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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

O que é o Batismo com o Espírito Santo no Novo Testamento?



O ASPECTO TEMPORÁRIO DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO
 Prof. Moisés C. Bezerril



Introdução

A questão de grande importância que se deve abordar quanto ao batismo com o Espírito Santo é a sua função na igreja cristã primitiva e o significado teológico da expressão batismo com Espírito Santo para a igreja moderna.

Normalmente as pessoas deixam de perceber que a expressão batismo com o Espírito Santo também aplica-se a dimensões e significados específicos para a era apostólica que não estão mais presentes hoje na igreja. Essa falta de conhecimento sobre o assunto tem feito surgir vários movimentos chamados pentecostais que reivindicam a mesma natureza apostólica do batismo com o Espírito Santo para hoje. Neste trabalho pretendo mostrar que o batismo com o Espírito Santo tem quatro significados teológicos, sendo três deles específicos para a era apostólica e um para os nossos dias. São eles os seguintes:

  1. incluir espiritualmente todos os crentes no corpo de cristo por meio da fé;
  2. capacitar os apóstolos, pelo poder do alto, com credenciais apostólicas;
  3. incluir visivelmente gentios no pacto abraâmico por meio de línguas e profecia;
  4. incluir samaritanos distintamente de todos os outros povos na aliança abraâmica.
Destes quatro significados básicos, o 2, 3 e 4 foram apenas para a era apostólica, não se aplicando mais aos dias de hoje, enquanto o significado 1 é o que a igreja vive hoje em dia. Assim, os significados 2, 3 e 4 correspondem ao aspecto temporário do batismo com o Espírito Santo.


Prolegómenos

O sentido mais amplo do batismo com o Espírito Santo no Novo Testamento é o de confirmar a entrada de estrangeiros como povo de Deus na aliança abraâmica. Como o batismo com o Espírito Santo tem função primária de introduzir espiritualmente indivíduos no corpo de Cristo, um grande problema estaria para acontecer quando judeus e gentios fossem contemplados dentro de uma mesma aliança. Desde os dias do Antigo Testamento, Deus já havia prometido fazer de Abraão uma bênção para “todas as nações” (Gn 12:3). Paulo afirma que essa promessa feita a Abraão, também chamada de bênção de Abraão, era o Espírito prometido. A história registrada em Atos é também a história dos gentios recebendo a bênção de Abraão, o Espírito Santo (Gl 3:14). Deus não permitiu os gentios receberem sozinhos o Espírito da aliança abraâmica porque assim surgiriam duas igrejas primitivas. Como só existe uma aliança feita com Abraão, na qual Deus promete dar do seu Espírito a todas as nações, todos os gentios eleitos teriam que entrar pela mesma porta: os apóstolos judeus. A aliança é judaica, feita com Israel desde muito tempo atrás. Deus não criou outra aliança com gentios, mas a mesma aliança abraâmica é, agora, estendida ao mundo pagão. Essa é a razão por que Felipe (At 8: 4-25), após evangelizar os samaritanos, mesmo constatando que eles já tinham fé em Cristo, ainda assim não pôde conferir-lhe o batismo com o Espírito Santo. Neste caso, a expressão batismo com Espírito Santo ou descida do Espírito Santo aqui nada tem a ver com fé.

Os discípulos convertidos pela pregação de Felipe eram crentes genuínos, pois foram batizados no nome de Jesus (Lucas usa a palavra “somente” porque era incomum o batismo em nome de Jesus desacompanhado do batismo com o Espírito Santo). O batismo com o Espírito Santo dos samaritanos significava simplesmente a confirmação visível da entrada dos samaritanos na aliança abraâmica. Isso eles tiveram que receber dos apóstolos, pois os samaritanos já se consideravam um outro povo pactual de Iavé. Como os apóstolos possuíam apostolicidade dada no momento em que foram batizados com o Espírito Santo, eles representavam a aliança abraâmica estendida aos gentios; mesmo que os samaritanos não fossem gentios, ainda assim eram considerados estrangeiros à promessa. A demora em receber o batismo não foi condicionada a nenhum requisito espiritual que faltava aos crentes samaritanos, mas ao cumprimento histórico do derramamento do Espírito para formar todos os povos (pagãos e judeus) em um único povo. Certamente se os samaritanos tivessem recebido “o batismo” do Espírito Santo sem os apóstolos, teriam se tornado mais uma igreja primitiva samaritana rival da igreja cristã apostólica.

A verdade sobre o batismo com o Espírito Santo requer ser compreendida em duas dimensões de significados: no sentido mais estrito, ele significa introduzir pecadores no corpo de Cristo e, consequentemente, na aliança da graça; no seu sentido mais amplo, tal batismo está relacionado com o credenciamento apostólico e com a sinalização histórica da entrada dos gentios e samaritanos no pacto da graça, outrora feito apenas com o povo de Israel. Assim, para uma melhor compreensão, o tema deve ser abordado em duas grandes seções:

O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO PARA DESCRENTES

A primeira promessa de João Batista do batismo com o Espírito Santo é feita para os filhos perdidos da casa de Israel, que mesmo sendo judeus haviam se desviado do verdadeiro evangelho, (Mt 3:7-12).

Essa promessa também é feita por Pedro aos descrentes em seu primeiro sermão evangelístico, logo após o evento de pentecostes, no qual ele convida os incrédulos judeus ao arrependimento para receberem “o dom” do Espírito Santo, interpretado pelo próprio Pedro como Batismo com o Espírito Santo,( At 11:15-18). Veja também a interpretação do apóstolo João sobre o Batismo com o Espírito Santo e sua relação com a fé (Jo 7:37-39). O batismo é entendido por todos estes escritores bíblicos como algo condicionado unicamente à fé, e nada mais.

Paulo também tem uma concepção de batismo com o Espírito Santo como uma necessidade essencial para os gentios incrédulos entrarem pela fé no corpo de Cristo. Em Atos 19:1-7, ao perguntar se os discípulos de Éfeso tinham recebido o Espírito Santo “quando creram”, o apóstolo entendia que a fé era o único elemento autenticador do Batismo com o Espírito Santo, bem como sua condição. A ausência do Espírito coincidia com a ausência de fé. Essa teologia é confirmada por Pedro em Atos 11:17, pela expressão quando cremos no senhor, quando trata da conversão de um gentio.

Em que sentido, pois, os não crentes são batizados com o Espírito Santo? A resposta a essa pergunta é: em seu sentido ordinário e permanente.

Esse sentido de confirmar a entrada de pecadores na aliança feita com judeus ainda é válido nos nossos dias. Quando uma pessoa ouve o evangelho e se arrepende em fé, ela é introduzida no corpo de Cristo, (1 Co 12:13); recebe o Espírito prometido a Abraão ou batismo com o Espírito Santo (Gl 3:14), tornando-se participante da mesma aliança feita com judeus (At 11:18). Assim, o zambujeiro é enxertado na oliveira boa. Receber o Espírito hoje é confirmado pelos frutos de arrependimento e fé. O batismo com o Espírito Santo é o meio que Deus determinou introduzir os filhos da promessa no pacto da graça (1 Co 12:13). Portanto, quando usamos a expressão batismo com o Espírito Santo estamos falando da nossa regeneração e conversão a Cristo.

Entende-se por esses registros bíblicos que o batismo com o Espírito Santo era a necessidade vital para judeus e gentios incrédulos entrarem no corpo de Cristo por meio da fé. Isso significa que fé e batismo com Espírito Santo coincidem e se confirmam mutuamente. Neste primeiro momento, a função do batismo com o Espírito Santo é introduzir espiritualmente pela fé pecadores no corpo de Cristo (1 Co 12:13) da mesma forma como o batismo com água introduz visivelmente incrédulos na igreja visível.
O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO PARA CRENTES

O batismo com o Espírito Santo não foi uma realidade prometida somente para os incrédulos. Jesus prometeu o batismo com o Espírito Santo aos seus apóstolos, os quais já eram crentes, (cf. Lc 24:49; At 1:2-5). O batismo com Espírito Santo prometido foi experimentado pelos samaritanos que também já eram crentes (At 8:12-13). É claro que a função do batismo com o Espírito Santo para os crentes não era a de introduzi-los no corpo de Cristo pela fé, pois isso já tinha acontecido quando creram. Em que sentido, pois, os apóstolos e os discípulos crentes foram batizados com o Espírito Santo? A essa pergunta podemos responder: em seu sentido extraordinário e temporal, que são:

1) O sentido de conferir apostolicidade aos apóstolos

Neste sentido, Cristo prometeu “poder do alto” aos apóstolos, e não conversão, pois eles já eram crentes. Essa ideia é registrada por Lucas (Lc 24:49) e confirmada por ele como Batismo com o Espírito Santo (At 1:2-5). No desenrolar da história da igreja em Atos, podemos perceber que os apóstolos e os evangelistas que estavam com eles detinham “poder” para realizar prodígios (At 8:4-8), mas somente os apóstolos detinham apostolicidade para “dar o Espírito Santo” tanto a judeus quanto gentios, quer fossem crentes ou incrédulos, (At 8:14-18). É notável que, depois do evento de pentecostes, não existe nenhum episódio de recepção do batismo com o Espírito Santo sem que seja por intermédio dos apóstolos. Os apóstolos eram o canal inicial pelo qual o Espírito tinha que fluir para judeus e gentios. Como fundamento da igreja e depositários da fé da nova aliança, os apóstolos eram o recipiente do batismo com o Espírito Santo que deveriam fundar a igreja de Cristo. Essa apostolicidade pode ser percebida nas credenciais que Paulo reclama para si por meio de sinais, prodígios e poderes (o que faz lembrar as palavras de Jesus “poder do alto”) (2 Co 12:12).

O sentido de apostolicidade não é mais contemplado hoje em dia pela igreja de Cristo. Constitui, pois, um massivo erro o tentar considerar o batismo com o Espírito Santo hoje como “um enchimento de poder”, credencial apostólica prometida somente aos apóstolos (At 1:2-4).
O sentido de validação do chamado histórico dos gentios à aliança abraâmica por meios visíveis das línguas e profecia

É bem verdade que, para que haja inauguração de aliança, é necessário que ela seja confirmada. Quando Deus inaugurou a nova aliança entre os homens, ele começou com os judeus, antigo povo da aliança abraâmica. Dentro dos planos divinos, aprouve a Deus iniciar a nova aliança com judeus e depois estendê-la aos gentios. Se Deus tivesse simplesmente pulado da antiga aliança com os judeus para uma nova aliança com os gentios, os judeus jamais reconheceriam a aliança gentílica como válida. Era necessário, pois, que as cláusulas confirmadoras da aliança judaica fossem as mesmas da aliança gentílica; do contrário, não haveria provas de que a aliança com Abraão era a mesma oferecida ao gentios. Para isso, Deus programou um plano cronológico de pregação do evangelho para validar a nova aliança no meio de dois povos diferentes.

Primeiro, enviou João Batista e Jesus para inaugurar a nova aliança somente com a casa de Israel. Certamente os judeus deveriam experimentar a mesma realidade da nova aliança que os gentios experimentariam mais tarde, com os apóstolos. O fruto do trabalho de Jesus foram apenas doze apóstolos e poucos discípulos. Jesus diz aos apóstolos que o Espírito Santo continuaria a mesma obra que Jesus havia começado, e que não faria nada diferente do que já estava posto por ele (Jo 16:13-15). Os apóstolos apenas dariam continuidade à obra que Jesus começou (pregação do reino) no poder do Espírito Santo. É por essa razão que Deus deu o dom da apostolicidade: eles foram os únicos escolhidos para fundar a igreja de Cristo a partir de dois povos. Mas como provar para judeus e gentios que a aliança feita com gentios era a mesma dos judeus? Como provar para judeus e gentios que o Espírito prometido a Abraão era o mesmo que estava sendo dado a ambos os povos? A reposta a essas perguntas é: por meio de línguas e profecia.

O batismo com o Espírito Santo e línguas

A esta altura, já entendemos que a expressão batismo com Espírito Santo coincide com fé. Onde há fé há o Espírito. Entendemos também que o batismo com Espírito Santo tem mais de uma função na história do cristianismo apostólico. É possível afirmar com dados bíblicos, por enquanto, que todos os que são batizados com o Espírito Santo necessariamente têm fé, mas, ao mesmo tempo, os que têm fé não possuem os mesmos carismas operados pelo batismo com o Espírito Santo, tendo em vista que Deus opera funções múltiplas ao dar o seu Espírito aos crentes. Vejamos a relação das línguas com o Batismo com o Espírito Santo.

Existem apenas três episódios de línguas relacionados com o Batismo com o Espírito Santo. É incorreto considerar as línguas como evidência de tal batismo, tendo em vista que os samaritanos não falaram em línguas (os samaritanos não são gentios, adotavam o Velho Testamento como Escrituras deles). Nesse caso, se as línguas fossem evidência do Espírito prometido a Abraão, os samaritanos continuariam sendo rechaçados pelos judeus, pois não possuíam a evidência do acolhimento no pacto abraãmico. Paulo não ensina em lugar nenhum que línguas são a evidência do batismo, e considera que nem todos possuiriam as línguas (1 Co 12:29-31).

Outra peculiaridade das línguas em Atos é que elas só ocorrem na presença de gentios e judeus. Isso se dá pelo fato das línguas corresponderem a um sinal de inclusão dos gentios na aliança abraâmica. Durante três mil e oitocentos anos, o evangelho só era conhecido na língua de Israel. Por todo este tempo, Deus não houvera se revelado em nenhuma outra língua no mundo. Esse era o sinal de que a aliança abraâmica, por enquanto, só contemplava judeus (Rm 9:1-5). O evangelho só veio a ser universalizado a partir de pentecostes, quando idiomas gentílicos (dialekto) foram contemplados com a palavra inspirada (profecia) que, até então, o Espírito de Deus só dava à aliança feita com Israel. Com a universalização do evangelho, todas as cláusulas da antiga aliança deveriam ser entregues nas línguas dos gentios, como o Espírito fazia no Antigo Testamento (“assim diz o Senhor”). Essa mesma fórmula é encontrada no dia de Pentecostes, quando Lucas escreve “passaram a falar noutras línguas conforme o Espírito lhes concedia que falassem”. Os gentios agora tinham os oráculos de Deus em suas próprias línguas. Israel tinha perdido o monopólio da revelação. Deus agora se revela aos gentios em suas línguas.

Quando o batismo com o Espírito Santo ocorre acompanhado de línguas no Novo Testamento, representa duas verdades novas para os dias na nova aliança: primeiro, é que pelo batismo, os gentios estão entrando na aliança abraâmica; segundo, é que as línguas confirmam que a revelação agora é compartilhada com outras nações – o evangelho não pertence mais a Israel. Deus está tão interessado em outros povos que o Espírito dá a revelação em outras línguas. Essa é a razão porque em um livro tão vasto de história da igreja as línguas acontecem tão pouco. O propósito das línguas, então, era apenas o de confirmar visivelmente a entrada dos gentios na nova aliança. Quando os judeus vissem gentios em variedade de línguas falando “as grandezas de Deus”, que outrora só pertenciam a Israel, logo ficariam convencidos de que “também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para a vida” (At 11:18). Essa confirmação por meio de línguas não era apenas para judeus; todos os gentios deveriam descansar na evidência das línguas que Deus não tem mais uma única nação contemplada como seu povo. As línguas confirmam que o batismo com o Espírito Santo é a entrada de todas as nações no pacto da Graça. As línguas constituem, assim, um sinal de bênção para os gentios, mas ao mesmo tempo um sinal de maldição para Israel, pois esse antigo povo do pacto perdeu o direito de povo exclusivo da aliança.

Uma peculiaridade que ainda devemos levantar sobre as línguas é que sendo o seu nome “variedade de línguas” (1Co 12:10), no livro de Atos não há interpretação das mesmas, enquanto que na igreja de Corinto era proibido o uso de línguas sem interpretação, (1 Co 14:28). A pergunta que normalmente é feita é, por que em Atos as línguas funcionam sem interpretação, e em Corinto tem que haver intérprete? A resposta é que fora da igreja as línguas constituem um divisor de águas. No dia de Pentecostes, as línguas não foram entendidas por todos; alguns acharam que os discípulos estavam bêbados, ou seja, não entendiam as línguas faladas por eles. Quando as línguas não são entendidas é porque tais pessoas estão sendo preteridas (rejeitadas) pela graça. Jesus deixou muito claro que o fato das pessoas não entender suas parábolas era porque “… a estes não é dado conhecer os mistérios do reino” (Mt 13:11). Essa é a natureza primária do dom de línguas: sinal para os incrédulos (1 Co 14:22). Paulo refere-se ao cativeiro dos judeus incrédulos no Antigo Testamento, que foram arrastados à prisão por um povo de “língua estranha”, e usa esse exemplo histórico como princípio para falar da natureza das línguas não interpretadas. Isso significa que o uso de línguas sem interpretação é o mesmo que maldição para os que ouvem, pois ouvir sem entender é ser rejeitado pela graça. Como a igreja é a reunião dos escolhidos, seria uma contradição o uso de um dom que sinalizava a condenação da própria igreja. Línguas como sinal de maldição para incrédulos não deveria ser usado na igreja, a não ser que fossem interpretadas e transformadas em ensino, profecia, revelação ou conhecimento (1 Co 14;6).

O Batismo com o Espírito Santo e profecia

A profecia só é encontrada explicitamente relacionada ao batismo com o Espírito Santo em Atos 19:1-5. Podemos deduzir léxicamente que em Atos 2:4, a ideia de profecia também está presente na expressão “conforme o Espírito concedia que falassem”. Este último verbo – “falar” – é a tradução da palavra grega “falar inspirado”, o que indubitavelmente corresponderia à profecia; o que os discípulos falaram em outras línguas era exatamente aquilo que o Espírito falava. Somente em Atos 10:46 não há nenhuma indicação clara de profecia acompanhando o batismo com o Espírito Santo; encontramos apenas a vaga expressão de que eles engrandeciam a Deus. Mas, à luz dos outros textos citados, e levando-se em conta que Cornélio era gentio, podemos supor que ali também aconteceu um fenômeno profético. Por que então o batismo com o Espírito Santo era acompanhado de profecia? A resposta para essa pergunta tem a ver também com a resposta dada às línguas: a profecia era elemento de confirmação de que a aliança inaugurada entre os gentios tinha o mesmo valor da antiga aliança abraâmica inaugurada com judeus.

O apóstolo Paulo reconhece que a revelação da glória, das alianças, da legislação, do culto e das promessas, só foi dada a Israel; nenhum povo além de Israel recebeu qualquer luz da revelação divina informada dentro de um pacto. Incrivelmente o contrário estava acontecendo em Pentecostes: uma aliança é inaugurada com povos que não eram povo de Deus. Como seria possível provar para judeus e gentios que aquela aliança era genuína como foi com os filhos de Abraão no Antigo Testamento? Tal aliança só seria levada em conta se os apóstolos, judeus e gentios, pudessem ver Deus se revelando aos gentios por meio da profecia, pois profecia era o canal de comunicação das cláusulas de todas as alianças que Deus já fez com o homem. É exatamente isso que aconteceu com Pedro, o apóstolo que tinha dúvida da validade da aliança com os gentios. Pedro tinha dificuldade em acreditar que Deus tinha chamado gentios à aliança abraâmica. Somente depois de constatar que Cornélio (gentio) participou do mesmo fenômeno profético de Pentecoste, foi que ele afirmou: “… quem era eu para que pudesse resistir a Deus” (At 11;15-18). Portanto, para um judeu, o falar profeticamente constitui elemento pactual conhecido apenas de Israel. Se a nova aliança feita com gentios contém os mesmos elementos pactuais que antes foram dados apenas a Israel, isso é sinal de que Deus ampliou, de fato, sua graça. Ninguém pode negar. Essa é a razão pela qual na inauguração da nova aliança a profecia foi dada em línguas gentílicas (At 2) e os gentios profetizaram (At 10 e 19). A prova incontestável para o mundo inteiro de que Deus expandiu sua graça de Israel para todas as nações é que os gentios experimentaram daquilo que era privilégio apenas da nação judaica. As línguas e a profecia estão registradas acompanhando o batismo com o Espírito Santo para provar que a entrada para o céu não pertence mais a um povinho do oriente médio, e sim que a graça de Deus agora é sem fronteira.

3) O SENTIDO DE INTRODUZIR OS SAMARITANOS NA ALIANÇA ABRAÂMICA

De todas as ocorrências do Batismo com o Espírito Santo, o caso dos samaritanos é a mais distinta. O primeiro problema com os samaritanos é que o Batismo com o Espírito Santo em Samaria não significou credenciamento apostólico, nem confirmação de inclusão gentílica no pacto abraâmico, nem mesmo conversão. Os samaritanos creram no evangelho, receberam o Espírito regenerador, mas tiveram que esperar pelos apóstolos para serem batizados com o Espírito Santo no sentido de serem introduzidos historicamente no pacto abraâmico. Curiosamente, os samaritanos não falaram línguas e nem profetizaram porque eles não eram gentios, apenas estrangeiros. Como vimos anteriormente, línguas e profecia acompanham historicamente o batismo com o Espírito Santo apenas dos gentios nos únicos casos de Atos 2, 10 e 19.

Alguns sugerem que o sinal visível do batismo com o Espírito Santo entre os samaritanos (Atos 8) teria sido o fenômeno das línguas ou profecia. Essa ideia deve ser rejeitada por dois motivos: quanto às línguas, não pode ser porque os samaritanos não são gentios, mas judeus mistos (2 Rs 17:24-41), que continuaram com práticas judaicas misturadas a crendices pagãs. Durante toda a história eles aparecem reivindicando sangue judeu e a aliança abraâmica ainda foi lembrada por Deus em favor deles. Já no Novo Testamento eles receberam de Jesus a mesma atenção e tratamento dado aos judeus, inclusive estendendo seu ministério entre os samaritanos (Lc 10:29-37; 17:16-18; Jô 4:1-42); o mesmo não aconteceu aos gentios, (Mt 15:21-28), pois esses só tiveram contato com o evangelho depois da confirmação da aliança abraâmica no dia de Pentecostes. Jesus não considerou os samaritanos como gentios, pois os usou como exemplo para os judeus (Lc 10:29-37) e os chamou de “estrangeiros” (Lc 17:18), e não de cachorrinhos. Quanto à profecia, é impossível porque os samaritanos dos tempos de Jesus não diferiam dos judeus quanto aos grandes temas teológicos dos israelitas, identificando-se especialmente com os saduceus. Eles esperavam o Messias (Jo 4:25) e possuíam o Pentateuco Samaritano; a única diferença era que eles não partilhavam dos escritos proféticos. Sendo assim, o batismo com o Espírito Santo não precisaria confirmar que Deus estava dando aos samaritanos suas verdades reveladas que dera aos judeus, pois eles já possuíam desde há muito tempo.

Como, pois, confirmar a entrada de um povo que não é gentio na aliança abraâmica? A resposta é que ninguém sabe qual foi o elemento visível comprobatório de que eles foram batizados com o Espírito Santo a ponto de ser notado por todos os que estavam ali naquele dia. A verdade é que Deus usou um outro sinal visível que sinalizou para judeus e samaritanos que o pacto abraâmico foi estendido a eles também. Isso torna a entrada dos samaritanos no pacto distintamente dos gentios.

Conclusão

O batismo com o Espírito Santo para crentes não existe mais. A função do batismo com o Espírito Santo que vai além de introduzir incrédulos pela fé no pacto da graça não cabe no cenário eclesiástico moderno. O batismo com o Espírito Santo de pessoas crentes foi um marco na história da redenção e do cristianismo apostólico, que tinha em vista registrar na Palavra de Deus a verdade de que a promessa abraâmica foi cumprida, e que hoje todos os povos são bem vindos à graça de Deus.


por Moisés Bezerril
Fonte: BÍBLIA, LÍNGUA E LITERATURA

sexta-feira, 4 de março de 2016

Dispostos ou Destinados?

O caso de Atos 13:48

"Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna."

O versículo acima representa uma dificuldade para os que negam a predestinação para a vida eterna. Pois a leitura simples do texto dá a entender que alguns creram e o fizeram porque anteriormente haviam sido destinados para a vida eterna. Diante dessa dificuldade, alguns dizem que "haviam sido destinados" é uma tradução ruim, e que o texto é melhor traduzido "estavam dispostos". Ou seja, ao invés de crerem por terem sido destinados para a vida eterna, eles creram porque estavam mental ou emocionalmente dispostos a isso. Analisaremos a seguir se esta interpretação se sustenta à luz dos seguintes argumentos: 

1. A expressão nas principais traduções e versões

As principais traduções e versões em português trazem "creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna", caso da Revista e Atualizada e da Tradução Brasileira. As Revista e Corrigida, Edição Contemporânea e Almeida Corrigida Fiel traduzem "creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna". A Nova Versão Internacional apresenta "creram todos os que haviam sido designados para a vida eterna" e a Nova Tradução na Linguagem de Hoje "creram todos os que tinham sido escolhidos para ter a vida eterna". A tradução em português "O Livro", da International Biblical Society diz que "creram todos os que Deus destinou para a vida eterna". A Edição Pastoral, da Paulus, traz "todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé". Outra tradução católica, publicada pela Editora Vozes, traz "aceitando a fé todos que estavam destinados à vida eterna". Ainda outra Bíblia católica apresenta "creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna".

De igual modo, as principais traduções em inglês usam palavras como "ordained", "appointed" , "destined" e "pre-destined". Nas Bíblias em espanhol o versículo é traduzido utilizando expressões cognatas às do português, como "ordenados" e "designados". As versões em italiano traduzem "ordinati" e "preordinati", sendo este último termo também utilizado na Nova Vulgata, a Bíblia oficial do Vaticano.
 

Se a absoluta maioria das traduções e versões bíblicas trazem palavras e expressões que indicam uma ação soberana de Deus na eternidade e sequer sugere que o versículo possa significar uma disposição prévia das pessoas em crer, por que fazer violência ao sentido natural do texto para adequá-lo a um sistema teológico ou modo de pensar? Será que os diversos tradutores da Bíblia para diversas línguas e as diversas comissões revisoras foram unânimes em errar usando uma palavra incorreta na passagem em questão? Acho essa hipótese muito pouco crível.


2. A palavra no original 

O termo traduzido "ordenados" ou "destinados" é tetagmenoi, derivado de tasso. O Léxico de Strong define tasso como "colocar em ordem""situar""apontar""designar". O termo ocorre em oito lugares no Novo Testamento e é traduzido como "designar" (Mt 28:16 RA), "sujeitar" (Lc 7:8 RA), "resolver" (At 15:2 RA), "ordenar" (At 22:10 RA), "marcar" (At 28:23 RA), "instituir" (Rm 13:1) e"dedicar" (1Co 16:15). Nada que se aproxime de "dispor-se a".
 

F. F. Bruce, no Novo Comentário da Bíblia, informa que o termo pode ter o sentido de "inscritos" e"arrolados", indicando para confrontação Ap 13:8 e 17:8. Os judeus usam a expressão "ordenados para a vida eterna" e "inscritos para a vida eterna" apenas como significando "predestinação ou eleição para a vida eterna" como um ato de Deus realizado na eternidade. O Jamieson, Fausset and Brown Commentary diz que sem fazer violência a ele, o texto não pode ser interpretado diferentemente de que "a divina ordenação para a vida eterna é a causa e não o efeito da fé dos homens".


3. O modo verbal 

Vamos analisar a voz e o modo verbal das palavras crer e destinar. Crer está na voz ativa e no modo indicativo. A voz ativa representa o sujeito como o agente ou executor da ação e o modo indicativo é simples declaração de um fato, ou seja, indica que algo ocorre, ocorreu ou ocorrerá. Disso se conclui que as pessoas de fato creram naquele momento.
 Destinados está no tempo perfeito, o que significa uma ação que é vista como tendo sido completada no passado, uma vez por todas, não necessitando ser repetida. A voz é passiva, ou seja, o sujeito da oração, recebe a ação ao invés de executá-la. Quer dizer, os que creram naquela ocasião haviam sido destinados para a vida eterna numa ocasião anterior .

Mesmo que se admita aqui que "destinados" pode ser traduzido como dispostos, ou seja, que as pessoas creram porque estavam dispostas a crer, não se resolve o problema dos arminianos, pois a voz passiva indica que, se fosse o caso, elas não estariam dispostas por si mesmas, mas foram feitas dispostas por outro sujeito.


4. O contexto 

A declaração de Lucas faz parte de seu relato do acontecido em Antioquia da Pisídia. Paulo fala na sinagoga a judeus e prosélitos, discorrendo a história sagrada até chegar na remissão dos pecados e na justificação pela fé. Alguns deles creram e Paulo os exortou à perseverança na graça. No sábado seguinte, convidado que fora, Paulo novamente expõe a doutrina de Cristo, assistido agora, além dos judeus e prosélitos, por "quase toda a cidade" (At 13:44), o que causou inveja nos judeus. Então, Paulo se volta dos judeus aos gentios, que se alegram com isso. Dentre esses, muitos creram, a Lucas diz que foram "todos os que haviam sido destinados para a vida eterna" (At 13:48). Quem seriam esses "todos"? Creio que se refira àqueles dentre os "judeus e prosélitos" (At 13:43) e"gentios" (At 13:48) que creram, nos dois sábados.


É interessante notar que Lucas menciona casualmente a predestinação para a vida, no contexto do resumo da pregação de Paulo e do relato das conversões. Se por um lado não se possa dizer que Lucas pretendia ensinar predestinação aqui, por outro fica claro que a doutrina da eleição precedente à fé era algo comum aos crentes naqueles dias. Aquilo que hoje causa mal estar, era algo tido como normal para os crentes da igreja primitiva: Deus predetermina. A respeito da morte de Jesus, é dito que Ele foi "entregue pelo determinado designio e presciência de Deus" (At 2:23) e em oração reconheciam que aquilo que os homens ímpios fizeram a Jesus foi "o que a tua mão e o teu propósito determinaram" (At 4:28). Somente depois de "cumprirem tudo o que a respeito dEle estava escrito" (At 13:29) o tiraram da cruz. Ou seja, é com naturalidade que Lucas fala de ordenação para a vida eterna, visto que para ele Deus é "o Senhor, que faz conhecida essas coisas desde séculos" (At 15:8).

5. O testemunho geral das Escrituras

As Escrituras dão testemunho de uma escolha feita por Deus na eternidade e de uma chamada realizada na história. Por exemplo, Paulo diz aos tessalonicenses que "Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação" e que "também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo" (1Ts 2:13-14). Consoante modo, escreve aos Romanos "Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou... E aos que predestinou, a esses também chamou" (Rm 8:29-30). Aos efésios ele disse que Deus "nos escolheu nele antes da fundação do mundo... em amor nos predestinou para ele" e completa que "depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa". (Ef 1:4-5, 9).

O reconhecimento da eleição se dá pelo atendimento convicto à chamada do evangelho (1Ts 1:4-5), pois o Deus "que nos salvou e nos chamou com santa vocação" o fez "conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos" (2Tm 1:9). Por crer que os que alcançam a salvação são os que antes foram eleitos e destinados à vida eterna é que o apóstolo dizia "tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória" (2Tm 2:10).
 Pedro se dirige aos "eleitos segundo a presciência de Deus", a quem Deus "regenerou para uma viva esperança" (1Pe 1:2-3).

Eleição e chamada estão juntas também na segunda carta, onde ele recomenda "procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum" (2Pe 1:10).
 Jesus falou a respeito da razão porque uns crêem e outros não crêem dizendo uns são "minhas ovelhas" e outros "não sois das minhas ovelhas", respectivamente. (Jo 10:26-27). 

Conclusão
 

Creio que ficou demonstrado a fragilidade da afirmação de que o relato de Atos 13:48 fala de pessoas dispostas a crer. As principais traduções bíblicas, evangélicas e católicas, trazem destinados, apontados, ordenados à vida eterna, e não dispostos no sentido de inclinados a crer. O mesmo ocorre com as principais versões em línguas estrangeiras. O estudo do termo original, com auxílio de léxicos e verificação de outras ocorrências do termo no Novo Testamento também aponta para um ato de Deus e não uma atitude mental humana.

E mesmo que se admitisse, por um instante, que dispostos é uma tradução possível, o modo, a voz e o tempo verbal indicam que esse tornar disposto não é um ato da própria pessoa que creu. Se foram dispostas a crer, o foram por Deus e não de si mesmos. Além disso, a analogia da fé não deixa dúvidas que existe uma relação de causalidade entre ser eleito e crer, ou seja, crêem na história os que foram eleitos na eternidade.


Em vista do que foi exposto, as tentativas de amenizar a verdade expressa pela declaração lucana devem ser rejeitadas como mais um caso de eisegese, ou seja, fazer com que o texto signifique o que queremos que signifique, ao invés de aceitar o sentido natural do mesmo, claramente expresso, de que pessoas anteriormente destinadas à vida eterna, vieram a crer em momento oportuno.



por Clóvis Gonçalves
Fonte: CincoSolas

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Ressurreição ou vida imediatamente após a morte?


Assim como nos demais artigos, neste também abordaremos um tópico muito sério e que tem sido fonte de longas discussões e muitas questões. Este assunto se refere ao que acontece após a morte e será abordada a partir da visão Bíblica, na qual nós sinceramente acreditamos que, conforme Deus disse, é a única fonte que pode dar-nos informações confiáveis.

1. Morte: Deus não nos quer ignorantes

Começando a pesquisa do nosso assunto, iremos a 1 Tessalonicenses 4:13 onde lemos:

1 Tessalonicenses 4:13
"Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança... "

Esta passagem é clara, Deus não nos quer ignorantes a respeito “daqueles que adormeceram”, isto é, os mortos. Ao contrário, Ele quer que sejamos informados, que em outras palavras significa que Ele mesmo providenciou todas as informações necessárias para tirarmos toda a ignorância ou falta de compreensão. De nossa parte a única coisa que precisamos é seguir lendo esta passagem. De fato, nos versículos 13-18 do mesmo capítulo nos diz:

1 Tessalonicenses 4:13-18
"Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele. Dizemos-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras."

Como se pode ver, esta passagem se refere aos “mortos em Cristo” ou aqueles que “adormeceram em Jesus, isto é, àqueles que morreram crendo no Senhor Jesus Cristo”. Embora esses sejam apenas uma categoria do total de mortos, a conclusão tirada da passagem acima em relação ao estado de mortos tem aplicação geral [1].

Voltando agora para o que o texto nos diz, isto é, à informação que Deus nos deu, para eliminar nossa ignorância e incompreensão sobre os mortos, nós podemos ver que nenhuma referência é feita sobre uma suposta vida imediatamente após a morte. Ao contrário, o que a passagem claramente mostra é a ressurreição como a ÚNICA saída para o estado de morte e o único caminho para voltar novamente à vida. De fato, de acordo com a passagem bíblica acima, os mortos em Cristo serão ressuscitados no dia da vinda do Senhor, enquanto que os Cristãos vivos serão arrebatados naquele dia com eles ao céu para encontrarem com o Senhor nos ares. “E assim nós (todos Cristãos, mortos e vivos) ESTAREMOS para sempre com o Senhor”, que em outras palavras significam que uma vez que ESTAREMOS (tempo futuro) com o Senhor, não há mais morte agora, nem tampouco se nós morrermos, seremos imediatamente levados para o Senhor. Em vez disso, nós ESTAREMOS com Ele em sua vinda.

Além dessa passagem acima de 1 Tessalonicenses 4:13-18 que nos foi dada para que tenhamos plena consciência sobre os mortos em Cristo, a Palavra de Deus contém mais textos que corroboram com o que 1 Tessalonicenses 4:13-18 nos disse. Tal texto é 1 Coríntios 15:20-24, onde lemos, iniciamos dos versículos 20-22:

1 Coríntios 15:20-22
"Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem. Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também TODOS SERÃO VIVIFICADOS em Cristo."

Neste trecho duas coisas estão claras. A primeira é que TODOS voltarão à vida, embora, no versículo 23 que segue nos diz, “cada homem por sua ordem”, isto é, não serão todos simultaneamente. Além disso, algo mais que o versículo acima nos esclarece é que VIVERÃO novamente, ou seja, dizer que eles estão vivos agora não pode estar correto. Agora, quando os mortos voltarão à vida é algo que está respondido nos versículos 23-24 do mesmo capítulo, onde lemos:

1 Coríntios 15:23-24
"Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que säo de Cristo, na sua vinda. Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força."

O primeiro – e único até agora – que ressuscitou dos mortos é Cristo. Contudo, sua ressurreição não será única para sempre, pois no futuro outros o seguirão: em primeiro lugar pela ressurreição daqueles que são de Cristo, isto é, aqueles que morreram crendo no Senhor Jesus Cristo e então, pela ressurreição dos remanescentes. O tempo que é destes primeiros ressurgidos, isto é, a ressurreição daqueles são de Cristo, está definido como o tempo da vinda de Cristo, do qual 1 Tessalonicenses 4 nos fala . A partir daí podemos concluir então, de acordo com “quadro cronológico” da passagem acima, os mortos em Cristo serão os primeiros a viverem e que o dia que isto acontecerá, será na vinda do Senhor, que ainda virá. NÃO existe nenhum morto que esteja vivo agora, exceto o Senhor Jesus. Ao contrário, todos VIVERÃO no futuro, e cada um à sua ordem.

2. "Com qual corpo o morto voltará"?


A Bíblia não somente nos diz que aqueles que morreram em Cristo serão ressuscitados no dia da sua vinda, mas também nos afirma com qual corpo eles virão. Assim, começando em 1 Coríntios 15:35-41, lemos:

1 Coríntios 15:35-41
"Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão? Insensato! o que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer. E, quando semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas o simples grão, como de trigo, ou de outra qualquer semente. Mas Deus dá-lhe o corpo como quer, e a cada semente o seu próprio corpo. Nem toda a carne é uma mesma carne, mas uma é a carne dos homens, e outra a carne dos animais, e outra a dos peixes e outra a das aves. E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres. Uma é a glória do sol, e outra a glória da lua, e outra a glória das estrelas; porque uma estrela difere em glória de outra estrela."

O motivo pelo qual Paulo coloca essa comparação da semente que cresce com algo diferente, da planta e os diferentes tipos de corpos e “carnes” etc. é mostrado no início desta passagem onde nos fala explicitamente que estes corpos se referem ao “modo como os mortos ressuscitarão e com qual corpo eles virão”, assim como lemos no versículo 42:

1 Coríntios 15:42
"Assim também a ressurreição dentre os mortos..."

A frase “assim também” faz a conexão dos versículos anteriores (versículos 35-41) com o seguinte (“a ressurreição dos mortos”). Em outras palavras, assim como a semente “morre” para gerar uma planta, assim também este corpo terreno morrerá e outro corpo o sucederá na ressurreição. E como os corpos não são todos iguais, assim também o corpo ressuscitado não será o mesmo corpo terreno. Mais ainda, assim como os corpos celestiais e terrestres diferem em glória, do mesmo modo a ressurreição dos corpos diferirá do corpo terreno. Conforme versículos 42-45 nos diz:

1 Coríntios 15:42-45
“Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual. Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante.”

Nesta passagem, a frase “corpo natural” é a tradução do grego "σώμα ψυχικόν" (soma psuchikon), onde a palavra "psuchikon" é a forma adjetiva do substantivo “psuche” que significa “alma”. Então, "soma psuchikon" significa “corpo com alma”, isto é, um corpo cuja vida é baseada na alma [2]. Este é o corpo que temos agora, o corpo que é “semeado” (1 Coríntios 15:44). Contudo, este corpo é inapropriado para a vida eterna que Deus nos prometeu. Conforme nos diz 1 Coríntios 15:50:

1 Corinthians 15:50
"E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. "

Este corpo de carne e sangue, sendo corruptível, é incapaz de herdar incorrupção, por isso tem que ser transformado. Conforme versículos 53-55 dizem:

1 Coríntios 15:53-55
"Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória."

Somente quando o corpo mortal e corruptível que temos se revista de imortalidade e incorrupção, a morte será tragada na vitória. A razão é que o novo corpo – o corpo ressuscitado (1Coríntios 15:44) – que tomará o lugar do atual corpo com alma – o corpo que é semeado (1Coríntios 15:44) – será incorruptível, a morte não terá poder sobre ele. Não será mais um corpo com alma, isto é, um corpo cuja vida é baseada na alma, mas um corpo espiritual, ou seja, corpo com as mesmas propriedades e habilidades do corpo do Senhor Jesus Cristo, o único que até agora tem um corpo como este. Conforme versículos 44-49 da 1 Coríntios 15 nos diz:

1 Coríntios 15:44-49
"Semeia-se corpo natural (soma psuchikon), ressuscitará corpo espiritual (soma pneumatikon). Se há corpo natural, há também corpo espiritual. Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.”

Qualquer homem que tenha passado por este mundo, incluindo Adão e Cristo, teve um corpo com alma. Contudo, Jesus é o único que foi mais além, porque apesar de ter morrido, não permaneceu entre os mortos, mas ressuscitou, após três dias e três noites, com um corpo incorruptível e espiritual. Assim, o corpo espiritual não é um conceito teórico, mas uma realidade uma vez que é este o corpo que Jesus tem agora [3]. E como nós nos vestimos o “uniforme” de Adão, o corpo com alma – “a imagem do terreno” – assim um dia, no dia da vinda do Cristo, nós também vestiremos seu “uniforme”, o corpo espiritual, - “a imagem do celestial”. Quando isto acontecerá, teremos a resposta nos versículos 51-52 do mesmo capítulo de 1 Coríntios, onde lemos:

1 Coríntios 15:51-52
"Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados."

E conforme 1 Tessalonicenses 4:15-18 também nos diz:

1 Tessalonicenses 4:15-18
"Dizemos-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras."

Concluindo assim, o que temos visto até agora:

Deus não nos quer ignorantes a respeito daqueles que morreram e por esta razão, Ele forneceu em Sua palavra todas as informações relevantes para nosso benefício. Assim, de acordo com esta informação, Cristo é o primeiro e o único que embora tenha morrido está vivo AGORA, já que Deus o ressuscitou dos mortos. Conforme 1 Coríntios 15:23 caracteristicamente nos diz, ele é a PRIMÍCIA, o PRIMEIRO. Após Ele, os próximos que também reviverão serão aqueles que são de Cristo, isto é, os Cristãos mortos, e mais tarde seguirão os demais mortos (1 Coríntios 15:23).

Em relação ao tempo em que os mortos em Cristo reviverão, a Palavra define como o tempo da vinda do Senhor. Então, isto significa que uma vez que a vinda de Cristo é ainda um evento futuro, não possibilidade dos mortos estarem vivos agora. Em vez disto, eles REVIVERÃO naquele dia. Contudo, isto não será o único acontecimento daquele dia, pois logo após a ressurreição dos Cristãos mortos, os demais Cristãos que estiverem vivos serão arrebatados nas nuvens com os demais ressuscitados, para encontrar o Senhor nos ares (1 Tessalonicenses 4:17). Esta mesma passagem também nos diz: “E ASSIM NÓS (Todos os Cristãos) ESTAREMOS PARA SEMPRE COM O SENHOR”.

Referente agora ao corpo que os mortos terão naquele dia, isto é o que a Bíblia chama de “corpo espiritual”, isto é, um corpo incorruptível e imortal como o corpo Jesus possui agora. Este também será o corpo que terão os Cristãos vivos que forem arrebatados às nuvens naquele dia, em substituição do corpo com alma corruptível atual. De acordo com a Palavra, tudo isto acontecerá em apenas “um piscar de olhos” (1 Coríntios 15:52) e pode acontecer a qualquer momento, mesmo daqui a pouco. O momento exato não foi revelado por Deus em sua Palavra e por isso ninguém o sabe (veja 1 Tessalonicenses 5:1-2, Marcos 13:32, 2Pedro 3:4-13).

3. Mais algumas análises sobre os mortos

Apesar do fato de a Palavra de Deus deixar clara a verdade sobre os mortos, um olhar sobre o que a maioria dos Cristãos acredita nos mostrará uma grande diferença. De fato, para muitos Cristãos quando alguém morre sua alma continua a viver e após ser julgado vai para o céu onde está o Senhor com seus amados, tendo plena consciência e louvando a Deus em um estado de alegria. Assim, de acordo com esta “visão comum”, a morte é na verdade uma amiga pela qual obtemos uma vida melhor “no outro lado”. Uma comparação desta visão com o que vimos que Deus revelou para nosso benefício, fica claro que não ela não tem embasamento bíblico. Contudo, apesar das passagens que temos visto até agora, a Palavra contém mais trechos que tornam mais evidentes os erros desta “visão comum” e suas reivindicações. Abaixo as reivindicações desta visão serão examinadas e contrastadas com a Palavra de Deus.

3.1. O paraíso é o lugar onde os mortos vão após a morte?

Como temos visto, o primeiro grupo de mortos que irão ao céu serão os Cristãos ressuscitados, no dia da vinda do Senhor. A partir daí, pode-se facilmente concluir que nenhum morto está no céu agora – exceto o Cristo ressuscitado – e ninguém vai para lá após a morte. Para onde vão afinal os mortos após a morte? A resposta que a Bíblia nos dá é simplesmente a sepultura, e este é o significado das palavras “Sheol” e “Hades” que a Bíblia usa para denotar o lugar dos mortos. Um entendimento completo das características do lugar dos mortos, a sepultura, pode ser obtido pelo estudo de uma ou de duas palavras.

3.2 Os mortos tem consciência ou conhecimento?


Outra alegação da tradição é que após a morte, os mortos continuam vivendo, tendo pleno conhecimento e consciência e ajudando aos vivos. Novamente, a partir do que Deus nos disse que nós não sejamos mais ignorantes e é óbvio que uma reivindicação como esta não pode estar certa. De fato, de acordo com o que vimos os mortos não estão vivos agora, consequentemente ele não podem fazer coisas que são próprias e características de pessoas vivas apenas. Eclesiastes 9:4-6,10 verdadeiramente não deixa margem de dúvida. Assim nós lemos:

Eclesiastes 9:4-6, 10
"Ora, para aquele que está entre os vivos há esperança (porque melhor é o cão vivo do que o leão morto). Porque os vivos sabem que hão de morrer, MAS OS MORTOS NÃO SABEM COISA NENHUMA, nem tampouco terão eles recompensa, mas a sua memória fica entregue ao esquecimento. Também o seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já pereceram, E JÁ NÃO TÊM PARTE ALGUMA PARA SEMPRE, EM COISA ALGUMA DO QUE SE FAZ DEBAIXO DO SOL...Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, PORQUE NA SEPULTURA (Hebraico: Sheol), PARA ONDE TU VAIS, NÃO HÁ OBRA NEM PROJETO, NEM CONHECIMENTO, NEM SABEDORIA ALGUMA.

Como está explícito nesta passagem, os mortos não têm consciência, e “já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol”, isto é, em coisa alguma feita em vida. Isto não apenas refuta a afirmação de muitas denominações que homens “santos” apareceram para outros homens “santos” e falaram a eles, ou que tais pessoas como Maria ouvem suas orações. Conforme vimos, de acordo com a Bíblia, com exceção do Cristo ressuscitado não há nenhum homem que tendo morrido esteja vivo agora. Então não há morto que possa aparecer à pessoas vivas e responderem suas orações, estando morto, ele não tem consciência e não pode “ter parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.”

3.3 Os mortos louvam a Deus?

Outra afirmação da tradição em relação aos mortos é que ao morrer ele vai ao céu lá fica louvando a Deus. Mais uma vez a partir da informação que Deus nos deu que não nos quer ignorantes, é claro que essa afirmação é falsa, os mortos não estão nem no céu e nem estão vivos para louvar a Deus, a Palavra responde também diretamente a esta afirmação. Assim nos diz o Salmo 6:5:

Salmo 6:5
"Porque na morte não há lembrança de ti [Deus]; no sepulcro [Hebraico: Sheol] quem te louvará?”

Contrário à ideia da tradição, a Palavra deixa claro que “na morte NÃO há lembrança de Deus. No sheol, na sepultura, ninguém dará graças a Deus, pois ninguém está vivo lá para que possa fazer isto. Ao contrário, são apenas os VIVOS e somente eles que louvarão a Deus e darão graças a Ele. Na verdade Isaías 38:18-19 nos diz:

Isaías 38:18-19
"Porque NÃO TE LOUVARÁ [Deus] A SEPULTURA, NEM A MORTE TE GLORIFICARÁ; NEM ESPERARÃO EM TUA VERDADE OS QUE DESCEM À COVA. O VIVENTE, O VIVENTE, ESSE TE LOUVARÁ..." São os vivos e não os mortos quem te darão graças e glorificarão Deus. É neste tempo que agradeceremos e louvaremos a Ele e não quando morrermos.

3.4 A morte é uma amiga enviada por Deus?

Acrescentando o texto acima, outra afirmação da tradição é que a morte é uma amiga enviada por Deus para nos aproximarmos Dele. Novamente, o que temos visto nas partes 1 e 2, é suficiente para mostrar que essa afirmação é falsa. De fato, se a morte fosse uma amiga enviada por Deus então não haveria razão para Deus cancelar seus efeitos com a ressurreição. Isto mostra que a morte não pode ser amiga, como apoia a teoria da tradição. Assim, em 1 Coríntios 15:26 lemos:

1 Coríntios 15:26
"Ora, o último INIMIGO que há de ser aniquilado é a morte. "

A morte não é amiga, como muitos a apresentam, mas um inimigo e como tal será destruída [4]. A partir daí podemos concluir que a morte sendo uma inimiga que Deus destruirá, não pode ser Deus seu agente direto. Quem é então o agente direto da morte? A resposta nos é dada em Hebreus 2:14 onde lemos:

Hebreus 2:14
"...ele [Jesus] participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, ISTO É, O DIABO.

É o diabo então, e não Deus, quem é o senhor da morte. Conforme João 8:44, claramente nos diz:

João 8:44
"Vós [Os judeus com quem ele estava falando] tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele [o diabo] foi homicida desde o princípio."

O diabo foi homicida desde o princípio. Deus sempre trabalhou em direção oposta, dando uma solução completa para o problema da morte. Qual é esta solução? Crer no Senhor Jesus Cristo. De fato, conforme Jesus disse em João 11:25.

João 11:25
"Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá."

Quando ele viverá? Nós já vimos: no dia da vinda do Senhor quando “e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados." (1 Coríntios 15:52).

Conclusão
Neste artigo, estudamos o assunto sobre o que acontece após a morte. Como vimos, não há outro morto que esteja vivo agora, exceto o Senhor Jesus Cristo que ressuscitou dos mortos. Os próximos que serão chamados à vida eterna serão aqueles que estão em Cristo, isto é, os cristãos mortos, no dia da vinda do Senhor. Os corpos que eles terão naquele dia não serão corpos com alma, mas corpos espirituais como o corpo que Jesus tem agora. A ressurreição dos Cristãos mortos será seguida pelo arrebatamento daqueles Cristãos que estiverem vivos naquele dia e cujos corpos serão transformados de corpos com alma para corpos espirituais. Ao final de tudo, “NÓS [todos os Cristãos, mortos ou vivos] ESTAREMOS PARA SEMPRE COM O SENHOR" (1 Tessalonicenses 4:17).

Tendo examinado o que a Bíblia diz a respeito dos mortos, nós observamos e examinamos algumas afirmações da tradição à luz da Palavra de Deus. Assim, vimos que os mortos:

i) não vão para o céu, mas para a sepultura (Sheol em Hebraico, Hades em Grego).

ii) não têm consciência e não tem participação na vida

iii) não louvam a Deus nem dão graças a Ele.

Mais ainda, vimos que:

iv) a morte não é amiga que nos traz para perto de Deus, mas um inimigo que será destruído.


Com base em tudo isto, deveria estar claro que a morte não é a esperança que deveríamos ter como Cristãos. Em vez disso, nossa esperança é a vinda do Senhor Jesus Cristo, pela qual, se estivermos mortos seremos ressuscitados, e se estivermos vivos seremos arrebatados às nuvens para encontrarmos com o Senhor nos ares (1 Tessalonicenses 4:17). Como Cristãos então, não devemos esperar o dia da nossa morte, mas pelo dia da vinda do Senhor. Conforme nos diz claramente a carta aos Filipenses 3:20-21:

Filipenses 3:20-21
"Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, Que transformará o nosso corpo abatido [o corpo com alma], para ser conforme o seu corpo glorioso [o corpo espiritual], segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas."

Possamos nós de agora em diante abrir nossos corações não aos falsos “confortos” da religião, mas ao verdadeiro conforto da Palavra, para que assim possamos esperar não pelos dias de acontecimentos miseráveis da morte, mas pelo dia da vinda gloriosa do Senhor, na qual nosso corpo com alma atual será transformado “que ele possa ser semelhante ao Seu corpo glorioso” e assim então “estaremos para sempre com o Senhor”.


por Anastasios Kioulachoglou
Fonte: http://www.jba.gr
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Notas de Rodapé

1. De fato, conforme veremos, embora existam diferenças em relação ao tempo que cada categoria de mortos (crentes, incrédulos) será ressuscitada, assim como o que se segue após essas ressurreições (vida eterna, condenação, julgamento) não há divergência sobre o presente estado de morto que compõe essas categorias.

2. Para mais informações sobre alma, veja o artigo

3. Uma vez que, após a sua ressurreição Jesus Cristo possui um corpo espiritual, um modo razoável de ter mais informações sobre as propriedades e habilidades deste corpo seria através de um estudo das referências do evangelho sobre pós-ressurreição. Através disto veremos que: um corpo espiritual é um corpo com habilidades supernaturais, uma vez que Cristo ressuscitado podia aparecer e desaparecer automática e repentinamente. (veja Lucas 24:31-37). Mais ainda, é um corpo com formas variáveis (Marcos 16:12), já que possui carne e ossos e pode ser tocado, isto é, literalmente um corpo (Lucas 24:39).

4. Veja Apocalipse 20:14 para um registro exato desta destruição.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

95 Curiosidades Sobre a Vida de um Reformado

Amanhã é um dia especial para todos os cristãos espalhados ao redor do mundo. Nesse dia 31 de outubro comemoramos os 498 anos da reforma protestante. Esse foi o dia histórico, em 1517, que Martinho Lutero fixou suas 95 teses na porta da capela de Wittenberg na Alemanha. Esse foi considerado um marco para datar o início desse movimento que transformou a Europa e depois o mundo. De lá pra cá muita água rolou debaixo dessa ponte. Muitos homens viveram e morreram pelos ideais protestantes. Várias denominações surgiram. Guerras foram travadas. Confissões de fé, catecismos e milhares de livros foram escritos. A igreja protestante cresceu e se espalhou até chegar a nós. Que benção da soberania de Deus!


Bem, sabemos que hoje nem todos os cristão seguem os valores bíblicos protestantes. Ao mesmo tempo sabemos que os valores reformados e calvinistas estão crescendo e ganhando espaço no Brasil, mesmo que ainda “timidamente”. Hoje não temos nenhum artigo teológico, mas queremos falar de uma forma descontraída sobre nós reformados. Para homenagear esse dia temos aqui 95 teses, ou curiosidades, sobre a vida de um reformado. Tenho certeza que você vai se identificar com vários pontos, além de lembrar de momentos importantes nessa caminhada. E claro, com certeza tem aquele ponto que é a cara de algum amigo. Aproveitem!
  1. Tudo começou com um vídeo de algum pastor calvinista na internet.
  2. Esse vídeo foi a “pregação chocante” do Paul Washer.
  3. A parte desse vídeo que você mais lembra é quando ele fala das palmas.
  4. Você gostaria de ver seu pastor falando aquilo um dia.
  5. Você começou lendo ou viu o primeiro vídeo no Voltemos ao Evangelho.
  6. John Piper é mito.
  7. John Piper é seu pastor, pregador e escritor favorito.
  8. Você já foi muito fã do Mark Driscoll.
  9. Você conheceu o Driscoll no vídeo “Por que eu odeio religião”.
  10. Você não fala mais dele.
  11. 5 pontos do calvinismo passaram a ser os 5 únicos pontos dos seus estudos.
  12. Você falou sobre a eleição incondicional para todos os amigos crentes possíveis.
  13. Eles te acharam um louco e disseram que isso é coisa de Calvino.
  14. Sua estante começou a ficar cheia de livros.
  15. E sua conta vazia de dinheiro.
  16. Amigos Arminianos precisam ser evangelizados
  17. Sua timeline no Facebook começou a ficar cheia de sorteio de livros.
  18. Voltemos ao Evangelho é o blog que você mais acessa até hoje.
  19. Você começou lendo a Editora Fiel e despois descobriu a Cultura Cristã.
  20. “Não existe livre arbítrio” é uma das suas frases favoritas.
  21. “Quem é esse Peregrino que todo mundo fala”?
  22. Além de Calvino e Lutero, agora você conhece Spurgeon e Agostinho.
  23. “Preciso deixar a faculdade e entrar no seminário” já passou pela sua cabeça.
  24. Ir para a conferência fiel é um sonho.
  25. Se você já foi, voltar todo ano é um sonho.
  26. Sua capa do Facebook já foi ou é sobre as 5 solas.
  27. A primeira heresia que você combateu foi a teologia da prosperidade.
  28. Você nunca mais cantou Thalles Roberto na vida.
  29. Você descobriu e leu O Peregrino.
  30. “Eu preciso reformar minha igreja” já passou pela sua cabeça.
  31. Você já escutou “Eu sou é de Jesus!”
  32. Você sente uma enorme necessidade de aprender sobre história da igreja.
  33. Sua mãe/tia pentecostal vive falando que você precisa se encher do Espírito.
  34. Você já foi prepotente em algum debate.
  35. Você já se arrependeu disso.
  36. Nicodemus é Mitodemus.
  37. Sua boca é dizer que o calvinismo é bem mais do que apenas 5 pontos.
  38. Romanos é o livro mais citado nas suas conversas teológicas.
  39. Você tem vários livros que ainda nem leu.
  40. “Quando é próximo debate no Vejam Só?”
  41. Se você é homem, agora sua barba é algo precioso.
  42. Além de Spurgeon e Agostinho, agora você conhece Jonathan Edwards e Whitefield.
  43. “Essa música não pode ser mais cantada no louvor” já passou pela sua cabeça.
  44. Você ora por um namorado(a) calvinista.
  45. “Quando é próximo evento teológico?”
  46. Você não suporta a voz e os atos proféticos da Ana Paula Valadão.
  47. Você começou debatendo calvinismo x arminianismo.
  48. Passou para aliancismo x dispensacionalismo.
  49. E hoje está em capitalismo x socialismo
  50. Você sonha em viajar pela Europa e conhecer os locais históricos da reforma.
  51. Sua pesquisa teológica no google termina com “monergismo”.
  52. Você já leu algo sobre os puritanos.
  53. “Eu invoco o poder de Romanos 9”
  54. Sua capa de Facebook é ou já foi “o justo viverá pela fé”.
  55. Você já escutou “essa discussão não leva a nada”.
  56. “preciso citar um puritano agora” já passou pela sua cabeça.
  57. Sua capa de Facebook já foi ou é sobre a TULIP.
  58. “Meu pastor precisa pregar expositivamente” já passou pela sua cabeça.
  59. Todo lugar é um bom lugar para se falar de teologia.
  60. Inclusive na igreja, lá é o lugar que você mais quer falar de teologia.
  61. Você leu muito Cheung.
  62. Você não gosta mais de Cheung.
  63. Cheung é uma pessoa real mesmo?
  64. Você já refutou alguma letra do Thalles.
  65. Supra ou infra?
  66. Você já chorou escutando “Autor da Minha Fé”.
  67. Você já tentou imitar o Paul Washer numa pregação.
  68. Além de Jonathan Edwards e Whitefield agora você conhece John Knox e Owen
  69. Você não sabe nenhuma das 95 teses de Lutero.
  70. “Não se fazem mais músicas como antigamente” já passou pela sua cabeça.
  71. Você é um ex fã do Kleber Lucas.
  72. Você tem e usa muito a farda do jovem reformado (blusa xadrez de botão).
  73. Se você é mulher, já pesquisou sobre as mulheres dos reformadores.
  74. Grancomito.
  75. Grancochato.
  76. Ninguém aceita sua explicação da expiação limitada.
  77. Você já começou a escrever um livro.
  78. Você acha que é engraçado contado suas piadas teológicas que nem o Nicodemus.
  79.  “Minha igreja poderia tocar Castelo Forte no louvor” já passou pela sua cabeça.
  80. Falar de Kuyper e Van Til te deixar mais cult.
  81. Seu parente pentecostal vive te dizendo que “a letra mata”.
  82. “Maxo, sabia que Calvino foi expulso de Genebra e quando voltou continuou a pregação do versículo que tinha parado?”
  83. Faz tempo que você não lê um livro do Piper, ê saudade.
  84. Sua capa de Facebook é ou já foi “a paz se possível, a verdade a qualquer preço”.
  85. “Sou cessacionista ou continuísta?” ainda passa pela sua cabeça.
  86. Você critica os modinhas.
  87. Você já foi um modinha.
  88. Você é um modinha e nem sabe, só vai descobrir que era mais tarde.
  89. Biblía de Genebra, As Institutas e a Teologia do Franklin Ferreira são suas grandes aquisições.
  90. Sproul, Lawson, Carson, Lloyd Jones, Beeke, Macarthur, Berkhof, Horton, Dever e Keller são nomes na sua estante.
  91. “Eu queria saber inglês fluente” já passou pela sua cabeça.
  92. Você já criticou algum vídeo do Thalles.
  93. Se você não é de Fortaleza você sonha em participar de algum evento na Escola Charles Spurgeon.
  94. Chega outubro e você faz as contas pra saber quantos anos tem a reforma protestante.
  95. Dia 31 você vai postar algo sobre a reforma. Aproveita pra compartilhar esse texto, contar com quais pontos você se identifica e marcar os amigos.
Gostou? Que essas lembranças sirvam para continuarmos no bom caminho que Cristo e os apóstolos começaram e que os reformadores redescobriram! Soli Deo Gloria!

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Fonte: Vida de Graça

O Reino Milenial de Cristo

Haverá verdadeiramente um reino milenial depois que Cristo voltar? (Expondo as verdades da doutrina Amilenista) Apocalipse 20:1-1...