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domingo, 18 de outubro de 2015

Jerusalém, Jerusalém! (Um comentário de Mateus 23.37)


Por Steve Hays
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos, e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido cúmplices no derramar o sangue dos profetas. Assim, vós testemunhais contra vós mesmos que sois filhos daqueles que mataram os profetas. Enchei vós, pois, a medida de vossos pais. Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno? Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas: e a uns deles matareis e crucificareis; e a outros os perseguireis de cidade em cidade; para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que mataste entre o santuário e o altar. Em verdade vos digo que todas essas coisas hão de vir sobre esta geração. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, apedrejas os que a ti são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não o quiseste!” (Mateus 23-37)

1) Mateus 23.37 é um texto de prova arminiano. Há um contraste entre “eu quis” mas “tu não quiseste”.

2) Uma questão é o sentido no qual Deus/Jesus “quis” ajuntá-los. Qual é a natureza desta ação divina? Como ela é expressa? De modo semelhante, em que sentido ela é rejeitada?

Um problema é que as edições da Bíblia tipicamente separam o v. 37 dos versos anteriores. Esta formatação rompe o fluxo do argumento. Mas no contexto, o v. 37 continua o tema de Deus enviar os profetas para Israel. Então o sentido no qual Deus “quis” é enviando os profetas. E o modo pelo qual “tu não o quiseste” é ao rejeitar os profetas de Deus.  

Porém, rejeitar a palavra profética é perfeitamente consistente com a predestinação. Na verdade, nós temos exemplos bíblicos explícitos de Deus endurecendo o público para assegurar sua falta de receptividade.

3) Há também um surpreendente paralelo entre Mt 11 e Mt 23. Em ambos os casos, Cristo repreende as cidades por rejeitarem a correção profética.

“Então começou ele a lançar em rosto às cidades onde se operara a maior parte dos seus milagres, o não se haverem arrependido, dizendo: Ai de ti, Corazin! ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom, se tivessem operado os milagres que em vós se operaram, há muito elas se teriam arrependido em cilício e em cinza. Contudo, eu vos digo que para Tiro e Sidom haverá menos rigor, no dia do juízo, do que para vós. E tu, Cafarnaum, porventura serás elevada até o céu? até o hades descerás; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje. Contudo, eu vos digo que no dia do juízo haverá menos rigor para a terra de Sodoma do que para ti.” (Mt 11.20-24)

No entanto, a rejeição deles é no fim das contas atribuída à ação divina:

“Naquele tempo falou Jesus, dizendo: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece plenamente o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece plenamente o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.”
Há uma distinção entre ver e perceber. Todos eles viram os seus milagres, mas nem todos responderam adequadamente. A percepção humana é um resultado da revelação divina, enquanto que a visão humana sem a percepção é um resultado da ocultação divina. A iluminação interior ausente, evidência externa não produz crença. A resposta favorável ou desfavorável é delineável à ação divina.

O complemento para Mt 23.37 é Lc 19.41:

“E quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! mas agora isso está encoberto aos teus olhos.” (Lc 19.41-42)

Como eu já destaquei, O v. 41é problemático para os arminianos: (veja aqui)

Mas a dificuldade (para os arminianos) é intensificada pelo v. 42. O uso do passivo divino e o motivo do endurecimento divino. Como um comentarista explica:

“O significado é provavelmente “Deus escondeu” da vista (espiritual) de Jerusalém, e isto se torna evidente pela destruição dela (pois o v. 43 é hoti= “porque”). Em uma típica combinação bíblica do pensamento de que os judeus são responsabilizados pela queda da cidade (eles poderiam ter conhecido), enquanto ao mesmo tempo é o resultado do decreto divino.” C. F. Evans, St. Luke (Trinity Press 1990), 684. 



Fonte: http://triablogue.blogspot.com.br/2014/07/o-jerusalem-jerusalem.html

Chorando por Jerusalém: Um Comentário de Lucas 19.41-44




Por Steve Hays


“E quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! mas agora isso está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados, e te derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visitação.” (Lucas 19.41-44)

Aqui temos um texto de prova arminiano. A princípio, há duas formas de entender a passagem.

1. A perspectiva de Deus

Nesta visão, a passagem não é apenas uma reflexão do ponto de vista de Cristo, mas o ponto de vista de Deus. Uma janela para a atitude de Deus em direção ao perdido.

Vamos admitir esse entendimento para o desenvolvimento do argumento. O problema é: os Judeus de Jerusalém não eram as únicas pessoas a sofrer ou morrer no cerco e saque de Jerusalém. Muitos soldados romanos foram mutilados ou mortos naquela operação. No entanto, Jesus não chora por eles. Ele não chora pelos agressores.

Talvez você diria que os soldados romanos não têm direito a simpatia. Mas isto é inconsistente com a ênfase arminiana na onibenevolência de Deus.

Além disso, Roma nunca teve um exercito só de voluntários. O exército romano incluía muitos recrutas forçados. Daí há um sentido no qual as vítimas romanas são tão vítimas quanto as vítimas judaicas. E não é como se os judeus caíssem sem luta. Eles levaram vários judeus com eles.

Então, se o texto revela a perspectiva de Deus, ele revela sua preocupação seletiva pelo povo escolhido. Se nós admitirmos a premissa arminiana (isto é, ele reflete a perspectiva de Deus), então ele se torna um texto de prova para a parcialidade do amor divino. Uma premissa arminiana produz uma conclusão calvinista.

2. A perspectiva de Cristo

Nem tudo o que é verdadeiro sobre Deus encarnado (o filho) é verdadeiro sobre Deus desencarnado (o Pai e o Espírito). Devido às duas naturezas de Cristo, algumas coisas serão verdadeiras de Cristo que não serão verdadeiras de Deus enquanto Deus.

Logo, esta passagem pode bem refletir a humanidade de Cristo. Seus sentimentos humanos. Seus afetos humanos. Sua empatia natural por seu próprio povo: o povo judeu. Um senso de solidariedade com seus pais. Sua família estendida.

Você chora quando sua própria mãe morre; você não chora quando toda mãe morre.

A encarnação faz uma diferença: “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.”

Se, à parte da encarnação, Deus tem a mesma perspectiva, então a encarnação é supérflua— pois a natureza divina pode fazer o “truque” todo por si só. E isto é amplificado pelos arminianos que rejeitam a substituição penal. Neste caso, há ainda menos lógica para a encarnação.



Fonte: http://triablogue.blogspot.com.br/2014/07/weeping-for-jerusalem.html

O Reino Milenial de Cristo

Haverá verdadeiramente um reino milenial depois que Cristo voltar? (Expondo as verdades da doutrina Amilenista) Apocalipse 20:1-1...