israel durante o domínio babilônico. Este livro é intitulado Lamentações.
Logo, não há dúvidas do motivo de Deus lamentar o castigo dado a Israel era porque o amava muito, tanto que o escolheu como Seu povo.


3.2  O POVO DO EGITO 
Antes de iniciarmos uma análise sobre a relação que Deus tinha com o Egito, é preciso que se reflita sobre a seguinte indagação: "Se Deus, em Suas próprias palavras, ao descrever o Brasil, simbolicamente, o comparasse a maior, mais bela e formosa árvore do éden e que nenhuma outra árvore a ela se assemelhava. Que conclusões poderíamos tirar disso? Ora, que o Brasil seria um lugar abençoado por Deus e Ele muito o quer bem. Correto?

Pois você sabia, leitor, que foi exatamente essa comparação que Deus fez, por intermédio do profeta Ezequiel, ao descrever o Egito? 
"(...) Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, dize a faraó, rei do Egito, e a multidão do seu povo: A quem és semelhante na tua grandeza?
(...) Se elevou a sua estatura sobre todas as árvores do campo, e se multiplicaram os seus ramos (...) por causa das muitas águas durante o seu crescimento.
Os cedros no jardim de Deus não lhe eram rivais (...), nenhuma árvore do jardim de Deus se assemelhava a ele na sua formosura. (...) Todas as árvores do éden, que estavam no jardim de Deus, tiveram inveja dele." ( Ez 31:1-2;5;8-9 )

Quem proporcionou ao Egito ser merecedor de tais adjetivos? Ora, o próprio Deus assim o fez:
"Formoso o fiz na multidão de seus ramos; todas as árvores do Éden, que estavam no Jardim de Deus, tiveram inveja dele..." (Ez 31:9). 
Mas, apesar de todas as bênçãos recebidas, os egípcios não as reconheceram como sendo oriundas de Deus. Antes acreditavam ser Faraó um deus:
"A terra do Egito se tornará em desolação e deserto; e saberão que eu sou o SENHOR. Visto que disseste: o rio é meu, e eu o fiz, eis que estou contra ti e contra os teus rios." (Ez 29:9-10). 

Por esta razão Deus decidiu entregar o Egito nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, assim como fez a Israel:
"(...) Assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu darei a Nabucodonosor, rei da Babilônia, a terra do Egito (...)" (Ez 29:19) 
"Assim diz o SENHOR Deus: Eu, pois, farei cessar a pompa do Egito, por intermédio de Nabucodonosor, rei da Babilônia." (Ez 30:10)
É, portanto, por Deus ter abençoado a Faraó e este não ter reconhecido que seu poder vinha de Deus, ao contrário, ele achava que era um deus, que Ele lamentou profundamente ter que destruí-lo:
"Filho do homem, levanta uma lamentação contra Faraó, rei do Egito, e dize-lhe: ...Quando eu te extinguir, cobrirei os céus e farei enegrecer as suas estrelas; encobrirei o sol com uma nuvem, e a lua não resplandecerá a sua luz. Por tua causa, vestirei de preto todos os brilhantes luminares do céu e trarei trevas sobre o teu país, diz o SENHOR Deus." (Ez 32: 2,7-8).


3.3  O POVO DE TIRO
Tiro era uma cidade muito próspera no comércio marítimo e, por causa disso, exercia grande influência sobre diversos povos, sendo considerada a "Feira das Nações" (Is 23:3), ou seja, a fonte de abastecimento dos povos. Tiro era também chamada de "a Grande Distribuidora de Coroas" (Is 23:8), caracterizando a grande riqueza que possuía.


Em Ez 27 acha-se uma lista dos povos aos quais Tiro exercia grande influência comercial. Povos como: Basã, Egito, Sidom, Persas, Társis, Síria, Judá, Israel, Arábia, Sabã, entre outros. Em troca das mercadorias oriundas da cidade Tiro os povos davam: Prata, bronze, escravos, madeira de Ébano, esmeraldas, linho puro, trigo, azeite, cordeiros, bodes, carneiros, ouro, aromas finos, navios e, inclusive, povos como os Persas ofereciam seus soldados para lutarem em nome de Tiro:

"Os Persas (...) se acharam em teu exército e eram teus homens de guerra; escudos e capacetes penduraram em ti; manifestaram a tua glória." (Ez 27:10)

Como pudemos observar, a cidade de Tiro era muito rica, próspera e, sobretudo, poderosa. Todo esse poder foi conseguido graças ao seu rei, que vamos conhecer a seguir.

3.3.1  O REI DE TIRO
Era um dos homens mais sábios da época, segundo as próprias palavras de Deus:
"Sim, és mais sábio que Daniel, não há segredo algum que possa esconder de ti; pela tua sabedoria e pelo teu entendimento, alcançaste o teu poder e adquiriste ouro e prata nos teus tesouros..." (Ez 28:3-4). 

Sendo, como pudemos verificar, mais sábio que Daniel, um dos grandes profetas de Deus. Logo, pode-se dizer que o rei de Tiro era uma pessoa abençoada por Deus, uma vez que só Deus dá a sabedoria e o poder:

"Disse Daniel: Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder; é ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes." (Dn 2:20-21). 

A todos aqueles que Deus dá a sabedoria, esta lhe proporciona sorte de bens e tesouros, como aconteceu com o rei de Tiro:
"Eu, a sabedoria, (...) ando pelo caminho da justiça, no meio das veredas do juízo, para dotar de bens os que me amam e lhes encher os tesouros." (Pv 8:12;20-21)

Porém os estrondosos aumentos de riquezas e de poder fizeram com que o rei de Tiro ganhasse tanta estima, de diversos povos, que ele começou a achar que era o próprio Deus:
"...Dize ao príncipe de Tiro: Assim o diz o SENHOR Deus: Visto que se eleva o teu coração,e dizes: Eu sou Deus, sobre a cadeira de Deus me assento no coração dos mares, e não passas de homem e não és Deus, ainda que estimas o teu coração como se fora o coração de Deus..." (Ez 28:2). 

Por causa disso, Deus decidiu entregar a cidade de Tiro nas mãos da Babilônia:
"...Assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu trarei contra Tiro a Nabucodonosor, rei da Babilônia..." (Is 23:13,15).

3.4  O POVO DA BABILÔNIA
A Babilônia, no reinado de Nabucodonosor, era o povo mais forte, rico e poderoso da época. Se você, leitor, percebeu, todos os outros três povos, analisados por nós, foram submetidos ao poder da Babilônia.
Para se entender melhor o motivo de Deus ter dado tanto poder à Babilônia é necessário que se estude, e entenda, a relação entre Nabucodonosor e Deus. 


3.4.1  O REI DA BABILÔNIA
Não existiu um rei, não-judeu, tão abençoado por Deus quanto o rei Nabucodonosor, e isso pode ser claramente observado na forma como o próprio Deus se referia a ele:
"O rei dos reis" (Ez 26:7);"Meu servo" (Jr 27:6 e Jr 43:10).

Nabucodonosor foi um rei que conquistou grande poder graças a sua fidelidade a Deus, pois Deus abençoa os justos, como assim o fez a Nabucodonosor:
"Eu fiz a terra, o homem e os animais que estão sobre a face da terra, com meu grande poder e com meu braço estendido, e os dou àquele a quem for justo. Agora, eu entregarei todas estas terras ao poder de Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo; e também lhe dei os animais do campo para que o sirvam..." (Jr 27:5-6).
Por ter sido considerado, por Deus, uma pessoa justa é que Nabucodonosor teve a honra de receber aqueles dois adjetivos da própria boca de Deus.

O rei Nabucodonosor era fiel a Deus, ao qual O reconhecia como "O Deus dos deuses" e "O senhor dos reis" (Dn 2:46-47) e bendizia o Seu nome:
"(...) Eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu (...) e bendisse o Altíssimo (..), louvo, exalço e glorifico ao Rei do céu, porque todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos, justos (...)" ( Dn 4:34,37 )

Deus abençoava tanto a Nabucodonosor que, durante o cativeiro, ordenou que o Seu povo prestasse obediência ao rei da Babilônia, punindo com a morte quem assim o não fizesse (Jr 27:11-14). Portanto, não há dúvidas que a Babilônia era uma grande nação abençoada por Deus por causa de seu rei.

O reflexo do caráter e obediência de Nabucodonosor pode ser visto no poder e nas glórias alcançadas pela Babilônia:
"Fortalecerei os braços do rei da Babilônia e lhe porei na mão a minha espada (...)" (Ez 30:24)
"Saberão que eu sou o SENHOR, quando eu puser a minha espada nas mãos do rei da Babilônia..." (Ez 30:25);
"A Babilônia era um copo de ouro na mão do SENHOR..." (Jr 51:7);
"Tu, Babilônia, eras o meu martelo e minhas armas de guerra; por meio de ti destruireis..." (Jr 51:20).


Porém uma coisa é certa, e esta é uma reflexão minha, o poder e a riqueza são os elementos que mais tentam o coração dos justos à desobediência aos preceitos de Deus, levando o homem à loucura. Foi exatamente isso o que aconteceu a Nabucodonosor. Depois de tanto poder e riqueza ele começou a se desviar dos caminhos de Deus; a gota d'água foi quando ele fez uma imagem de ouro de outro deus, e obrigou que todos a adorassem:
"O rei Nabucodonosor fez uma imagem de ouro... Levantou-a no campo de Dura, na província da Babilônia... Qualquer que não se prostrar e não adorar será, no mesmo instante, lançado na fornalha de fogo ardente." (Dn 3:1,6)
Neste momento Deus perdoa Israel e arrepende-se do mal que lhe fez: 
"...Assim diz o SENHOR, Deus de Israel...: Se permaneceres nesta terra, então, vos edificarei e não vos derribarei; porque estou arrependido do mal que vos tenho feito." (Jr 42:9-11).

Deus, então, anuncia a destruição da Babilônia:
"Eis agora vem uma tropa de homens, cavaleiros de dois a dois. Então, ergueu ele a voz disse: Caiu, caiu Babilônia; e todas as imagens de escultura dos seus deuses jazem despedaçadas por terra." (Is 21:9-10) 
"Ponde-vos em ordem de batalha em redor contra a Babilônia, todos vós que manejais o arco; atirai-lhe, não poupeis as flechas; porque ela pecou contra o SENHOR... Portanto, assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que castigarei o rei da Babilônia e a sua terra..." (Jr 50:14,18)


Porém, Deus lamentou profundamente ter que fazer isso:
"A Babilônia era um copo de ouro na mão do SENHOR, o qual embriagava a toda a terra; do seu vinho beberam as nações; por isso, enlouqueceram. Repentinamente, caiu Babilônia e ficou arruinada; lamentai por ela, tomai bálsamo para a sua ferida; porventura sarará. Queríamos curar Babilônia, ela, porém, não sarou; deixai-a, e cada um vá para a sua terra; porque o seu juízo chega até ao céu e se eleva até as mais altas nuvens." (Jr 51:7-9)
"Tu Babilônia, eras o meu martelo e minhas armas de guerra; por meio de ti, despedacei nações e destruireis; por meio de ti despedacei o homem e a mulher, despedacei o velho e o moço, despedacei o jovem e a virgem; por meio de ti, despedacei o pastor e seu rebanho, despedacei o lavrador e sua junta de bois, despedacei governadores e vice-reis." (Jr 51: 20-23)


Então, por meio de um sonho, Deus anuncia a Nabucodonosor a sua queda e destruição do reino:
"Eu, Nabucodonosor, estava tranquilo em minha casa e feliz no meu palácio. Tive um sonho que me espantou; e, quando estava no meu leito, os pensamentos e as visões da minha cabeça me turbaram.
Eram assim as visões da minha cabeça (...): Eu estava olhando e vi uma árvore no meio da terra, cuja altura era grande; crescia a árvore e se tornava forte, de maneira que sua altura chegava até ao céu; e era vista até os confins da terra. A sua folhagem era formosa, e o seu fruto, abundante, e havia nela sustento para todos (...) No meu sonho (...) vi um vigilante, um santo, que descia do céu, clamando fortemente e dizendo: Derribai a árvore, cortai-lhe os ramos, derriçai-lhe as folhas, espalhai o seu fruto; afugentem os animais de debaixo dela e as aves, dos seus ramos.
A árvore que viste, que cresceu e se tornou forte, cuja altura chegou até ao céu, e que foi vista por toda a terra (...)
És tu, ó rei, que cresceste e vieste a ser forte; a tua grandeza cresceu e chega até ao céu, e o teu domínio, até a extremidade da terra.
Esta é a interpretação, ó rei, este é o decreto do Altíssimo, que virá contra o rei, meu senhor: Serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo, e dar-te-ão a comer ervas como aos bois, e serás molhado do orvalho do céu; e passar-se-ão sete tempos por cima de ti, até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer." (Dn 4:4-5, 10-14, 20, 22, 24-25)

Em Dn 4:33-34, 37 encontra-se, em detalhes, como aconteceu a queda de Nabucodonosor. Analisando-se esse trecho percebe-se que Nabucodonosor foi humilhado por Deus mas, apesar de toda a desgraça que lhe foi imposta, ele arrependeu-se de tudo o que tinha feito de mal aos olhos do SENHOR e O glorificou:

"No mesmo instante, se cumpriu a palavra sobre Nabucodonosor, e foi expulso de entre os homens e passou a comer ervas como os bois, o seu corpo foi molhado com o orvalho do céu, até que lhe cresceram os cabelos como as penas da águia, e as suas unhas, como as das aves. Mas, no fim daqueles dias,eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração.
Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalço e glorifico ao Rei do céu, porque todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos, justos, e pode humilhar aos que andam na soberba." (Dn 4:33-34, 37)

Com isso terminamos nossa análise sobre os povos mais abençoados por Deus e, partindo desse conhecimento, vamos descobrir quão equivocada é a interpretação bíblica que os grandes estudiosos fazem sobre a origem de Satanás, maquiando-o como tendo sido um Anjo de Deus.

4  OS SUPOSTOS FUNDAMENTOS PARA A ORIGEM DE SATANÁS
Como já foi dito, no início dessa discussão, os supostos fundamentos para sustentar a teoria de que Satanás era um anjo, chamado Lúcifer, são encontrados em três livros bíblicos, aos quais vamos analisar agora:


4.1  EZEQUIEL, CAPÍTULO 28 E VERSOS DE 13 A 17
"Estavas no Éden, jardim de Deus; de todas as pedras preciosas te cobrias: o sárdio, o topázio, o diamante, o berilo, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo e a esmeralda; de ouro se te fizeram os engastes e os ornamentos; no dia em que foste criado, foram eles preparados
Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniquidade em ti.

Na multiplicação do teu comércio, se encheu teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lancei, profanado, fora do monte santo de Deus e te farei perecer, ó querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras.

Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; lancei-te por terra, diante dos reis te pus, para que te contemplem."

Acredita-se que esse trecho seja sobre a origem de Satanás porque se pode encontrar fortes evidências, como as que estão destacadas em negrito no texto.


A bíblia é um poderoso instrumento que deve ser utilizado para o estudo, e não apenas para uma leitura solta e vazia; estudar a bíblia, acredito, é analisá-la cuidadosamente, sem pressa, observando todo o contexto histórico de cada verso e ligando os fatos ocorridos ao motivo de tais palavras terem sido escritas.

É por falta dessa análise contextual que muitas pessoas se convencem ser esse trecho direcionado à figura de Satanás. A partir de agora vai ser exigida a compreensão de toda a análise histórica feita no capítulo anterior.

Este trecho, na verdade, corresponde a um trecho de uma lamentação que Deus levanta ao rei de Tiro; não é difícil constatar isso, basta ler os dois versos anteriores:
"Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, levanta uma lamentação contra o rei de Tiro e dize-lhe: Assim diz o SENHOR Deus: Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura..." (Ez 28:11-12).

Reflita agora leitor e me responda: "Quem é, segundo as próprias palavras de Deus, nesse contexto, o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura? Satanás?".

Torna-se difícil, e ilógico, acreditar que todos esses adjetivos sejam destinados ao rei de Tiro. Mas, só para quem deixou passar, desapercebidamente, todo o contexto histórico que circunda o motivo de tais palavras terem sido proferidas, ou seja, todo o relato desse trecho é direcionado ao rei de Tiro pelos motivos aos quais debatemos quando analisamos a história, bíblica, da cidade de Tiro.
Quando Deus diz: "Tu eras querubim" e "Estavas no Éden jardim de Deus", é evidente que há aqui o mesmo recurso de comparação simbólica utilizada por Ele para descrever o Egito. 

Da mesma forma, como vimos, que Deus compara Faraó e o Egito a mais bela e formosa árvore do Éden, mais bela inclusive que a árvore da Vida, Ele compara simbolicamente o rei de Tiro ao mais sábio e formoso querubim do Éden.

Veja, agora, como o restante da análise do texto se encaixa com harmonia:
1- Quando Deus diz: "Perfeito eras nos teus caminhos", fica claro que é sobre o motivo pelo qual Deus concedeu tanto poder e riqueza ao rei de Tiro, pois toda e qualquer autoridade, como de um rei por exemplo, provém de Deus:
"... porque não há autoridade que não proceda de Deus; as autoridades foram por Ele instituídas..." (Rm 13:1).

E essa autoridade Deus concede aos que forem justos aos Seus olhos:
"Eu fiz a terra, o homem e os animais que estão sobre a face da terra, com meu grande poder e com meu braço estendido, e os dou àquele a quem for justo..." (Jr 27:5).

2- Quando Deus diz: "Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura", é evidente que sobre a loucura do rei de Tiro em acreditar que era o próprio Deus:

"...Dize ao príncipe de Tiro: Assim o diz o SENHOR Deus: Visto que se eleva o teu coração,e dizes: Eu sou Deus, sobre a cadeira de Deus me assento..." (Ez 28:2 ).

Logo, o querubim, o anjo da guarda ungido, ao qual esse trecho, em análise, se refere é, na verdade, o rei de Tiro e não Satanás. Não há sentido em se afirmar que esse trecho está se referindo à figura de Satanás, porque não há fundamentação alguma, não há contexto histórico algum, em toda a bíblia, que possa ser usado como ponte para essa afirmação, ou seja, com base em que se pode dizer que esse querubim é Satanás? De onde vem a fundamentação?

 
O substantivo Lúcifer ocorre seis vezes na Vulgata, versão latina da Bíblia, e uma vez em algumas Traduções da Bíblia em língua portuguesa. Lúcifer se refere literalmente à "Estrela da Manhã" ou "Estrela D'Alva", à "luz da manhã", e à "aurora" e ao "rei da Babilônia", ao sumo sacerdote Simão, filho de Onias, à Glória de Deus, ou a Jesus Cristo. Jesus Cristo, no livro de apocalipse (22:16) se auto denomina "resplandescente estrela da manhã", o que é diferenciado quando o termo é usado separadamente "estrela da manhã" como "poder" sobre "nações". (Apocalipse 2:28 e 26) (Isaías 14:12)

Por exemplo, Tradução Brasileira da Bíblia:
E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. ” — 2 Pedro 1:19 Tradução Almeida Fiel,

Este mesmo trecho em latim, na Vulgata é:
et habemus firmiorem propheticum sermonem cui bene facitis adtendentes quasi lucernae lucenti in caliginoso loco donec dies inlucescat et lucifer oriatur in cordibus vestris ” — 2 Pedro 1:19,

como pedro ele deseja que lúcifer cresça nos corações dos crentes?


É por esta razão que é possível encontrar pessoas com nome "Lúcifer" entre os primeiros cristãos, sendo o exemplo mais famoso São Lúcifer, bispo de Sardenha, onde existe a única igreja à São Lúcifer conhecida.


4.2  APOCALIPSE, CAPÍTULO 12 E VERSOS DO 7 AO 9
"Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos;

Todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no céu lugar deles.
E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor do mundo, sim, foi atirado para a terra e, com ele, os seus anjos..."

Para os que acreditam na estória de Satanás ter sido Lúcifer, esse trecho complementa o trecho analisado no sub-capítulo anterior, ou seja, depois que Deus descobriu a iniquidade no coração de Satanás teria acontecido essa peleja, acima descrita, para expulsa-lo do céu. Logo, o que fundamenta esse trecho são exatamente as conclusões infundadas que tiram do trecho do sub-capítulo anterior. Nada mais ilógico! 

Mais uma vez é feita uma análise de um trecho bíblico sem a atenção necessária à análise do contexto ao qual, verdadeiramente, o fundamenta. 

O ponto a ser considerado, neste caso, é: Sim, esteja peleja é no céu e contra Satanás; porém, ela ainda não aconteceu. Ora, Apocalipse é um livro profético, ou seja, um livro de profecias que, segundo qualquer dicionário, significa: 
"Predição feita por um profeta."
E profeta significa:
"Indivíduo que prediz o futuro".

Há algum cabimento o fato de um profeta fazer profecias de coisas já ocorridas? O próprio apóstolo João, escritor do Apocalipse, diz o propósito do livro:
"...Mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer..." (Ap 1:1)
Logo, serão relatadas coisas que ainda irão acontecer e não fatos já ocorridos. Não há sentido em se profetizar o passado; neste caso, o termo mais adequado seria "relembrar" ou "rever" e não "profetizar".

Se essa peleja realmente aconteceu no princípio, por que absolutamente nada é relatado em Gêneses? Principalmente quando a serpente, Satanás, faz o homem transgredir no paraíso? Nenhum indício de peleja alguma, nada!


A peleja descrita acontecerá quando houver se cumprido a profecia sobre a Mulher e o Dragão (Ap 12:1-6). Em resumo, o que realmente acontecerá, segundo a bíblia é (nesta análise não houve qualquer preocupação em se discutir o significado da simbologia acerca da mulher, apenas relatar o fato):

"A mulher está grávida e aponto de lar a luz; porém, o dragão quer devorar o filho dela (que é Jesus). No entanto, ao nascer, o filho da mulher é arrebatado para o céu. Como o objetivo do dragão é matá-lo, ele sobe ao céu para tentar concretizar esse objetivo e lá, aí sim, ocorrerá essa peleja."
Tanto isso é verdade que, quando o dragão é expulso do céu ele volta para perseguir a mulher. Logo, para que haja tal peleja, é preciso que se concretize a profecia a respeito da mulher grávida, ou seja, é preciso que exista essa mulher grávida.

Segundo a teoria, a rebelião de Lúcifer aconteceu no céu ainda antes da Criação, ou seja, antes mesmo que Deus tivesse criado o homem, o mar, os animais, enfim, todas as coisas. Porém, indago, em tom de desafio, a todo e qualquer estudioso da Palavra de Deus, a me provar, biblicamente, a existência de qualquer forma de vida antes de Deus ter iniciado Sua obra de criação!


" No princípio, criou Deus os céus e a terra." 
( Gêneses 1:1 )
Este é o primeiro verso da Bíblia, este é o verso que atesta o princípio de todas as coisas, a criação dos céus e da terra e tudo o que neles há.

A verdade só existe quando se manifesta em sua total plenitude, ou seja, ou a verdade é 100% ou ela não é verdade. 99% de verdade torna-a uma mentira, uma falsa verdade. É exatamente essa falsa verdade, que eu prefiro chamar de mentira, que é pregada quando se induz as pessoas a acreditarem nesse tempo e espaço da suposta peleja entre Lúcifer e os habitantes do céu.
Há uma grande desarmonia com a Palavra de Deus ( Bíblia ), no que diz respeito ao tempo em que ocorreu esta peleja: Antes da Criação.

Ora, como é que um estratagema tão tolo se passa por Verdade durante tanto tempo? Como é que pôde, leitores em sã consciência, acontecer uma peleja no céu se os céus ainda nem tinham sido criados?!

Logo, acreditar que essa peleja representa a expulsão, no céu, de Satanás, quando este ainda era chamado de Lúcifer, e seus anjos, é acreditar numa suposta desarmonia (contradição) bíblica, na qual uma hora se afirma, em Gêneses, que Deus criou o universo e tudo o que nele há e outra hora se afirma, em Apocalipse, que já havia vida, tempo e espaço antes mesmo da criação dos céus e da terra. Acreditar nessa desarmonia é acreditar que a Bíblia não é a fonte da Verdade, é acreditar que ela não é fonte de inspiração divina.


Outra grande desarmonia encontrasse no aspecto do local ao qual ocorreu esta peleja: Iniciou-se no Céu e culminou com Lúcifer sendo lançado à Terra. Mais uma vez indago: Como Lúcifer conseguiu rebelar-se e iniciar uma peleja no céu, se ainda não havia céu? Como conseguiram expulsa-lo de um céu, que ainda não existia, e atira-lo a Terra, quando esta, também, ainda não havia sido criada? Estamos diante, talvez, da maior farsa da história, sob o aspecto religioso.

Finalmente, com base em que se pode afirmar que essa peleja aconteceu antes do princípio dos tempos? Qual ponte, em argumentos fundamentados, há entre esta peleja e Satanás ter sido um querubim de Deus? O único indício de quem era Satanás, no princípio dos tempos, é o de que ele era "A antiga serpente" (Ap 12:9) e não um querubim.

É incrível como toda essa estória, a respeito dessa peleja, pregada por aí, consiga passar-se por verdadeira sendo apoiada em estratagemas tão tolos, como o de se afirmar que é possível profetizar-se o passado e de que havia um universo paralelo antes da criação. Todo embasamento para ser justificado deve encontrar harmonia com os escritos bíblicos; se não for necessária essa harmonia, é melhor pararmos a discussão por aqui.


4.3  ISAÍAS, CAPÍTULO 14:12 AO 14
"Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitava as nações!
Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte;
Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo..."

Este trecho, verdadeiramente, não tem relação alguma com a possível origem de Satanás por dois motivos: Um de simples verificação e outro de profunda análise.

Fazendo uma simples verificação do contexto, observa-se que se trata de um trecho dirigido ao rei da Babilônia. Não precisa esforçar-se muito para chegar a essa conclusão, basta ler os versos 4 e 22 deste mesmo capítulo:
"...então proferirás este motejo contra o rei da Babilônia..." (Is 14:4)
"Levantar-me-ei contra eles, diz o SENHOR dos Exércitos; exterminarei de Babilônia o nome e os sobreviventes, os descendentes e a posteridade, diz o SENHOR." (Is 14:22)

Logo, com isso, percebe-se que o capítulo 14 de Isaías  do verso 1 ao 23, trata-se de uma profecia sobre a queda do maior reino da terra, na época: O reino da Babilônia.

Fazendo, por outro lado, uma análise profunda de todo o contexto histórico, análise essa discutida quando analisamos a história de Nabucodonosor, observamos o seguinte:

No verso 12, os adjetivos "estrela da manhã" ( em traduções antigas: Lúcifer. Eis aí o motivo de toda a confusão ) e "filho da alva" são direcionados ao rei Nabucodonosor, da mesma forma que Deus assim o fez quanto aos reis do Egito e de Tiro. Quando é dito: "Como caíste do céu (...) tu que debilitava as nações", há um reforço de que estas palavras são direcionadas a Nabucodonosor, pois, me diga leitor, qual foi o rei cuja grandeza e o poder chegavam até ao céu e o domínio até a extremidade da terra? Se você não lembra, retorne ao subtítulo 3.4 e descubra a resposta, mas já vou adiantando que não foi Satanás;

Os versos 13 e 14 tratam sobre a loucura de Nabucodonosor, por conta do grande crescimento de seu poder e, por causa de sua exaltação própria, pois ele tinha poder sobre a vida e a morte de qualquer indivíduo, como pode se verificar nas palavras do profeta Daniel:
"(...) Deus, o Altíssimo, deu a Nabucodonosor (...) o reino e grandeza, glória e majestade. Por causa da grandeza que lhe deu, povos, nações e homens de todas as línguas tremiam diante dele; matava a quem queria e a quem queria deixava com vida; a quem queria exaltava e a quem queria abatia. Quando, porém, o seu coração se elevou, e o seu espírito se tornou soberbo e arrogante, foi derribado do seu trono real, e passou dele a sua glória." (Dn5:18-20)

Faça agora, leitor, uma análise em todo o Antigo Testamento e você verá que, como foi dito anteriormente, não houve um rei não-judeu mais poderoso, e abençoado por Deus, que Nabucodonosor, e é por causa de sua traição contra Deus que a Babilônia é um dos povos mais citados e odiados em toda a Bíblia.

Portanto, o Lúcifer ao qual se refere à bíblia, em traduções mais antigas, nada mais é que o rei Nabucodonosor. Que Satanás possa ter exercido alguma influência sobre ele é uma hipótese até aceitável, mas chegar-se ao cúmulo de dizer que esta profecia de Isaías  sobre a queda da Babilônia, corresponde à expulsão de Satanás do paraíso é de uma malignidade sem tamanho, pois não há qualquer embasamento bíblico para justificá-la. Entretanto, há uma resposta de Jesus Cristo àqueles que estudam a Palavra, mas encobrem a verdade:
"Ai de vós, intérpretes da Lei! Porque tomaste a chave da ciência; contudo, vós mesmos não entrastes e impedistes os que estavam entrando." (Lc 11:52).


5  CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ora, se Satanás não foi Lúcifer: "O anjo de luz", "a estrela da manhã", "o filho da alva". Se toda essa estória não tem fundamento, qual seria, então, a verdadeira origem de Satanás? Quando isso aconteceu?

A verdade é que a bíblia não faz referência a tal assunto; a referência mais antiga sobre Satanás é a que diz ter sido ele a "antiga serpente do Éden" (Ap 20:2), e só! Nada sobre a sua origem.
Mas de uma coisa esteja certo, leitor, ele foi criado por Deus na mesma semana que o homem assim o foi, ou seja, a origem de Satanás é mais antiga que a do homem em, no máximo, 5 dias, pois Deus criou o universo, e tudo o que nele há, em 6 dias e no 7º dia descansou e nada fez. Portanto, toda a estória de que houve um "Universo de Deus" onde Satanás (Lúcifer) vivia em perfeita harmonia com Ele e etc., como é pregada por aí e é descrita em vários livros como, por exemplo, no livro intitulado "Patriarcas e Profetas", não passa de mais uma estória que saiu da mente fantasiosa de seu autor, uma vez que não há a mínima fundamentação bíblica que demonstre isso.

Todas as pessoas que acreditam nisso estão sendo, na verdade, incoerentes com a bíblia e com as próprias palavras de Jesus e do apóstolo João sobre quem realmente foi e é Satanás:
"(...) Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade..." (Jo 8:44 )
"(...) O Diabo vive pecando desde o princípio..." (1Jo 3:8 )
Logo, com base nos trechos acima, temos a certeza de que Satanás nunca foi bom, perfeito e amigo de Deus, como alguns dizem por aí.

Acredito que o motivo da disseminação de toda essa estória, de universo paralelo e anjo decaído, é o de mascarar a verdade de que o próprio Deus é o criador do Mal
As pessoas mentem ao tentar caracterizar Deus apenas como o criador do bem e que o mal jamais procedeu e jamais procederá Dele. Para tentar justificar isso criaram toda essa estória, afim de que a origem do mal fosse proveniente de Satanás, e não de Deus. Criando essa estória, afirmam: "De Deus procede o Bem. Quando Ele criou Lúcifer eis que este era bom e sábio. Portanto, coube a Lúcifer a origem do Mal, e não a Deus, pois o mal não procede de Deus..."

Com qual propósito criaram essa mentira? Na verdade, com essa estória tentam tirar um poder de Deus e dá-lo a Satanás. Assim sendo, Deus é o criador de tudo o que é Bom e Satanás o criador de tudo o que é Mau; logo, temos, na verdade, dois criadores e não apenas um. É nisso que você acredita, leitor?

Verdadeiramente, só existe um criador de TODAS as coisas e ele é Deus. Foi Ele quem criou o bem e foi Ele, também, quem criou o mal e as trevas. Deus criou Satanás do jeito que ele é e sempre foi, sem essa fantasia de anjo do bem.

Alguns devem estar pensando que eu estou louco ao afirmar que Deus é, também, o Pai criador do mal e das trevas. Entretanto, não pensem que sou tão inteligente assim, não me deem este crédito todo, pois ele não saiu de minha cabeça, mas da bíblia, a "inegável fonte da verdadeira verdade":

"Eu sou o SENHOR, e não há outro (...). Para que se saiba, até ao nascer do sol e até o poente, que além de mim não há outro; eu sou o SENHOR e não há outro. Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas." (Is 45:5-7) 

Acredito, entretanto, que a origem de Satanás tenha ocorrido no terceiro dia da criação, ou seja, no dia da criação da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, pois é neste momento que o mal é criado e, acredito também, seu maior representante, pois acho pouco provável ter havido o mal sem que houvesse Satanás, uma vez que ele é o mal propriamente dito. Ele é a criação e não o criador, ou seja, ele é o mal e não o criador do mal. 
O criador é único: Deus.


Fonte: http://iadrn.blogspot.com.br

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