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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O efeito da eleição!



Por Andrew Gray (1634-1656)


Se Deus irresistível e eficazmente chamou a ti, dentre aqueles poucos, poucos escolhidos, os quais Ele escolheu para Si, faça com que isto te comprometa a ser ainda mais e mais santo. O Espírito da Graça não bateu em tua porta com batidas infinitamente santas, antes que tu condescendesses em abrir? Tu recusaste em obedecer, até que Ele chamou, não por três vezes, como a Samuel, mas por muitas cem vezes.


Como Ló resistiu a sair de Sodoma, até que os anjos lhe pegassem pela sua mão, e o levasse adiante, assim tu estavas relutante em deixar teus pecados, e companheiros ímpios, até que a mão do Senhor apoderou-se do teu coração. A Incondicional e Livre Graça de Deus chamou-te e deixou a outros. Ó, como isto deveria fazer com que tu admirasses o Amor de Deus, e que te empenhasses pela santidade de Deus! Quando Deus escolheu a ti, Ele deixou a outros, ele passou por milhares e dezenas de milhares no mundo, e deixou-os em sua impenitência e segurança carnal, sob a escravidão e jugo de Satanás. Considere, quão poucos são os que serão salvos, em comparação com a multidão dos que serão eternamente destruídos.

Considere que Deus deveria chamar-te com uma santa vocação, e conduzir-te para ser um deste pequeno rebanho, que está sob os cuidados do Bom Pastor Jesus Cristo. Se tu fostes escolhido e separado do restante, enquanto eles são deixados no estado de pecado para perecerem eternamente, que maravilhosa distintiva misericórdia é esta! Como isto deveria compelir-te a ser eminentemente santo.

Foste tu chamado em tua juventude? Ó, seja santo em toda maneira de viver, em retribuição ao amor de Deus que sofreu por ti [para] não golpear tua alma na velhice. É uma grandiosa misericórdia ser chamado na primeira, ou terceira, ao invés da décima primeira hora; ser chamado em tua infância e tenros dias, do que no entardecer, e à noite, e crepúsculo de teus anos. Sendo chamado cedo, tu nunca fizeste tais tristes naufrágios, nunca te envolveu em tais maldades grosseiras como outros. Tu tiveste extensa experiência da doçura da santidade, portanto, segue-a ainda. Tu foste chamado em tempos tardios? Trabalhe para fazer compensação pelas muitas horas, dias, e anos, que perdeste antes que tu fosses reconciliado com Deus. Certamente a santidade adequa-se bem a ti para sempre.

Ó, sejam santos, vós discípulos velhos, pois o seu tempo para obter graça não será longo. Ó, sejam santos, vós jovens convertidos, para vós requer-se disposição, força e vigor no caminho e no serviço ao Senhor. Suas experiências são tão pequenas; algumas provas vocês tem tido, ó, contudo desejem mais, quanto mais santidade vocês tiverem, maior doçura acharão. O mais valioso vinho encontra-se na mais baixa adega. 

Veio Cristo e estabeleceu-Se sob teu teto? Ó, seja puro e santo para que tu não aborreças a Sua alma justa. Ó, como tu deves agradá-lO, Aquele que tão sumamente honrou e favoreceu a ti! Se a filha de um camponês se casasse com um príncipe, vestiria ela os seus trapos velhos, ou comeria novamente a comida de seu antigo país? Cristo, o Príncipe da Paz, casou-Se contigo, e designou-te um valioso dote. Tu não abandonarás para sempre as vestes imundas do pecado, e menosprezarás aquelas bolotas com as quais te alimentavas antes? Talvez tu sejas tão miserável, que de ti mesmo não tenhas nada para colocar em tua cabeça, e é certo que não possuis nem um pé de terra que seja teu para sempre. Ainda assim, tu és um herdeiro, um filho, mui amado, tanto por Deus quanto pelos anjos. Todos os santos têm esta honra. Outrora tu foste um grande, um imundo pecador; ó, seja santo, pois Cristo lavou-te em Seu sangue, justificou a ti pela Sua Justiça, e santificou a ti pelo Seu Espírito, mesmo quando tu foste imundo de se olhar.

Moisés uma vez casou-se com uma Etíope, Davi tinha homens vis como seus soldados, e Cristo teve publicanos, meretrizes e pecadores por Seus companheiros. Desta forma Deus escolheu a ti, quando tu tinhas pouca moralidade, pouca ingenuidade, ou bondade natural. Tu és do número daqueles poucos que serão salvos, e tão fortemente compelidos a serem  eminentemente santos.


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Fonte: Puritan Sermons

O problema do ensino da graça preveniente!


Por Sam Storms


Porque os arminianos wesleyanos afirmam a eleição condicional, enquanto os calvinistas afirmam que a eleição é incondicional? A resposta é a graça preveniente. De acordo com essa doutrina, em uma ação sobrenatural de graça e misericórdia, Deus restaura a todos os seres humanos o livre-arbítrio perdido na queda de Adão. A graça preveniente proporciona às pessoas a capacidade de escolher ou rejeitar Deus.

(...) A graça preveniente apenas possibilita a fé salvadora, mas é o próprio indivíduo que faz com que ela seja real. Então, ainda precisamos perguntar: “Quem, em última análise, é responsável por uma pessoa vir a ter fé e outra não?”. No sistema arminiano, a resposta é a própria pessoa, e não Deus. 

(...) O arminiano sustenta que Deus prevê tanto que alguns crerão quanto que outros não crerão em Cristo em resposta ao Evangelho. Ele também afirma que Deus sabe por que eles respondem com crença ou descrença, pois Deus é onisciente e conhece os segredos e as motivações internas do coração. Deus também conhece aquilo que, na apresentação do Evangelho, terá êxito em convencer alguns a dizer “sim” e o que não terá êxito em persuadir aqueles que dizem “não”.

A pergunta, então, é: se Deus realmente deseja que todos sejam salvos como sustenta o arminiano, e se Ele sabe o que entre os meios de persuasão contidos no Evangelho podem levar as pessoas a responderem “sim”, por que Ele não orquestra a apresentação do Evangelho de tal maneira que ela tenha êxito em convencer todas as pessoas a crerem? Não há dúvidas de que o Deus que conhece perfeitamente cada coração humano é capaz de criar um mundo no qual o Evangelho teria êxito em todos os casos. E se Deus desejou que todos sejam salvos da maneira como o arminiano sustenta, por que não levou todos eles a salvação? 


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Fonte: Texto extraído do capítulo 2 da obra Escolhidos: Uma exposição da doutrina da eleição. 
Compilado por: Thiago Oliveira

Deus elege pessoas baseado na Presciência da Fé?


Por John Hendryx

As Escrituras ensinam que tudo relacionado ao evangelho tem o propósito de glorificar Cristo e destruir o orgulho do homem, ao pensar que pode salvar a si próprio. Por conseqüência, alguma coisa que diminui a glória de Cristo é inconsistente com o verdadeiro evangelho. Então, meu propósito nesta questão não é ser contencioso, mas glorificar a Deus ao alinhar nossos pensamentos com o dEle. Este pequeno artigo se propõe a desafiar a posição antibíblica que alguns evangelistas modernos insistem em pregar: a “presciência da fé” . Eu gostaria especificamente de confrontar essa posição, sustentada por alguns, que creem que Deus observa de fora os corredores do tempo tentando ver quem crerá e então os escolhe baseado na sua resposta positiva a Ele. Eu entendo que um dos grandes motivos para alguns cristãos acreditarem neste conceito é que eles desejam preservar o amor irrestrito de Deus a todos e não podem imaginar um Deus que “arbitrariamente” escolhe alguns e condena o resto. Se a eleição incondicional fosse verdade, argumentam, então porque Deus não salvou todo mundo? Escolher alguns e deixar outros não tornaria Deus arbitrário em Sua escolha? Essas são objeções compreensíveis que eu espero responder no que se segue: 

Se entendo corretamente a ideia da “presciência da fé”, os próximos três pontos expressam corretamente o conceito central que esta posição sustenta:

1 - A salvação dos homens é definitivamente o resultado de suas escolhas ao contrário de uma escolha divina, unicamente.
2 - A eleição é baseada pela presciência divina da fé de certas pessoas e não somente por estar de acordo com Seu desejo e misericordiosa vontade.
3 - A eleição é condicional, baseada na aceitação de Jesus Cristo e não na determinação de Deus, mesmo quando a graça de Deus está certamente envolvida neste processo.

Antes de entrarmos numa discussão dos méritos da racionalidade (lógica), devemos considerar primeiramente que o Cristianismo não é algo que nós deduzimos de uma mera filosofia especulativa. Deus decidiu nos dar faculdades racionais e as ferramentas da lógica; mas, como cristãos, isto deve sempre ser usado dentro dos parâmetros bíblicos que Ele graciosamente nos concedeu. Pensar cristologicamente é reconhecer que podemos saber de Deus somente da forma que Ele revelou-se a nós nas Escrituras; e as Escrituras não dão evidência da doutrina da “presciência da fé”. Portanto, sustentar uma teologia apenas numa inútil lógica humana não é nada mais que tirar os mais profundos fundamentos da nossa fé de fontes extrabíblicas.

Visão Bíblica do Conhecimento

De fato, as Escrituras dizem “...aqueles que [Deus] de antemão conheceu, também os predestinou”, mas seria uma exegese pobre concluir que isto deve significar uma “fé prevista”. É ir bem mais além do que o texto realmente quer dizer. Todos devemos admitir que isto é ler um conceito adicional que simplesmente não está lá, pelo motivo de o texto em questão não dizer que Deus prevê algum evento (nossa fé) ou as atitudes que as pessoas tomam. Pelo contrário, ele diz aqueles que de antemão conheceu...”. Em outras palavras, Paulo informa que Deus prevê pessoas. As Escrituras, toda vez que citam Deus “conhecendo” pessoas, referem-se àqueles em quem o Senhor imputou seu amor. Isto expressa a intimidação do conhecimento pessoal.

Por exemplo, o Senhor diz a Jeremias: “Antes que eu te formasse no ventre teconheci”. Deus determinou de antemão separar certas pessoas por amor, mas não pelas decisões delas (Amós 3:2; Mt. 7:23; João 10:14; 2 Tm 2:19). Na verdade, a Bíblia ensina que a graça de Deus em nos escolher é livre, baseada unicamente em Sua vontade, e não influenciada por capacidades natas, desejo espiritual (Rm 9:16, João 1:13), mérito religioso ou a presciência da fé das pessoas que ele escolheu para Si (Ef 1:5; 2:5,8). Pelo contrário, Deus atua de acordo com Seu supremo propósito, que é Sua própria glória.

A todo aquele que é chamado pelo meu nome, e que criei para minha glória, e que formei e fiz.” (Isaías 43:7)

Inconsistências Lógicas

A partir da falta de evidência bíblica para os defensores da “presciência da fé”, eu também gostaria de evidenciar a falha fatal e a lógica inconsistente da própria pressuposição antibíblica. Enquanto alguns retratam a “fé prevista” como uma dádiva de grande liberdade à livre escolha de todos os homens, após uma reflexão mais profunda, esta ideia mostra que nenhuma liberdade é dada ao homem no final. Ora, se Deus pode olhar o futuro e ver que uma pessoa A virá a Cristo e que a pessoa B não irá crer em Cristo, então esses fatos já estão consumados, eles já foram determinados. A presciência divina da fé e arrependimento dos crentes implica a certeza, ou “necessidade moral” desses atos, tanto quanto um decreto soberano. “Porque aquilo que é certamente previsto deve ser certo” (R.L. Dabney). Se nós assumirmos que o conhecimento divino do futuro é correto (ponto pacífico entre todos os evangélicos), então é absolutamente certo que a pessoa A crerá e a pessoa B não crerá. Não existe qualquer forma de suas vidas tornarem-se diferente disso. Conseqüentemente, é mais que correto dizer que seus destinos já estão determinados, porque não poderiam ser diferentes.
A questão é: pelo que seus destinos são determinados? Se o próprio Deus os determina, então nós não temos eleição baseada na presciência da fé, e sim na vontade soberana do Senhor. Porém, se Deus não determina seus destinos, então quem ou o que os determina? É claro que nenhum cristão diria que existe um ser mais poderoso que Deus controlando o destino dos homens. Portanto, a única alternativa possível é dizer que seus destinos são determinados por alguma força impessoal, algum tipo de sorte, operante no Universo, fazendo todas as coisas agirem como elas agem. Mas, qual o benefício disso? Trocamos, então, a eleição sacrificial em amor, de um Deus pessoal e compassivo, por um tipo de determinismo guiado por uma força impessoal; e Deus deixa de receber a autoridade final para nossa salvação. (Wane Grudem, Systematic Theology).

Além disso, ninguém poderia argumentar consistentemente que Deus previu aqueles que creriam e seriam salvos e também pregar que Deus está tentando salvar todo o mundo. Se Deus sabe quem será salvo, então seria um absurdo Ele acreditar que mais pessoas podem ser salvas que aquelas que Ele previamente sabia que o escolheriam. Seria inconsistente afirmar que Deus está tentando fazer alguma coisa que Ele já sabia que nunca aconteceria. Da mesma forma, ninguém pode consistentemente dizer que Deus previu aqueles que seriam salvos e em seguida ensinar que o Espírito Santo faz tudo que pode para salvar todos os homens do mundo. Por este sistema, o Espírito Santo estaria perdendo tempo e esforço na tentativa de converter um homem que Ele sabia desde o princípio que não O escolheria. O sistema antibíblico desaba por si mesmo.

Alguns poderão responder que não é nem eleição nem fé previstas, mas alguma coisa no meio. Esta opção é excluída, por definição, a não ser que você acredite que Deus não conhece o futuro. Em outras palavras, a única forma da “posição de meio-termo” ser verdade é o caso de limitarmos a onisciência de Deus (uma impossibilidade). Ou Deus sabe e decreta o futuro ou não. Se Deus sabe o futuro e sua posição da fé prevista é verdadeira, então Deus nos deixou nas mãos de um acaso impessoal. Nossas escolhas seriam pré-arranjadas por um determinismo impessoal. Sua posição “coluna do meio” poderia teoricamente ser correta se você afirmar a ignorância de Deus em relação ao futuro, mas então Deus não saberia quem iria escolhê-lo e a teoria inteira se desmancharia pelo fato da “presciência da fé” gerá-la. Concluindo, a não ser que você deseje acreditar que uma força impessoal determina nossa salvação, e que Deus não conhece o futuro (a heresia do Teísmo Aberto), a posição da fé prevista é, ao mesmo tempo, biblicamente e logicamente impossível. Com o propósito de honrar a Deus, nós devemos, neste assunto, originar nossa autoridade das Escrituras e ser cuidadosos para não nos apoiarmos meramente naquilo que nos foi ensinado em nossa igreja.

Antecipando o contra-argumento que isto faria Deus “arbitrário”...  

Primeiramente, eu gostaria de desafiá-lo a confrontar a seguinte passagem. Paulo encontrou a mesma argumentação contra a eleição – que isto faria Deus injusto e arbitrário.

Romanos 9:18-23

"Portanto, Deus tem misericórdia de quem ele quer, e endurece a quem ele quer. Mas algum de vocês me dirá: “Então, por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem resiste à sua vontade?” Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? “Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: ‘Por que me fizeste assim?” O oleiro não tem direito de fazer do mesmo barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso? E se Deus, querendo mostrar a sua ira e tornar conhecido o seu poder, suportou com grande paciência os vasos de sua ira, preparados para a destruição? Que dizer, se ele fez isto para tornar conhecidas as riquezas de sua glória aos vasos de sua misericórdia, que preparou de antemão para glória,"

Para começar, Paulo não faria esta questão hipotética a não ser que ele acreditasse que a determinação final da salvação estava apenas nas mãos de Deus. Paulo está dizendo que Deus tem o o direito supremo de fazer conosco o que Ele quiser. Você irá condená-lo por este direito? Além disso, como nós conhecemos a personalidade de Deus, nós não devemos pensar que, a Seu modo, Deus não tinha razões ou causas para salvar a alguns e outros não – “o propósito divino sempre conspira com a sabedoria de Deus e nada ocorre sem motivos ou despropositadamente, apesar destas razões e causas não terem sido reveladas a nós. Nos Seus conselhos e obras nos quais nenhum propósito é perceptível, este propósito ainda está oculto com Deus. Logo, o que Ele decretou nunca está fora de uma justa e sábia concordância com Seu beneplácito, fundamentado em Seu gracioso amor que nos envolve” (Heppe, Reformed Dogmatics).
Apenas não saber o porquê de Ele escolher alguns para a fé e outros para a descrença não é razão suficiente para rejeitar isto. Na falta de dados relevantes, nós, portanto, não temos razão, ou o que for, para assumir o pior, portanto não há base legítima para duvidar da benignidade de Deus aqui. Conseqüentemente, duvidar que Deus pode escolher-nos baseado somente no seu bel consentimento não é duvidar da bondade de Deus. Os defensores da “presciência da fé” estão, na verdade, dizendo que são incapazes de crer na escolha de Deus e preferem dá-la a seres decaídos, como se eles pudessem tomar uma decisão melhor que Deus. Vamos resumir então a resposta à acusação de Deus ser arbitrário:

As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, o nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre, para que sigamos todas as palavras desta lei.” (Deuteronômio 29:29)

A eleição é baseada nas qualidades morais de Deus (por exemplo: bondade, compaixão, empatia, integridade, não-fingimento, imparcialidade, justiça, etc.)

Deus tem “causas e razões” para Suas escolhas, mesmo que estas sejam “íntimas” dEle (ou seja, desconhecidas nas criaturas). Nós sabemos que o Senhor é bom e portanto podemos confiar que Ele faria uma escolha melhor que as nossas.

Deus não faz nada sem razão. Ele não faz nada despropositadamente. Ele simplesmente não nos revelou estas razões e causas, apesar de elas certamente existirem. Como elas não foram reveladas, estamos proibidos de tentar adivinhá-las. Porém, como conhecemos a fidelidade de Deus, podemos nos regozijar em Sua sabedoria. Deus não falta com razões justas para Seus atos. Estas “razões justas” estão simplesmente ocultas para nós.

Salvação não é condicionada por algo que Deus vê em nós e que nos torna dignos de Sua escolha. NENHUM dos Seus decretos são feitos sem justiça e sabedoria.

Devemos sempre ter em mente que Deus não é obrigado a salvar ninguém e que todos nós somos justamente merecedores de Sua ira. Assim, se Deus salva alguém, é puramente um ato de Sua misericórdia. Todos os evangélicos concordam que seria justiça de Deus pôr toda a humanidade em julgamento. Por que, então, seria injustiça de Sua parte julgar alguns e ter misericórdia do resto? Se seis pessoas me devessem certo valor, por exemplo, e eu perdoasse quatro deles, mas ainda quisesse o pagamento dos outros dois, eu estaria totalmente dentro de meu direito. Quanto mais Deus está? (Leia A Parábola dos Trabalhadores na Vinha – Mateus 20:1-16) .

Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus.” (Romanos 9:16)


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Fonte: Monergismo

Eleição Divina, a escolha da Graça!


Por Hernandes Dias Lopes

Na igreja protestante, há dois segmentos: o Calvinismo e o Arminianismo. O Calvinismo enfatiza a eleição divina; o Arminianismo o livre arbítrio humano. O Calvinismo ensina que Cristo morreu para efetivar nossa salvação; o Arminianismo ensina que Cristo morreu para possibilitar a nossa salvação. Para um arminiano Deus escolhe o homem para a salvação, quando este crê; para um calvinista o homem crê porque foi escolhido. Vamos, examinar, agora, à luz de Efésios capítulo 1, versículo 4, a doutrina da eleição: “Assim como nos escolheu, nele, [em Cristo], antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele…”.
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Em primeiro lugar, o autor da eleição. Deus é o autor da eleição e não o homem. Foi Deus quem nos escolheu e não nós a ele. Na verdade, jamais poderíamos escolher a Deus. Estávamos mortos em nossos delitos e pecados. Éramos ímpios, fracos, pecadores e inimigos de Deus. Por isso, a escolha de Deus é incondicional. Deus não nos escolheu por causa dos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos. Deus não nos escolheu porque éramos bons, mas apesar de sermos maus. Deus não nos escolheu porque cremos em Cristo; cremos em Cristo porque Deus nos escolheu (At 13.48). A fé não é causa da eleição, mas seu resultado. Deus não nos escolheu porque éramos santos; Deus nos escolheu para sermos santos. A santidade não é causa da eleição, mas sua consequência. Deus não nos escolheu por causa da nossas boas obras; Deus nos escolheu para as boas obras. Somos feitura de Deus, criados em Cristo Jesus para as boas obras.
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Em segundo lugar, o tempo da eleição. O apóstolo Paulo diz que Deus nos escolheu antes da fundação do mundo. Não havia em nós qualquer mérito que justificasse essa escolha, uma vez que Deus colocou o seu coração em nós antes de nós colocarmos nosso coração nele. Sua escolha foi livre, soberana, incondicional e cheia de graça. Ele não deixaria de ser Deus pleno e feliz em si mesmo se não tivesse nos escolhido. Mas, ele, por amor, nos amou com amor eterno e nos atraiu para si com cordas de amor. E isso, desde os refolhos da eternidade. Ainda não havia estrelas brilhando no firmamento. Ainda os anjos de Deus não ruflavam suas asas cumprindo as ordens suas ordens. Ainda o sol não havia dado a sua claridade, e Deus já havia nos amado e nos escolhido para a salvação.
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Em terceiro lugar, o agente da eleição. O apóstolo Paulo diz que Deus nos escolheu em Cristo. Ele é o amado de Deus, o escolhido do Pai. Nele somos amados. Nele somos eleitos. Nele somos perdoados. Nele somos remidos. Nele somos salvos. Não há salvação fora de Cristo. Não há nenhum outro nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos. Jesus é único caminho para Deus. Ele é o único Mediador entre Deus e os homens. Jesus é a porta do céu. Não há eleição fora de Cristo. Vivemos pela sua morte. Somos purificados do pecado pelo seu sangue. O mesmo Deus que escolheu nos salvar, elegeu também nos salvar por intermédio de Cristo. Ninguém pode ser salvo e ninguém pode confirmar sua vocação e eleição, a menos que se renda a Cristo e o confesse como Salvador e Senhor.
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Em quarto lugar, o propósito da eleição. O apóstolos Paulo afirma, categoricamente, que Deus nos escolheu em Cristo, para sermos santos e irrepreensíveis. Se o autor da eleição é Deus, se a causa da eleição é a graça divina, se o agente da eleição é Cristo, o propósito da eleição é a santidade. Deus não nos escolheu para vivermos no pecado; mas para sermos libertos do pecado. Cristo não morreu para que aqueles que permanecem em seus pecados tenham a vida eterna; ele morreu para que todo o que nele crê seja santo com Deus é santo. Se a santidade não é a causa da eleição, é sua evidência mais eloquente. Ninguém pode afirmar que é um eleito de Deus, se não há evidências de santidade em sua vida. Por isso, a Palavra de Deus é oportuna em nos exortar: “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição…” (2Pe 1.10).

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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Como confiar em um Deus que permite que eu sofra?


Pergunta: Já faz um bom tempo que tenho tido alguns sofrimentos em minha vida, principalmente na área financeira. Sempre busco a Deus pedindo que me liberte desse sofrimento, mas nada acontece. Estou desanimada, como posso manter a minha fé em Deus se Ele permite que eu sofra? Ele é o todo poderoso, poderia acabar com meu sofrimento agora mesmo! Por que não faz isso?

A palavra mais forte do seu depoimento é sofrimento. Uma palavra que deixa qualquer ser humano de cabelo em pé. Isso porque amamos os prazeres e as sensações que nos trazem o máximo de bem estar possível. Costumamos rejeitar grande parte dos sofrimentos que passamos na vida e taxá-los de algo ruim, de algo que não pode vir de um Deus bom. Inclusive, costumamos associar as bênçãos de Deus apenas com coisas que achamos “boas” ou “prazerosas” para nós, ou seja, que não nos tragam qualquer tipo de sofrimento.

Logo, pela lógica humana, é bem estranho confiar em um Deus que permite que eu sofra estando em Suas mãos o proporcionar aquilo que me agrada! Daí surge a questão: como posso ter fé em um Deus que me permite sofrer? Como sempre a Bíblia coloca as questões nos seus devidos lugares. Vejamos juntos:

(1) Na Bíblia vemos narrados diversos tipos de sofrimentos passados tanto por ímpios quanto pelo próprio povo de Deus. As causas mais comuns apresentadas pela Bíblia são a justiça de Deus sobre povos ímpios, a correção de Deus sobre seu povo quando este está desviado do Seu caminho e o ensino de Deus para o crescimento dos Seus servos. Ou seja, vemos claramente que o sofrimento nunca é apresentado na Bíblia como um capricho de Deus para com os homens. O sofrimento sempre tem motivo e objetivo, logo, não podemos olhar para o sofrimento apenas com um olhar de maldição como se ele fosse algo que não pudesse existir na vida daqueles que têm fé em Deus, como se ele fosse incompatível com as bênçãos de Deus.


(2) Falando mais especificamente sobre o sofrimento na vida dos servos de Deus (que é o seu caso), vemos se repetir muito na Bíblia um título muito importante atribuído a Deus: Pai. Esse título diz muito. Isso porque o pai (terreno) tem a função principal (e mais difícil) de educar, de edificar o filho inexperiente e torná-lo uma pessoa de bem (pelo menos é isso que se espera). Para realizar tal tarefa o pai precisará dizer muitos nãos ao filho, precisará discipliná-lo quando este agir erroneamente, precisará cobrar dele atitudes corretas, etc. Precisará ser pai. Tudo isso certamente trará sofrimentos ao filho, isso é fato, pois o filho deseja em seu coração receber somente aquilo que gosta do pai. Mas se o pai der ao filho somente o que ele gosta não cumprirá sua missão para com o filho, antes, criará um monstro. Deus é o nosso Pai maior, por isso, não criará monstros, antes nos dará aquilo que precisamos para crescermos, ainda que isso nos traga sofrimentos. Veja o que a Bíblia diz: “É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige?” (Hb 12. 7)


(3) A grande chave para lidar com o sofrimento é como o encaramos. Se o encararmos sendo algo que vem de Deus (nosso Pai) com algum propósito, certamente conseguiremos extrair do sofrimento algo de valor, exatamente o que Deus deseja que extraiamos, conforme nos ensina a Palavra: “Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça.” (Hb 12.11).

(4) Não podemos negar que algumas vezes sofremos sem compreender muito bem o porquê daquele sofrimento. Foi o caso de Jó, que é descrito como sendo um homem íntegro e reto e que em nossa visão não mereceria o sofrimento que viveu. O que chama a atenção é que Jó não blasfemou contra Deus mesmo em meio a um sofrimento ímpar, e ao final de todo o terrível sofrimento que passou, vemos que ele declara certa compreensão do que aprendeu com todo aquele sofrimento, ainda que não soubesse os reais motivos: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem.” (Jó 42. 5). Jó aprendeu algo. Tirou algo de positivo do seu sofrimento. Essa é a forma bíblica de passar pelo sofrimento, mesmo aqueles que não compreendamos bem.

(5) Assim, concluo que é essencial termos fé no Deus que permite que soframos. Essa fé nos levará a compreender e atingir o objetivo de Deus em nosso sofrimento. E essa atitude é louvada na Bíblia, conforme vemos em Isaías 26.16: “SENHOR, na angústia te buscaram; vindo sobre eles a tua correção, derramaram as suas orações.”. Revoltar-se contra Deus e permitir que a nossa fé se esfrie só trará mais sofrimentos, o que ninguém deseja, nem o Pai. Ao contrário, o sofrimento deve nos fazer mais fortes conforme bem observou Paulo: “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.” (2Co 12. 10).

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por André Sanchez
Fonte: Esboçando Ideias

domingo, 18 de outubro de 2015

Chorando por Jerusalém: Um Comentário de Lucas 19.41-44




Por Steve Hays


“E quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! mas agora isso está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados, e te derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visitação.” (Lucas 19.41-44)

Aqui temos um texto de prova arminiano. A princípio, há duas formas de entender a passagem.

1. A perspectiva de Deus

Nesta visão, a passagem não é apenas uma reflexão do ponto de vista de Cristo, mas o ponto de vista de Deus. Uma janela para a atitude de Deus em direção ao perdido.

Vamos admitir esse entendimento para o desenvolvimento do argumento. O problema é: os Judeus de Jerusalém não eram as únicas pessoas a sofrer ou morrer no cerco e saque de Jerusalém. Muitos soldados romanos foram mutilados ou mortos naquela operação. No entanto, Jesus não chora por eles. Ele não chora pelos agressores.

Talvez você diria que os soldados romanos não têm direito a simpatia. Mas isto é inconsistente com a ênfase arminiana na onibenevolência de Deus.

Além disso, Roma nunca teve um exercito só de voluntários. O exército romano incluía muitos recrutas forçados. Daí há um sentido no qual as vítimas romanas são tão vítimas quanto as vítimas judaicas. E não é como se os judeus caíssem sem luta. Eles levaram vários judeus com eles.

Então, se o texto revela a perspectiva de Deus, ele revela sua preocupação seletiva pelo povo escolhido. Se nós admitirmos a premissa arminiana (isto é, ele reflete a perspectiva de Deus), então ele se torna um texto de prova para a parcialidade do amor divino. Uma premissa arminiana produz uma conclusão calvinista.

2. A perspectiva de Cristo

Nem tudo o que é verdadeiro sobre Deus encarnado (o filho) é verdadeiro sobre Deus desencarnado (o Pai e o Espírito). Devido às duas naturezas de Cristo, algumas coisas serão verdadeiras de Cristo que não serão verdadeiras de Deus enquanto Deus.

Logo, esta passagem pode bem refletir a humanidade de Cristo. Seus sentimentos humanos. Seus afetos humanos. Sua empatia natural por seu próprio povo: o povo judeu. Um senso de solidariedade com seus pais. Sua família estendida.

Você chora quando sua própria mãe morre; você não chora quando toda mãe morre.

A encarnação faz uma diferença: “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.”

Se, à parte da encarnação, Deus tem a mesma perspectiva, então a encarnação é supérflua— pois a natureza divina pode fazer o “truque” todo por si só. E isto é amplificado pelos arminianos que rejeitam a substituição penal. Neste caso, há ainda menos lógica para a encarnação.



Fonte: http://triablogue.blogspot.com.br/2014/07/weeping-for-jerusalem.html

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Os Dons do Espírito Santo: Significado e Duração!

Os dons do Espírito Santo, seu significado e continuidade, estão entre os temas mais debatidos dentro do contexto evangélico. É nesse campo que ocorrem os maiores excessos na forma de agir de muitos crentes e é também por causa dessa discussão que terríveis divisões acontecem nas igrejas.

De tudo isso decorre a necessidade de entender bem o que são os dons do Espírito Santo, bem como seu propósito, duração e forma de funcionamento. De fato, a história já demonstrou satisfatoriamente que a má compreensão desses assuntos traz prejuízos desastrosos para o povo de Deus. No Novo Testamento, há três passagens em especial que apresentam listas de dons espirituais. A primeira é Romanos 12.6-8 que menciona os sete itens alistados a seguir.


Profecia
O profeta era alguém que recebia revelações diretas de Deus e as transmitia aos homens de forma inerrante e infalível. No NT, as revelações proféticas eram predominantemente doutrinárias, ou seja, os profetas revelavam verdades divinas ocultas de outras gerações. Essas verdades eram também chamadas de mistérios (Ef 3.4,5). Só mui raramente os profetas traziam revelações sobre o futuro ou sobre a vida particular de alguém e, ao que parece, só o faziam quando o que era revelado tinha forte impacto sobre a igreja como um todo (At 11.28; 21.10,11).
Os profetas tinham como função primária lançar as bases doutrinárias, éticas e funcionais da igreja (Ef 2.20). Como essas bases foram todas lançadas nos tempos dos apóstolos, os profetas deixaram de existir já no fim do século 1. O dom de profecia, portanto, não existe mais.

Serviço
É possível que esse dom abranja a habilidade dada por Deus de realizar bem aqueles trabalhos que são considerados inferiores pelas pessoas em geral. Nem todos são capazes de fazer esses serviços com qualidade. Por isso, Deus dotou alguns homens e mulheres da igreja com uma capacidade especial para realizar tarefas dessa natureza em favor dos santos.

Ensino
Trata-se da capacidade de transmitir a verdade de Deus à igreja com clareza e autoridade, promovendo sua edificação e amadurecimento. Através dos mestres, a igreja é protegida das falsas doutrinas e adquire base teológica para viver com retidão e santidade.

Exortação
Esse dom abrange o trabalho de consolar, animar e encorajar. Os cristãos geralmente são abalados não somente pelos problemas comuns da vida, mas também por ataques e dificuldades que lhes sobrevêm por causa da fé. Por isso, para que seu povo não fique à mercê do conselho de incrédulos, o Senhor concede esse dom a alguns crentes, a fim de que os santos encontrem neles amparo, alívio e amizade.

Contribuição
A referência aqui é à tarefa de distribuir. Sendo a igreja de Cristo formada por muitas pessoas pobres, há entre os santos aqueles cujo coração Deus dotou com a disposição constante de assistir os necessitados. Paulo diz que essas pessoas devem fazer isso generosamente. Outrossim, os crentes que têm esse dom devem se vigiar para que, no seu exercício, não sejam levados pelo desejo de ser admirados pelos homens (Mt 6.1).

Liderança
A prática desse dom envolve a administração de recursos da igreja e a direção geral da comunidade cristã local. A igreja não foi deixada por Deus à mercê das preferências de cada membro, pois isso a lançaria na desordem total (Jz 17.5,6). Antes, o Senhor lhe concedeu pessoas capazes de liderá-la, apontando seus alvos e o modo como devem ser atingidos. De acordo com Paulo, os líderes devem realizar seu trabalho com toda diligência, zelando para que seu dom não seja negligenciado.

Misericórdia
A pessoa que tem esse dom se vê disposta a mostrar favor a seus irmãos que sofrem porcausa de doenças, perdas, decepções e tragédias. Por se tratar de uma tarefa pesada e, às vezes,bastante desagradável, pode acontecer de algum crente ter esse dom e passar a exercê-lo com pesar. Por isso, Paulo diz que os irmãos que têm o dom de misericórdia devem exercê-lo com alegria.
Conforme se vê, entre os dons alistados aqui somente o de profecia não existe mais. Com efeito, não há nenhum indício ou razão na Escritura que nos leve a afirmar que os demais também deixaram de existir.
Na verdade, o próprio viver diário da igreja mostra sua permanência viva até os dias de hoje. A Primeira Carta de Paulo aos Coríntios traz a maior lista de dons espirituais do Novo Testamento. São nove no total e se encontram em 1Coríntios 12.8-10. Essa lista de dons é a que mais tem causado controvérsias no meio evangélico, especialmente no tocante à atualidade de cada item alistado. A seguir são elencados todos esses dons, com uma breve exposição relativa ao seu significado e duração.

Palavra de sabedoria
A pessoa que tem esse dom diz palavras de sabedoria divina em contraste com os indivíduos que promulgam filosofias vãs ou palavras de sabedoria humana (1Co 2.6-7,13; 3.19). Os temas centrais abordados por quem tem o dom da palavra de sabedoria são a graça de Deus (2Co 1.12) e, especialmente, a cruz de Cristo (1Co 1.17,23-24). Esse dom, portanto, é fundamental para quem exerce o trabalho de evangelismo (1Co 1.17; 2.1). Num sentido mais estrito, a palavra de sabedoria também abrange a revelação de mistérios doutrinários trazidos à luz no tempo do Novo Testamento pelos apóstolos (1Co 2.7-13). Nesse sentido estrito, a palavra de sabedoria não existe mais, permanecendo apenas a sua expressão geral, ou seja, a capacidade de interpretar a realidade à luz da graça e da cruz do Senhor, expondo isso verbalmente aos outros no evangelismo e no ensino da igreja.

Palavra de conhecimento
É difícil saber o que Paulo tinha em mente quando fez distinção entre a palavra de sabedoria e a palavra de conhecimento. Porém, parece correto que a palavra de conhecimento se relaciona ao modo como se deve agir na prática da vida cristã. Se for esse o caso, esse dom é útil para conduzir a igreja ao crescimento na compreensão da sã doutrina, a fim de fazê-la abandonar comportamentos imaturos ou errados (1Co 8.7; 15.33,34).

Não se trata da fé salvadora, pois essa é um dom dado a todos os crentes (Ef 2.8). O dom da fé aqui mencionado é, provavelmente, uma convicção de origem sobrenatural de que Deus vai agir de forma especial numa determinada situação, quer por veículos naturais, quer por meios milagrosos (1Co 13.2).
Essa confiança firme faz o crente agir como se o que espera estivesse mesmo prestes a se realizar (Hb 11.7-12). Não se deve confundir esse dom com mero otimismo ou com alguma forma de se autoiludir. O dom da fé é dado por Deus e gera uma surpreendente onda de confiança real no coração da pessoa.

Curas e operação de milagres
Os dons de curas eram capacidades dadas por Deus a alguns crentes de erradicar doenças, com o fim de servi-lo. O uso do plural (“dons de curar”) dá margem para formas diferentes de cura, o que pode abranger, além do milagre, o uso de meios naturais como remédios e cuidado médico. Já o dom de operação de milagres, conforme geralmente é entendido, consistia em realizar maravilhas fora da ordem natural das coisas. Parece certo dizer que o dom de curas, em sua expressão sobrenatural, era uma categoria mais específica do dom de operação de milagres que abrangia prodígios num sentido mais geral. Feitos sobrenaturais foram muito comuns na fase inaugural da igreja primitiva (At 5.15,16; 6.8; 8.13). Porém, em poucos anos essa fase começou a apresentar indícios de esfriamento (Fp 2.26,27; 1Tm 5.23; 2Tm 4.20).
A razão disso é que as curas sobrenaturais e os milagres tinham por objetivo autenticar a mensagem nova que estava sendo pregada (At 14.3; Hb 2.4), não havendo necessidade dessa autenticação se perpetuar. Por isso, não se veem hoje pessoas com dons de realizar curas ou feitos milagrosos. Isso, contudo, não significa que o Senhor, eventualmente, não faça obras grandiosas além da compreensão humana. Antes, significa que, quando Deus realiza feitos assim, ele o faz em resposta à oração dos crentes em geral e não por meio de indivíduos dotados por ele com capacitações sobrenaturais (Tg 5.14-18).

Profecias
Veja-se o que foi exposto no início. Deve-se apenas acrescentar aqui que uma das
responsabilidades da igreja no tocante aos profetas era avaliar o que eles diziam, comparando suas revelações com as verdades que o Senhor já havia transmitido (1Co 14.29). De fato, os profetas deveriam profetizar de acordo com a “proporção da fé” (Rm 12.6), ou seja, suas profecias deveriam se harmonizar com a doutrina cristã já fixada.

Discernimento de espíritos
Esse dom não consiste em descobrir os nomes ou as supostas áreas de atuação de demônios como alguns tendem a crer. Antes, é a capacidade de discernir a origem de uma mensagem ou ensino, isto é, trata-se do dom de discernir o que realmente procede do Espírito Santo.
Assim, o crente dotado desse dom detecta se o que está sendo dito (com todos os seus desdobramentos práticos) é de origem divina ou é uma doutrina demoníaca (ou meramente humana) propagada por falsos mestres (1Tm 4.1,2; 1Jo 4.1-6). Não existe qualquer indício na Escritura ou na história do cristianismo que aponte para o desaparecimento desse dom, sendo vital a sua permanência na igreja cristã de todas as épocas.

Variedade de línguas e interpretação
O dom de línguas era a capacidade dada pelo Espírito Santo a alguns crentes de falar sobre as grandezas de Deus em um idioma humano jamais aprendido por quem falava (At 2.7-11). Ao definir esse dom, Paulo citou Isaías 28.11,12, identificando-o, assim, como um sinal de juízo contra judeus incrédulos que rejeitavam a mensagem de Deus (1Co 14.21,22). De fato, Deuteronômio 28.46,49diz que ouvir uma língua desconhecida seria um sinal do juízo de Deus contra Israel sempre que esse povo rejeitasse sua mensagem. Ora, Israel rejeitou o Filho (At 7.51-53).
Por isso, Deus usou a igreja para fazer com que os judeus ouvissem línguas que não entendiam como sinal do juízo que estava por vir. Esse juízo foi predito por Jesus (Mt 23.37-39) e chegou no ano 70 por mãos do general romano Tito. Uma vez que o castigo contra Israel sinalizado pelas línguas ocorreu, esse dom deixou de ser necessário e desapareceu. Obviamente, o fim do dom de línguas trouxe também o fim do dom de interpretação.
A terceira e última lista de dons que aparece no Novo Testamento encontra-se em Efésios 4.11. Na verdade, os dons ali mencionados designam funções dadas a algumas pessoas da igreja com vistas ao preparo dos crentes para o serviço de Deus, a fim de que o corpo de Cristo seja edificado e seus membros não se tornem semelhantes a meninos facilmente induzidos, “levados ao redor por qualquer vento de doutrina” (Ef 4.12-14).

A lista é pequena e se encontra em Efésios 4.11

Apóstolo
Num sentido geral, o apóstolo era simplesmente um missionário pioneiro. Nesse sentido, Barnabé, por exemplo, foi chamado de apóstolo (At 14.14). Num sentido técnico, porém, esse termo tinha abrangência bastante limitada, designando apenas aqueles que viram o Senhor ressurreto e foram investidos diretamente por ele na função apostólica (At 1.21,22; 1Co 9.1; Gl 1.1), recebendo também, da parte de Deus, revelações doutrinárias especiais que servem como fundamento doutrinário para a igreja de todas as épocas (Ef 2.20; 3.4,5). Nesse sentido restrito, os apóstolos só existiram no século 1 e foram apenas doze (Ap 21.14). As marcas distintivas desse pequeno grupo eram as seguintes:
1. Eles eram missionários pioneiros (Rm 15.20; 2Co 10.13-16).
2. Eles eram testemunhas oculares da ressurreição (1Co 9.1; 15.8).
3. Eles não se autoinvestiam na função apostólica (Rm 1.5; 2Co 11.13; Ap 2.2).
4. Eles realizavam prodígios milagrosos (2Co 12.12).
5. Eles não entravam nessa função através de outros homens, mas somente por ordem direta de Cristo (Gl 1.1,11,12). A exceção no caso de Matias (At 1.21-26) ocorreu provavelmente por causa do caráter provisório de seu papel como décimo segundo apóstolo.
6. Eles eram canais de revelação doutrinária inédita (1Co 15.3; Ef 3.4-6).
7. Eles eram colocados por Deus numa posição de desprezo, miséria e sofrimento (1Co 4.9-13).
Se alguém não apresentasse essas marcas, poderia ser chamado de apóstolo no sentido não técnico, isto é, poderia ser, no máximo, um missionário pioneiro. Para ser, contudo, um apóstolo no sentido estrito, cada uma dessas marcas devia ser real em sua vida.
É importante destacar que o apóstolo, no sentido estrito, já nos tempos do Novo Testamento foi perdendo sua posição de liderança absoluta na igreja, cedendo lugar aos bispos ou pastores. Isso pode ser visto claramente no modo como a forte liderança de Pedro é nublada pelo decisivo governo de Tiago, que não fazia parte dos Doze. De fato, Pedro mostra até temor diante de uma comitiva que Tiago enviou
a Antioquia (Gl 2.11-13) e, no Concílio de Jerusalém, a palavra final foi de Tiago e não de Pedro ou mesmo de Paulo (At 15.13ss). Isso dá indícios de uma mudança de primazia já na igreja primitiva que,aos poucos, foi substituindo a liderança apostólica pela pastoral. Afinal, com a morte dos Doze, já no século 1, o cargo de apóstolo, no sentido estrito, desapareceu de maneira definitiva.

Profeta
Veja-se nos artigos anteriores as considerações relativas ao dom de profecia.

Evangelista
É alguém que proclama as Boas Novas. Nos tempos do Novo Testamento designava especialmente missionários itinerantes que iam de cidade em cidade anunciando a mensagem de Cristo (At 8.5,26,40; 3Jo 1.7), embora o termo também seja aplicado a indivíduos que tinham um ministério fixo num determinado lugar (2Tm 4.5). Não há no Novo Testamento nenhum indício do fim do dom de evangelista.

Pastor mestre
Essa expressão pode designar duas funções distintas (pastores e mestres) ou somente a função do ministro que se ocupa de pastorear e ensinar a igreja. O artigo definido que consta do texto grego aponta para a segunda opção, realçando a dupla responsabilidade que recai sobre os pastores, a saber, o cuidado e a instrução do povo de Deus (At 20.28; 1Pe 5.2,3). O dom de pastor e mestre não apresenta nenhum sinal de ter pertencido somente aos tempos apostólicos, sendo seu exercício real e importante na igreja de todos os tempos.Seja qual for o dom que um crente tenha recebido do Senhor, isso se encaixará em uma de duas categorias: ou será um dom de palavra ou um dom de serviço (1Pe 4.10,11). Se o dom for de palavra, então o crente deverá exercê-lo em harmonia com o que o Senhor revelou, jamais transmitindo à igreja apenas noções ou impressões pessoais. Se o dom for de serviço, o crente deverá realizá-lo não a partir de sua disposição individual, sempre oscilante, mas na força que Deus supre. Em todo caso, o uso dos dons do Espírito Santo deve ser feito de tal modo que a igreja toda seja servida (1Pe 4.10) e, no final,
Deus, por meio de Jesus Cristo, seja glorificado (1Pe 4.11).

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Orar no monte ou na igreja faz com que a oração tenha mais poder?

PerguntaTenho alguns amigos que gostam muito de orar no monte. Segundo eles orar lá no monte é diferente, é algo muito mais poderoso do que orar apenas em casa. Eu gostaria de saber se isso existe mesmo, se a oração feita em um monte ou na igreja tem mais força que a oração feita em casa, por exemplo.

Muito oportuna sua pergunta, já que hoje está voltando com muita força uma prática de tempos atrás, onde as pessoas afirmavam que orações feitas no monte são diferentes, são mais poderosas e até mais ouvidas por Deus do que orações feitas em outros lugares.


Mas será que isso é bíblico? Vamos analisar e compreender a questão:

A oração em regiões de montanhas era muito comum entre o povo judeu, principalmente por causa da geografia de seu território que favorecia tal prática devido à quantidade de montes. Outro fator interessante foram as grandiosas coisas que Deus fez e que envolviam os montes. Por exemplo, os dez mandamentos foram dados a Moisés no Monte Sinai. Elias venceu os 450 profetas de Baal no Monte Carmelo, quando Deus mandou fogo do céu ali. O templo de Salomão também foi construído nas regiões montanhosas de Jerusalém. Vemos também Jesus várias vezes usando os montes como local de suas orações: “E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar à parte. E, chegada [ já ] a tarde, estava ali só.” (Mt 14:23)

Por esses e outros motivos, os montes aparecem na Bíblia com muita frequência relacionados a momentos especiais e poderosos de comunhão com Deus. Parece óbvio entender que, por causa desses fatos bíblicos, os montes teriam “algo de especial” para oferecer em termos de comunhão com Deus e poder. É o que muitos entendem e, por esse fato, estão sempre buscando montes para orar tentando alcançar um poder maior em suas orações. Já vi muitos pastores na Internet e na TV coletando nomes para levar ao monte a fim de interceder e prometendo mais poder nesse tipo de oração.

Porém, a Bíblia não aponta que lugares concedam mais poder a oração. Ou seja, não há nada na Bíblia que diga que no meu quarto a oração é mais fraca do que em um monte. Ou que se eu orar na igreja minha oração será atendida, mas se eu orar na sala de casa não será.

Interessante notar que quando Jesus orientou seus discípulos a respeito da oração usou a figura do quarto como exemplo de um bom lugar para orar: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mt 6.6). É evidente que Jesus não estava aqui apontando que lugares conferem poder a oração. Ele estava tratando o caráter de comunhão e verdade entre o que ora e Deus. E também estava cutucando os hipócritas que oravam com o fim de serem vistos e tratados como mais espirituais que os outros. O foco de Jesus era a forma correta de orar e não lugares. Apesar de gostar de orar no monte e em lugares solitários, Jesus nunca atribuiu poder aos lugares, mas ao exercício da fé dos que oravam.

Só a título de curiosidade temos registrado na Bíblia orações em diferentes lugares: No cenáculo (At 9.40); A beira mar (At 20.36-38); Dentro da água (Lc 3.21); No terraço de uma casa (At 10.9). Também podemos destacar que a oração modelo dada por Jesus, o Pai Nosso, não apresenta indicações de lugares para ser realizada.

Dessa forma, concluímos que lugares não conferem qualquer status de poder a oração. É obvio que lugares proporcionam experiências melhores ou piores para alguma prática. Por exemplo, andar de carro é definitivamente melhor em um autódromo que em uma rua esburacada. Assim, montes e outros lugares cercados de natureza, proporcionam uma atmosfera de paz e tranquilidade que favorece a nossa comunhão com Deus e nosso foco. Mas esse fato não determina que uma oração seja ou não “forte”.

A oração sincera de uma pessoa a de Deus, independente de lugar, será ouvida pelo Senhor, que decidirá e dará sempre a última palavra em sua resposta. Como nos disse bem Tiago: “…Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.” (Tg 5:16).


por André Sanchez
Fonte: Esboçando Ideias

O Reino Milenial de Cristo

Haverá verdadeiramente um reino milenial depois que Cristo voltar? (Expondo as verdades da doutrina Amilenista) Apocalipse 20:1-1...