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sábado, 3 de dezembro de 2016

12 perguntas a fazer antes de postar na internet


Eu quero oferecer 12 breves perguntas para que você faça a si mesmo. Você pode pensar nelas como luzes indicativas, do tipo que um piloto verifica antes de decolar.

1) Edificará? Ou informará significativamente uma conversa útil? (1 Coríntios 14:26; Marcos 12:29-31)


Tente pensar no que edificará os outros. Tudo o que fazemos deve obedecer ao mandamento de amar a Deus e aos outros. Como isso aumentará o conhecimento, a fé ou o amor deles? Você está apresentando com precisão qualquer posição que discorda? Quão seguro estou de minhas informações? Esperamos que as trivialidades preencham menos de nossas vidas do que o fazem na internet. John Piper disse que “Uma das grandes utilidades do Twitter e Facebook será provar no último dia que nossa falta de oração não foi por falta de tempo!”. Ele tem razão.

2) Será facilmente mal compreendido? (João 13:7, 16:12)


A privacidade de uma conversa pessoal limita a má compreensão. Nos lugares públicos, algumas coisas soarão de uma forma para aqueles que nos conhecem e de outra para aqueles que não nos conhecem. Avaliações negativas são muitas vezes melhor compartilhadas em privado ou não compartilhadas de modo algum. Quantos de nós aprendemos em nossos locais de trabalho que e-mail é uma maneira terrível de compartilhar qualquer tipo de comentários negativos? E, pensando especialmente em postagens públicas, pergunte a si mesmo: há razões pelas quais eu não posso ser uma boa pessoa para falar sobre determinados assuntos?


3) Alcançará o público certo? (Marcos 4:9)


Se você estiver corrigindo alguém, a audiência para essa correção deve ser mais ampla ou mais limitada? Essa audiência é corrigível? Quando usar uma rede social, considere quem está ouvindo o que você está dizendo. E se todos nesse lugar viessem a escutar por acaso as suas conversas após o serviço hoje? Ainda assim, fazemos isso todo o tempo na internet.

4) Ajudará em meu evangelismo? (Colossenses 1:28-29)


O que você está prestes a comunicar ajuda ou dificulta aqueles que você está evangelizando? É provável que isso diminua a importância (para eles) do seu compromisso com o evangelho ou a engrandece?

5) Provocará controvérsia desnecessária e inútil? (Tito 3:9)


Pense cuidadosamente sobre controvérsia. A linha que separa o compartilhamento vigoroso de ideias e uma espécie de guerra social, às vezes, é mais fina do que podemos imaginar. Em que essa controvérsia particular que eu gostaria de estar contribuiria para o bem? Quando ela é inútil? Quanto tempo durará? Trata-se de uma questão fundamental inevitável ou de uma questão sobre a qual o desacordo é um tanto quanto sem importância? Será que esta controvérsia levará a qualquer outra divisão que ameace a unidade da nossa igreja local?

6) Envergonhará ou ofenderá? (1 Coríntios 12:21-26)


Alguém será envergonhado ou ofendido pelo que você está dizendo? Eu entendo que o mero fato de que algo é ofensivo não significa que dizê-lo é errado, mas simplesmente que nós devemos ter certeza de que a ofensa é digna disso.

7) Comunicará cuidado? (1 Coríntios 12:21-26)


Será que os principais interessados apreciarão os seus motivos? Privacidade na comunicação transmite cuidado e honra a pessoa que recebe a informação. Você gosta que a prescrição do medicamento por seu médico seja algo privado; mas você não se importa que a venda na loja seja anunciada. Se alguém preferir ser abordado pessoalmente, por que não fazê-lo?


8) Fará com que pessoas estimem melhor alguém? (1 Coríntios 12:21-26)


Ressalte a graça de Deus na vida, ministério e argumentos, etc., de outros. Destacar algo que edificará a estima de outros por alguém glorifica a Deus e encoraja os outros a verem a sua obra neles.

9) É jactância? (Provérbios 27:2)


O que você comunica na internet chama a atenção para si mesmo mais do que para o seu assunto? Como isso pode ser espiritualmente prejudicial para você ou para outros? Isso deixará as pessoas com uma compreensão mais exata de você? Está simplesmente sendo tentado a chamar a atenção para si mesmo ou para o que você sabe? Quando foi a última vez que incitou outros por compartilhar algo embaraçoso ou mesmo pecaminoso acerca de si mesmo?

10) O tom é apropriado? (2 João 1,12; Colossenses 4:6, Efésios 4:29, 2 Timóteo 2:24-25)


As pessoas entenderão e serão encorajadas pela verdade que você compartilha? Quão importante é que o tom de sua mensagem seja corretamente compreendido? Isso é claramente bondoso, paciente e gentil? O tom exato de sua voz e a feição em seu rosto indicam muito do que você quer dizer. Em uma conversa pessoal, você pode entender mais rapidamente que algo precisa ser explicado e o esclarece. A internet não santifica a ira ou frustração.

11) É errado não dizer nada? (Romanos 1:14)


Você tem uma oportunidade ou mesmo uma responsabilidade de comunicar algo? Alguns de vocês fazem isso devido ao seu trabalho. Você estabeleceu um “relacionamento” com leitores, amigos e seguidores na internet, de modo que eles esperam que comente sobre um determinado assunto ou situação? Nossa liberdade de expressão é uma mordomia maravilhosa! Queremos usá-la de forma boa e responsável. Eu suponho que existem até mesmo alguns trabalhos que não valem os sacrifícios que eles demandam, não existem?

12) O que os outros aconselham? (Provérbios 11:14; 15:22; 24:6)


Quando você está prestes a comunicar algo que sabe que os outros acharão provocativo, você tem bons alertas sonoros para tentar ajudá-lo a ponderar sobre a resposta? Você dedica tempo para considerar antes de publicar? A velocidade de resposta é tanto uma possibilidade da internet quanto uma tentação para falar muito rápido (o que contraria Tiago 1.19; Provérbios 10.19, 14.29, 16.32, 17.27). Lembre-se, você prestará contas por cada palavra que você digita (Mateus 12.36). Será que dizer coisas a uma “distância segura” das pessoas nos tenta a falar o que não diríamos diante de sua face?

Talvez você possa escrever estas perguntas e pedir a um amigo que observe suas redes sociais com essas preocupações em mente. Ou ainda, pergunte a alguém que discorda de você em algum assunto que postou ou escreveu e veja o que ele dirá. Dessa forma, muitos de nós podemos ser capazes de melhorar o nosso cuidado. Você pode imaginar quanto cuidado os apóstolos tiveram ao escrever as suas cartas?


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A IGREJA E O CIRCO GOSPEL


Muitas vezes recebemos questões como: Por que vocês não usam esse ou aquele super recurso para melhorar a edição/layout? Por que vocês não utilizam ferramentas de discursos ou aplicam estratégias para aumentar o número de curtidas? Por que vocês não compartilham vídeos dos "queridinhos" do mundo gospel, dando uma pitada de humor na página? Quem são vocês da Página?

Bem, amados, a nossa resposta permanece a mesma de quando começamos essa página com o objetivo de dividir algumas reflexões e textos acerca do Evangelho.

Quem somos nós? Bem, somos os que são consolados pelo Espírito, amados de Jesus, e filhos de Deus, assim como todos aqueles que se encontraram com o Cristo pelas estradas de Damasco.

Essa página não tem como objetivo qualquer pretensão pessoal de quem quer que seja. Afinal de contas, a maior parte da história (verdadeira) da Igreja do Senhor aqui na terra foi realizada de forma anônima, por homens e mulheres cujos nomes somente saberemos no céu. Gente simples e humilde que sangra pelo Evangelho.

Mas, se Deus vê e se alegra, o que mais importa? Nada mais importa conquanto seja Ele anunciado e o caráter do Seu Filho enxergado naqueles que, de fato, se agarram em Seu precioso Nome como única fonte de esperança.

Não pretendemos agradar quem quer que seja e nem rentabilizar influências ou vender o que quer que seja; receber convites para pregar ou encarnar o "Ministério __________ (nome da pessoa)". Não faremos disso uma estrutura pesada.

O Brasil tem padecido de males como esses. A título de exemplo, observe que conhecemos uma centena de 'cantores' e 'pastores' que construíram fortunas às custas de música e discurso sobre a bíblia. Mas, sejamos francos: conhecemos uma única pessoa que construiu fortuna às custas de louvor sincero e pregação genuína do Evangelho de Jesus Cristo? A resposta que ecoa do coração do Evangelho é NÃO. (E não venha dar "piti" na Página, porque, como foi dito, não estamos aqui para agradar você).

O Evangelho não produz glamour, estruturas pesadas, instituições que prezam mais por seus usos e costumes (manuais de regras comportamentais), e comércio. Então, me responda por qual razão todo "artista gospel" que conseguiu "5 minutos de fama" logo abre a sua lojinha virtual? Por qual razão eles vendem os seus "testemunhos" em livros? Por que insistem em rentabilizar ou monetizar o Evangelho?

Mais uma vez vamos insistir: não adianta vir aqui brigar conosco, pois você perderá o seu tempo. Os fins não justificam os meios. Pouco importa se o seu "artista" ajuda criancinhas na África com essa grana às custas do Evangelho ou se faz caravana para Israel. O fato é que fomos chamados para servir o Evangelho (servir a Cristo) e não para nos servir dele (ou, como muitos estão fazendo: se lambuzando dele).

Não estamos falando de fanatismo religioso (amor sem conhecimento) e nem de legalismo religioso (conhecimento sem amor). Estamos falando de discernimento (amor e conhecimento andam de mãos dadas). É por isso que não se tratam de regras escritas com tinta e tábuas de pedra, mas escritas com o Espírito do Deus vivo nas tábuas de corações humanos.

Quando é que vamos discernir que todo comércio que andam fazendo, ainda que a pretexto de fazer caridade ou levar o evangelho, não redime as ações praticadas? Jesus Cristo, por acaso, agora é servido por mãos humanas, como se estivesse em necessidade de alguma coisa?

Quando vamos discernir que o Evangelho não é sobre um coração transformado, mas sim sobre um novo coração? Você não se converte porque passa a fazer parte de uma comunidade, mas por meio de uma obra sobrenatural de Deus na sua vida.
Os discípulos nunca tiveram muito dinheiro, nunca tiveram TV ou Rádio, nunca venderam camisetas ou seja lá o que for - aliás, não venderam NADA -, e nunca tiveram grandes prédios, templos, sinagogas, ministérios. Eles nunca tiveram absolutamente NADA disso. Mas sabe o que eles fizeram? Aqui está a resposta: Eles viraram o mundo de cabeça para baixo.

Mas hoje não é mais assim. Hoje, a pessoa canta um pouquinho bem ou fala um pouquinho bem e ela já SE TORNA um ministério. E aí já sabemos. É mais um vida girando na estrutura do circo gospel.

Os frutos são estruturas obesas, gente sem discernimento, uma cristandade cheia de fetiche pelos "pastores-celebridade e cantores-celebridade", gente vivendo do dinheiro que sequer deveria ganhar (nesse contexto), e gente perdida que se agarra à ideia de que está abençoando muita gente. Cegos guiados por cegos.

E, uma vez ou outra, aparece o "crente-fã" revoltadinho porque alguém falou algo de verdadeiro sobre essa orgia gospel. Ele se sente ofendido porque não consegue discernir que Deus misericordiosamente age, resgata e salva pessoas APESAR de toda a palhaçada.

O "crente-fã" fica bravo porque crê que se Deus agiu é porque partilha e se agrada desses acontecimentos. Se alguém é salvo ouvindo um culto da Universal do Reino de Deus ou dos "malucos" da Lagoinha, automaticamente o "crente-fã" crê que Deus está ali. Mas não, Ele não se agrada disso.

O objetivo do que dizemos é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para o outro pelas ondas teológicas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela malícia de certas pessoas que induzem os incautos ao erro. Precisamos nos agarrar aos pilares da nossa fé.

Leonard Ravenhill estava certo: mais pessoas vão para o inferno por causa de um evangelho mal pregado do que por qualquer outra razão. Esse é o alerta para você: é bom que você não tenha o sangue deles em suas mãos, pois dará conta das suas ações. E isso não é uma ameaça - não me venha com essa -, isso é um alerta encharcado da reverência e da solenidade que permeia tais ações.

Você tem um bom testemunho? Então vamos vender livros, cursos, CDs (até "coaching" tiveram a capacidade de fazer). Vocês estão malucos? Você tem uma boa voz? Então façamos um igreja como se fosse um palco e aí você pode cantar, vender CDs, e talvez até abrir uma loja virtual para vender camisas, canecas e capacetes. Vocês estão malucos? Desperte, ó povo de Deus! Esse evangelho foi proclamado a custo de sangue. Vocês perderam totalmente o juízo. Mal sabem vocês que são juízo de Deus sobre esse povo ambicioso e idólatra que consegue para si mesmo a eficácia das suas próprias cobiças.

Muitos de vocês oferecem o mesmo que o Diabo, mas em nome de Cristo. Ouça, Igreja, saia desse meio enquanto há tempo. Corra para longe disso e não toque em absolutamente nada quando sair. Corra pela sua vida. Esse é o meu conselho para você. E saiba que você não encontrará uma igreja local perfeita, mas certamente encontrará igrejas que são feitas por pessoas que honestamente desejam servir ao Senhor. Quem tem ouvidos, que ouça, pois o Senhor está às portas.

Eu não quero ser achado entre aqueles que estão fazendo coisas que o Senhor e os seus discípulos abominariam. Eu quero ser achado entre aqueles cuja vida expressa o caráter do Cristo, porque o evangelho não é sobre uma vida que tentamos viver com Jesus ou para Jesus, mas sim sobre Jesus Cristo vivendo em nós. E se Ele vive, o nosso caráter muda.

Responda-me: Por que mesmo você acredita em Deus? Porque até mesmo os demônios acreditam e tremem diante dele. Então me diga: o que exatamente coloca o diabo e os demônios de um lado da linha e você de outro? Certamente não são essas sandices que estão ao nosso redor.

É este o lamento de Deus hoje:
"Pensavas que (EU) era como você".

A vida nessa terra não é um parque de diversões gospel. Estamos aqui neste mundo caído como peregrinos e em nós foi posta a mensagem da reconciliação entre Deus e todos os homens. Precisamos anunciá-la, se é que amamos os nossos semelhantes, ainda que para isso precisemos desafiar os coronéis da fé, os currais evangélicos e os celeiros de heresias.


Não tememos ninguém, senão ao Senhor,


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O mundo e o diabo como tentadores



O mundo

O mundo instiga tanto convertidos como não convertidos a cometerem pecado. Ele coloca diante deles todos os tipos de entretenimento, na esperança de se beneficiarem de alguma forma, bem como amizade, amor, apreço e fama. Se isso não lograr êxito, ele irá ameaçar com o mal, infortúnio, opróbrio, perseguição, etc.

Ainda que uma pessoa mundana tente outra pessoa mundana ao pecado, a igreja em geral, e cada crente individualmente, é o seu foco principal. Os últimos são como ovelhas entre os lobos. Portanto, eles não devem confiar em ninguém, mas devem estar sempre vigilantes quando estiverem entre as pessoas do mundo.

O Senhor Jesus predisse que não temos que esperar nada do mundo, senão o mal das pessoas mundanas. No mundo tereis aflições (João 16.33). O Senhor Jesus também ensina que devemos estar em guarda com os homens (Mateus 10.17). Ademais, lemos ainda:

Prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza. 
(2Pedro 3.17)

Para finalizar, o Senhor Jesus aduziu este precioso conselho:

Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. 
(Mateus 10.16)


O diabo

Satanás também tenta o homem. Os não convertidos estão em seu poder. O diabo governa sobre eles, que são prisioneiros de sua vontade. Ele exerce todo o seu poder para fazer com que os crentes venham a cair em tentações. Outrossim, ele leva o nome de tentador (Mateus 4.3), inimigo (Mateus 13.39), adversário (1Pedro 5.8) e diabo (Tiago 4.7). Destarte, suas tentações mais sutis são referidas como ciladas (Efésios 6.11).

Ele procura descobrir aonde o crente é vulnerável; e, baseado nisso, apresenta suas tentações. Não seria razoável ele fomentar suas tentações com todos, uma vez que não seria muito eficaz. Ele conhece a estrutura do homem, bem como a sua vulnerabilidade; ele sabe qual é o pecado mais suscetível de ser cometido, sabe as circunstâncias e a ocasião em que iremos cometê-lo. Juntamente com isso, ele lança pensamentos e imagens em nossa mente, na tentativa de nos fazer cogitar tais pensamentos, estimulando nossos desejos pecaminosos através destas reflexões.

No momento oportuno, ele irá criar situações que sabe que temos caído frequentemente. Então, quando a alma estiver desesperada, prestes a ruir em pecado, ele tentará seduzi-la para um próximo pecado. Ele sabe como disfarçar bem o pecado de maneira sutil, apresentando-o de maneira tão desejável que a nossa vontade é completamente excitada. No início, o pecado estimula o homem, instando-o de tal modo para que não tenha tempo de direcionar um pensamento sequer com respeito a Deus. Uma vez que o pecado foi cometido, ele tenta levar a pessoa ao desespero, ao sugerir:

“Uma vida assim não pode coexistir com a graça. Você não é nascido de novo. Você não tem a fé verdadeira. Não há graça para você. Seu pecado é muito grande. Você deve ter cometido o pecado contra o Espírito Santo. Após isso, ele vai aterrorizá-lo de várias maneiras”.

Contudo, nós temos que saber isto: o diabo não pode coagir o homem a pecar. Tudo o que ele pode fazer é imbuir, seduzir, criar situações. Logo, o próprio homem é responsável pelos pecados que comete, não podendo, assim, culpar o diabo. Ademais, nem sempre o diabo é o tentador; antes, é o próprio homem que geralmente inicia o pecado.



por Wilhelmus à Brakel
Trecho extraído de The Christian’s Reasonable Service, volume 3, pág 576-578

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Calvinismo e Missões



“Deus não pode ser invocado por ninguém, exceto por aqueles que conheceram sua misericórdia por meio do Evangelho” João Calvino

Há no meio evangélico uma insistente falácia que calvinistas tem ouvido há anos, ela afirma que o movimento calvinista não tem interesse por missões, não tem amor pelo Ide. Mas será que este argumento tem algum fundo de verdade? Vamos recorrer aos calvinistas, e à bíblia, para responder esta questão.

Primeiramente, vamos definir missões, o teólogo reformado J.H. Bavinck assim a define:

Missões é aquela atividade da igreja, essencialmente nada mais do que a atividade de Cristo, realizada por meio da igreja, pela qual a igreja, neste período intermediário, chama os povos da terra ao arrependimento e à fé em Cristo, de modo que se tornem seus discípulos e, pelo batismo, sejam incorporados a comunhão daqueles que esperam a vinda do Reino.

E qual a finalidade dessas missões? É a glória de Deus (Rom 11:36). A principal finalidade do homem, de missões, da oração, do culto, do trabalho, da arte, do ensino, da família do cristão É A GLÓRIA DE DEUS e a satisfação nEle. Tendo isto em mente, entendemos que “as missões não representam o alvo fundamental da igreja, a adoração [a Deus] sim. As missões existem porque não há adoração, ela sim é fundamental, pois Deus é essencial e não o homem. Quando esta era se encerrar e os incontáveis milhões de redimidos estiverem perante o trono de Deus, não haverá mais missões. Elas representam, uma necessidade temporária. Mas a adoração permanece para sempre” John Piper.

Definido o que é missões e qual sua finalidade (numa visão reformada), vamos ver o que Calvino pensava sobre missões?

Calvino insistia que os cristãos carregam a responsabilidade de espalhar o Evangelho. Ele escreve “porque é nossa obrigação proclamar a bondade de Deus para todas as nações… a obra não pode ser escondida em um canto, mas proclamada em todos os lugares”¹. Calvino diz que “o Senhor ordena que os ministros do Evangelho vão para longe, com o objetivo de anunciar a doutrina da salvação em todas as partes do mundo”²


E Calvino mesmo responde ao argumento mais usado contra os calvinistas, de que como defendem a doutrina da predestinação, não precisariam pregar, pois os eleitos serão salvos, Calvino responde esta objeção citando, em suas Institutas da Religião Cristã, Agostinho³:

“Porque não sabemos quem pertença ao número dos predestinados, ou não pertença, assim nos convém tratar que a todos queiramos venham a ser salvos. Assim acontecerá que, quem quer que seja que se nos haverá de deparar, esforcemo-nos por fazê-lo participante de nossa paz. Mas, nossa paz repousará somente sobre os filhos da paz (Mt 10.13; Lc 10.6). Portanto, quanto a nós concerne, deverá ser a todos aplicada, à semelhança de um remédio… A Deus, porém, pertencerá fazê-la eficaz a quem preconheceu e predestinou”.

Prezado leitor, até agora viu alguma objeção calvinista contra missões?

E de forma pratica, a Reforma calvinista foi propulsora de um movimento missionário em escala, a religiosidade católica foi superada pelo evangelho de Cristo e a uma teologia firme e bíblica baseada na sola scriptura, sola fide e sola gratia. As Escrituras foram traduzidas para o alemão, inglês, francês, entre outras línguas, povos que não tinham contato com o cristianismo na Europa foram alcançados pelo o Evangelho, com a Reforma. Quanto ao trabalho missionário reformado ao redor do mundo, basta lembrar que o primeiro culto protestante no Brasil foi calvinista. Que a primeira confissão de fé das Américas, que também foi feita no brasil, foi reformada – a saber, a confissão de fé da Guanabara.

Temos ainda, vários exemplos de missionários calvinistas ao redor do mundo, vejamos alguns:

_ John Eliot: Missionário enviado aos índios norteamericanos no século XVII. Acredita-se que ele tenha sido o primeiro missionário enviado a pessoas dessa etnia. Como muitos já disseram, se William Carey é o pai do movimento moderno de missões, então John Eliot é o seu avô.

_ David Brainerd: Foi missionário aos índios americanos no século XVIII. Muitos historiadores acreditam que através de seu diário, “Um Relato da Vida do Falecido Reverendo David Brainerd” ele tenha sido responsável pelo envio de mais missionários para os campos de trabalho do que qualquer outra pessoa na história da igreja.

_ Jonathan Edwards: Grande teólogo, escritor e pregador do Primeiro Grande Reavivamento. Foi também missionário junto aos índios.

_ George Whitfield: Grande arauto e pregador do Primeiro Grande Reavivamento. Ele atravessou o Oceano Atlântico treze vezes.

Irmãos, temos que entender que o objetivo supremo desta obra é glorificar a Deus. Como afirma Martyn Lloyd-Jones “Esse é o ponto central de missões. O primeiro objetivo da pregação do evangelho não é salvar almas; É GLORIFICAR A DEUS. Não se tolerará que nenhuma outra coisa, por melhor que seja nem por mais nobre, usurpe esse primeiro lugar”. Nós, como cristãos, somos todos missionários de Cristo, não importa se calvinistas ou arminianos, recebemos esta honra de poder proclamar o evangelho aos perdidos.
E Lembrem: “Deus é o Senhor Soberano das Missões” John Eliot
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¹ Comentário sobre Isaías 12:5, em Calvin’s Commentaries, vol. 7, Isaías 1-32, 403.
² John Calvin, Calvin’s Commentaries, vol. 17, Harmonia de Mateus, Marcos e Lucas, 384.
³ (AGOSTINHO DE HIPONA. De correptione et gratia, XIV-XVI. In CALVINO João. As Institutas ou tratado da religião cristã, III:XXIII, 14. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1989. Volume III, p. 426)

Fonte: Reformai

O Reino Milenial de Cristo

Haverá verdadeiramente um reino milenial depois que Cristo voltar? (Expondo as verdades da doutrina Amilenista) Apocalipse 20:1-1...