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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Tragédias, mais uma vez: Deus e Patrícia


Toda vez que uma catástrofe ou tragédia de grande proporção atinge o mundo retorna à blogosfera a questão do mal e do sofrimento dos inocentes em um mundo governado por um Deus bom e Todo-Poderoso. É o caso do furacão Patrícia, que a partir de hoje está previsto causar uma enorme destruição e a morte de dezenas de pessoas no México. 


De longa data o mal que existe no mundo vem sendo usado como uma tentativa de se provar de que Deus não existe, ou se existe, não é bom. E se for bom, não é todo-poderoso - esta última hipótese defendida pelo teísmo aberto.

"Onde estava Deus quando estas tragédias aconteceram?" é a pergunta de pessoas revoltadas com o fato de que centenas de pessoas boas, desprevenidas, cidadãos de bem, foram apanhados numa tragédia e morreram de forma terrível, deixando para trás famílias, filhos, entes queridos.

Eu entendo a preocupação com o dilema moral que tragédias representam quando vistas a partir do conceito cristão histórico e tradicional de Deus. Se Deus é pessoal, soberano, todo-poderoso, onisciente, amoroso e bom, como então podemos explicar a ocorrência das tragédias, calamidades, doenças, sofrimentos, que atingem bons e maus ao mesmo tempo?

Creio que qualquer tentativa que um cristão que crê que a Bíblia é a Palavra de Deus faça para entender as tragédias, desastres, catástrofes e outros males que sobrevêm à humanidade, não pode deixar de levar em consideração dois componentes da revelação bíblica, que são:

  • A realidade da queda moral e espiritual do homem 
  • O caráter santo e justo de Deus.

Lemos em Gênesis 1—3 que Deus criou o homem, macho e fêmea, à sua imagem e semelhança, e que os colocou no jardim do Éden, com o mandamento para que não comessem do fruto proibido. O texto relata como eles desobedeceram a Deus, seduzidos pela astúcia e tentação de Satanás, e decaíram assim do estado de inocência, retidão e pureza em que haviam sido criados. As conseqüências, além da queda daquela retidão com que haviam sido criados, foram a separação de Deus, a perda da comunhão com ele, e a corrupção por inteiro de suas faculdades, como vontade, entendimento, emoções, consciência, arbítrio. Pior de tudo, ficaram sujeitos à morte, tanto espiritual, que consiste na separação de Deus, como a física e a eterna, esta última sendo a separação de Deus por toda a eternidade.

Este fato, que chamamos de “queda,” afetou não somente a Adão e Eva, mas trouxe estas conseqüências terríveis a toda a sua descendência, isto é, à humanidade que deles procede, pois eles eram o tronco e a cabeça da raça humana. Em outras palavras, a culpa deles foi imputada por Deus aos seus filhos, e a corrupção de sua natureza foi transmitida por geração ordinária a todos os seus descendentes.

Desde cedo na história da Igreja cristã esta doutrina, que tem sido chamada de “pecado original”, foi questionada por gente como Pelágio, que afirmava que o pecado de Adão e Eva afetou somente a eles mesmos, e que seus filhos nasciam isentos, neutros, sem pecado, e sem culpa e sem corrupção inata. Tal ideia foi habilmente rechaçada por homens como Agostinho, Lutero, Calvino e muitos outros, que demonstraram claramente que o ensino bíblico é o que chamamos de depravação total e transmitida, culpa imputada e corrupção herdada. As conseqüências práticas para nós hoje são terríveis. Por causa desta corrupção inata, com a qual já nascemos, somos totalmente indispostos para com as coisas de Deus; somos, por natureza, inimigos de Deus e, portanto, filhos da ira. É desta natureza corrompida que procedem os nossos pecados, as nossas transgressões, as desobediências, as revoltas contra Deus e sua Palavra.

Agora chegamos no ponto crucial e mais relevante para nosso assunto. Entendo que a Bíblia deixa claro que os nossos pecados, tanto o original quanto os pecados atuais que cometemos, por serem transgressões da lei de Deus, nos tornam culpados e portanto sujeitos à ira justa de Deus, à sua justiça retributiva, pela qual ele trata o pecador de acordo com o que ele merece. Ou seja, a humanidade inteira, sem exceção – visto que não há um único justo, um único que seja inocente e sem pecado – está sujeita ao justo castigo de Deus, o que inclui – atenção! – a morte, as misérias espirituais, temporais (onde se enquadram as tragédias, as calamidades, os desastres, as doenças, o sofrimento) e as misérias espirituais (que a Bíblia chama de morte eterna, condenação, lago de fogo, etc.).

A Bíblia revela com muita clareza, e sem a menor preocupação de deixar Deus sujeito à crítica de ser cruel, déspota e injusto, que ele mesmo é quem determinou tragédias e calamidades sobre a raça humana, como parte das misérias temporais causadas pelo pecado original e as transgressões atuais. Isto, é claro, se você acredita realmente que a Bíblia é a Palavra de Deus, e não uma coleção de idéias, lendas, sagas, mitos e estórias politicamente motivadas e destinadas a justificar seus autores.

De acordo com a Bíblia:

  • Foi Deus quem condenou a raça humana à morte no jardim (Gn 2.17; 3.19; Hb 9.27). 
  • Foi ele quem determinou a catástrofe do dilúvio, que aniquilou a raça humana com exceção da família de Noé (Gn 6.17; Mt 24.39; 2Pe 2.5). 
  • Foi ele quem destruiu Sodoma, Gomorra e mais várias cidades da região, com fogo caído do céu (Gn 19.24-25). 
  • Foi ele quem levantou e enviou os caldeus contra a nação de Israel e demais nações ao redor do Mediterrâneo, os quais mataram mulheres, velhos, crianças e fizeram prisioneiros de guerra (Dt 28.49-52; Hab 1.6-11). 
  • Foi ele quem levantou e enviou contra Israel povos vizinhos para saquear, matar e fazer prisioneiros (2Re 24.2; 2Cr 36.17; Jr 1.15-16). 
  • Foi ele quem ameaçou Israel com doenças, pestes, fomes, carestia, seca, pragas caso se desviassem dos seus caminhos (Dt 28). 
  • Foi ele quem enviou as dez pragas contra o Egito, ferindo, matando e trazendo sofrimento a milhares de egípcios, inclusive matando os seus primogênitos (Ex 9.13-14). 
  • Foi o próprio Jesus quem revelou a João o envio de catástrofes futuras sobre a raça humana, como castigos de Deus, próximo da vinda do Senhor, conforme o livro de Apocalipse, tais como guerras, fomes, pestes, pragas, doenças (Apocalipse 6—9), entre outros. 
  • Foi o próprio Jesus quem profetizou a chegada de guerras, fomes, terremotos, epidemias (Lc 21.9-11) e a destruição de Jerusalém, que ele chamou de “dias de vingança” de Deus contra o povo que matou o seu Filho, nos quais até mesmo as grávidas haveriam de sofrer (Lc 21.20-26). 
  • E por fim, Deus já decretou a catástrofe final, a destruição do mundo presente por meio do fogo, no dia do juízo final (2Pe 3.7; 10-12).

Isto não significa, na Bíblia, que o sofrimento das pessoas é sempre causado por uma culpa individual e específica. Há casos, sim, em que as pessoas foram castigadas com sofrimentos temporais em virtude de pecados específicos que cometeram, como por exemplo o rei Uzias que foi ferido de lepra por causa de seu pecado (2Cr 26.19; cf. também o caso de Miriã, Nm 12.10). O rei Davi perdeu um filho por causa de seu adultério (2Sm 12.14). Mas, em muitos outros casos, as tragédias, catástrofes, doenças e sofrimentos não se devem a um pecado específico, mas fazem parte das misérias temporais que sobrevêm à toda a raça humana por conta do estado de pecado e culpa em geral em que todos nós nos encontramos. Deus traz estas misérias e castigos para despertar a raça humana, para provocar o arrependimento, para refrear o pecado do homem, para incutir-lhe temor de Deus, para desapegar o homem das coisas desta vida e levá-lo a refletir sobre as coisas vindouras. Veja, por exemplo, a reflexão atribuída a Moisés no Salmo 90, provavelmente escrito durante os 40 anos de peregrinação no deserto. Veja frases como estas:

Tu reduzes o homem ao pó e dizes: Tornai, filhos dos homens... Tu os arrastas na torrente, são como um sono, como a relva que floresce de madrugada; de madrugada, viceja e floresce; à tarde, murcha e seca. Pois somos consumidos pela tua ira e pelo teu furor, conturbados. Diante de ti puseste as nossas iniqüidades e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos. Pois todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento...

Não devemos pensar que aquelas pessoas que ficam doentes, passam por tragédias, morrem em catástrofes eram mais pecadoras do que as demais ou que cometeram determinados pecados que lhes acarretou tal castigo. Foi o próprio Jesus quem ensinou isto quando lhe falaram do massacre dos galileus cometido por Pilatos e a tragédia da queda da torre de Siloé que matou dezoito (Lc 13.1-5). Ele ensinou a mesma coisa no caso do cego relatado em João 9.3-4. Os seus discípulos levantaram o problema do sofrimento do cego a partir de um conceito individualista de culpa, ponto que foi rejeitado por Jesus. A cegueira dele não se deveu a um pecado específico, quer dele, quer de seus pais. As pessoas nascem cegas, deformadas, morrem em tragédias e acidentes, perdem tudo que têm em catástrofes, não necessariamente porque são mais pecadoras do que as demais, mas porque somos todos pecadores, culpados, e sujeitos às misérias, castigos e males aqui neste mundo.

No caso do cego, Jesus disse que ele nascera assim “para que se manifestem nele as obras de Deus” (Jo 9.3). Sofrimento, calamidades, etc., não são somente um prelúdio do julgamento eterno de Deus; há também um tipo de sofrimento no qual Deus é glorificado por meio de Cristo em sua graça, e assim se torna, portanto, um exemplo e um prelúdio da salvação eterna. As tragédias servem para levar as pessoas a refletir sobre a temporalidade e fragilidade da vida, e para levá-las a refletir nas coisas espirituais e eternas. Muitos têm encontrado a Deus no caminho do sofrimento.

O que eu quero dizer é que, diante das tragédias e  acidentes devemos nos lembrar que eles ocorrem como parte das misérias e castigos temporais resultantes das nossas culpas, de nossos pecados, como raça pecadora que somos. Poderia ser eu que estava entre as vítimas do furacão Sandy. Ou, alguém muito melhor e mais reto diante de Deus. Ainda assim, Deus não teria cometido qualquer injustiça, ainda que todas as vítimas fossem os melhores homens e mulheres que já pisaram a face da terra. Pois mesmo estes são pecadores. Não existem inocentes diante de D
eus, Bonfim. Pensemos nisto, antes de ficarmos indignados contra Deus diante do sofrimento humano.

Por último, preciso deixar claro duas coisas.

Primeira, que nada do que eu disse acima me impede de chorar com os que choram, e sofrer com os que sofrem. Somos membros da mesma raça, e quando um sofre, sofremos com ele.

Segunda, é preciso reconhecer que a revelação bíblica é suficiente, mas não exaustiva. Não temos todas as respostas para todas as perguntas que se levantam quando uma tragédia acontece. Não conhecemos a vida das vítimas e nem os propósitos maiores e finais de Deus com aquela tragédia. Só a eternidade o revelará. Temos que conviver com a falta destas respostas neste lado da eternidade.

Mas, é preferível isto a aceitar respostas que venham a negar o ensino claro da Bíblia sobre Deus, como por exemplo, especular que ele não é soberano e nem onisciente e onipotente. Posso não saber os motivos específicos, mas consola-me saber que Deus é justo, bom e verdadeiro, e que todas as suas obras são perfeitas e retas, e que nele não há engano.

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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O Mito do Arrebatamento de Elias e Enoque

Quando se diz que Elias foi arrebatado o que querem dizer? Baseado numa passagem bíblica, que veremos mais à frente, dizem que Elias foi levado por Deus ao Céu de corpo e alma, ou seja, pensam que na verdade Elias não morreu?
Se Elias não morreu, ficamos em dúvida por querer saber o porquê desse privilégio, pois se até mesmo Jesus, o Cristo, que era muito superior a Elias, morreu pregado numa cruz. 
Por outro lado, ficamos, também, sem entender o que Elias faria com o corpo físico no mundo espiritual.
Seria o mesmo que mandarmos alguém viver debaixo d’água do jeito que ele vive aqui na superfície, sem lhe dar nenhum equipamento apropriado àquele lugar. A coisa não lhe parece absurda? Entretanto é o que esperam em relação a Elias, ou seja, que ele vá viver numa outra dimensão, totalmente diferente daquela que é adequada somente à matéria, como se nessa dimensão fosse necessário o corpo físico para se viver a vida do espírito. Também não encontramos nenhum respaldo para esse absurdo no que Jesus deixou como legado à humanidade através das narrativas dos evangelistas. Muito ao contrário, entendemos que afirma justamente o oposto. Vejamos, no entender de Jesus, o que consta no evangelho segundo João:

“O espírito é o que dá a vida. A carne não serve para nada” [João 6:63

Perguntamos: se a carne não serve para nada, para que ela serviria depois da morte? Se, pelas palavras de Jesus, “Deus é Espírito” (João 4:24) ficaremos novamente com um outro absurdo, qual seja: na dimensão espiritual nós seremos ainda matéria enquanto que o próprio Criador é um ser espiritual. Acrescentamos mais ainda; Jesus, pouco antes de expirar, disse: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lucas 23:46). Por que ele não entregou o corpo? É por pura coerência, já que antes havia dito que a carne de nada serve, não é mesmo? Não se pode alegar ignorância dessa realidade, pois até mesmo no Antigo Testamento encontramos a indiscutível separação entre o corpo e espírito:

“O pó volte à terra, onde estava, e o espírito volte para Deus, seu autor” [Eclesiastes 12:7]

E, Paulo de Tarso, se dirigindo aos coríntios, arremata categórico: “Mas isto vos digo, irmãos: a carne e o sangue não podem possuir o Reino de Deus, nem a corrupção herdará a incorrupção” (1 Coríntios 15:50). Não está afirmando, com outras palavras, que é o espírito que vai herdar o reino de Deus? Afirmou um pouco antes: “Pois, se há um corpo animal, há também um corpo espiritual” (v.44), quando explicava aos coríntios qual era o corpo da ressurreição.Vamos, agora, ver a passagem em que é citado arrebatamento de Elias, que está narrado em 2 Reis 2:11:

“Ora, enquanto seguiam pela estrada conversando, de repente apareceu um carro de fogo com cavalos também de fogo, separando-os um do outro, e Elias subiu para o céu no turbilhão”.

Depois disso procuraram Elias por todos os lugares e não o encontraram. Interessante colocarmos as explicações dos tradutores da Bíblia de Jerusalém a cerca disto: “A busca infrutífera certifica apenas que Elias não é mais deste mundo; seu destino é mistério que Eliseu não quer desvendar. O texto não diz que Elias não morreu, mas facilmente se pôde chegar a essa conclusão”. Só que esse facilmente parece não ser tão fácil assim, pois ainda existem muitas pessoas que acreditam que Elias não morreu, foi de corpo e alma para o céu. Verdade que esses fanáticos religiosos aceitam com base numa fé cega, apesar de absurda. Pelos acontecimentos anteriores a esse arrebatamento, lemos que Eliseu, discípulo de Elias, pressentindo o final do seu mestre, lhe faz um pedido: “Eu gostaria de receber uma porção dupla de teu espírito” (v.9). Ao que lhe respondeu Elias: “Fizeste um pedido difícil. Mas se me vires ao ser arrebatado do teu lado, terás o que pediste; se não me vire, não o terás” (v.10). O que será que aconteceu? Não deixaremos para o próximo capítulo, caro leitor, pois não o queremos ver “morrendo” de curiosidade. Bom, a única coisa que sobrou de Elias, após o tal arrebatamento, foi o seu manto. Eliseu pega esse manto e bate com ele na água do rio Jordão. Isso fez com que a água se dividisse em duas partes, fato que os outros profetas da comunidade viram. Diante desse extraordinário fenômeno, e como Elias já tinha também feito isso, disseram: “O espírito de Elias repousou sobre Eliseu” (v.15). O que numa linguagem popular ficaria assim: “O espírito de Elias baixou em Eliseu”. Nós diremos que de fato Elias morreu, pois fica comprovado que do plano espiritual influência Eliseu.

Na narrativa bíblica sobre o arrebatamento se afirma que Elias foi levado num turbilhão (ou redemoinho, segundo algumas traduções). Será que o acontecido não teria sido um fenômeno de ordem natural produzido pela natureza como um tufão, um ciclone ou um tornado? Não sabemos que nesses fenômenos são tragados objetos de peso considerável? Seria este o caso de Elias? Sinceramente, ficamos inclinados a aceitar essa hipótese, pois se não foi assim, teremos que aceitar que Elias foi levado pelo demônio! Como? Veja a narrativa não diz que apareceu um carro de fogo com cavalos de fogo? Ora, não se afirma que todas as coisas do demônio são de fogo? Assim, podemos pressupor que ele, em pessoa, veio, em seu exuberante veículo de transporte, buscar Elias, deu uma voltinha com ele no céu (o azul) e o levou diretamente para a fornalha ardente do inferno.Será que alguém conseguirá provar o contrário? Provar não, mas acreditar numa outra hipótese sim. Os aficionados em disco voador, por exemplo, poderão dizer que Elias foi abduzido por um OVNI, também aqui ninguém poderá provar o contrário. Fica ao critério do leitor e da interpretação que ele da ao texto.

Parafraseando Jesus, diremos: Quem tem capacidade de entender, entenda. Mas, se isso ainda for difícil a você, podemos acrescentar algo, que lhe ajudará a dissipar de uma vez por todas a sua dúvida, e aqui estamos falando somente para os não fanatizados, o que Jesus disse:

“Ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu: o Filho do homem”. [João 3:13]

Outro detalhe que nós vemos é que algumas biblias traduzem a subida de Elias como um arrebatamento. A palavra arrebatamento não significa nescessariamente um arrebatamento ao céu, mas simplismente uma mudança de lugar, uma transladação. Vejamos por exemplo o caso de Felipe. Felipe após pregar ao Etiope e lhe batizar é transladado de lugar por um espirito:

"E, quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e não o viu mais o eunuco; e, jubiloso, continuou o seu caminho" [Atos 8:39]

Nós vemos claramente que Filipe foi arrebatado, mas não morto e nem ascendeu aos céus. Filipe foi simplesmente transladado de um lugar para outro. Assim da mesma maneira podemos entender que o arrebatamento de Elias foi apenas uma transladação, uma mudança de lugar, sendo que homens impios queriam matar Elias.

Então lhe veio um escrito da parte de Elias, o profeta, que dizia: Assim diz o SENHOR Deus de Davi teu pai: Porquanto não andaste nos caminhos de Jeosafá, teu pai, e nos caminhos de Asa, rei de Judá. [2 Crônicas 21:12]

Jeorão reinou 8 anos em Jerusalém, conforme observa-se em 2Crônicas 21:5 e 2Reis 8:17,18 .Os reinos dos dois Jeorões terminaram juntos, conforme observa-se em 2Reis 8:25


Vejamos: “Sucedeu, pois, que, havendo o SENHOR de elevar a Elias num redemoinho ao céu, Elias partiu com Eliseu de Gilgal…E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho.” (2 Reis 2:1, 11).

A verdade, o papel do carro de fogo foi apenas de separar Elias de Elizeu e ele, na verdade, foi trasladado num redemoinho. O que isto implica: Ora, primeiro que a história de que um carro de fogo levou Elias não está bem contada e segundo que foi num redemoinho, que é formado por ar. Logo Elias não saiu da atmosfera terrestre, pois fora desta, não há redemoinho! 

Os filhos dos profetas sabiam que Elias seria retirado: “Então, os filhos dos profetas que estavam em Betel saíram a Eliseu e lhe disseram: Sabes que o SENHOR, hoje, tomará o teu senhor por de cima da tua cabeça? E ele disse: Também eu bem o sei; calai-vos. “ (2 Reis 2:3)

Nos estranha a sugestão de procurá-lo nos montes ou nos vales. Eles não viram pra onde foi Elias? Aí está uma prova de que ele não teria saído do Céu atmosférico e que poderia, sim, estar em algum outro lugar na Terra. Como já vimos, a existência da carta, prova que, não apenas ele estava na Terra, mas que estava acompanhando o desenrolar dos fatos.Portanto esses mitos que surgem devido a interpretação superficial das escrituras devem ser analisados a fundo para não incorrer em erros. Outros mitos que são comuns vermos também é dizerem que Moisés e Enoque não morreram, o que também não tem respaldo biblico.

A morte de Moisés é narrada em Deuteronômio 34:5 em diante e Enoque é dito em gênesis que ele andou com Deus (Gênesis 5:22) expressão bíblica que significa ser justo e temente a Deus, e não que ele andou literalmente com Deus, pois a escritura afirma que ninguém viu Deus. No mesmo livro é mencionado quantos anos Enoque viveu (Gênesis 5:23) e a seguir diz que Deus o tomou para sí (v24) expressão que significa sua morte e não um arrebatamento."

E viveu Enoque sessenta e cinco anos, e gerou a Matusalém. E andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas. E foram todos os dias de Enoque trezentos e sessenta e cinco anos. E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou" [Gênesis 5:22-24]

É o mesmo que eu conhecer um pastor muito bom e cheio do espirito santo e dizer que ele anda com Deus. Eu não estaria dizendo que ele anda fisicamente com Deus mas que anda com Deus em sua vida. E se esse pastor falece e eu digo: "Deus o chamou", não estou dizendo que ele foi arrebatado, mas estou usando uma expressão simbólica para dizer que ele morreu e cumpriu sua missão, e portanto estará no céu.

Quando Moisés narrou o 5º capítulo de Gênesis, ele cita as descendências dos Patriarcas sem sair do seu padrão de narrativa. Quando, porém, se refere a Enoque ele traça um valoroso comentário que nos faz chegar à conclusão de que Enoque foi um homem especial para Deus. Visto que no seu tempo a corrupção do gênero humano aumentava a cada dia, mas ele agradava a Deus, andando segundo a sua vontade e, além de fazer à vontade de Deus, ele repreendia aquela geração que se distanciava de Deus pela prática do pecado, provavelmente, ele advertia-os de que Deus os destruiria, pois Enoque era também profeta e, ainda em seu tempo, profetizou a respeito da vinda de Jesus Cristo.

"E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos; para fazer juízo contra todos e condenar entre eles todos os ímpios..." [Judas 14]

Os ímpios, aqui mencionados, são os pecadores desde Adão até a vinda de Jesus. Assim Enoque despertava a ira nos pecadores do seu tempo: ao profetizar que seriam julgados e eliminados, o ódio era tamanho que chegaram a ponto de desejarem matá-lo.

Nós sabemos que de todos os homens que foram usados por Deus para transmitir a sua palavra, muitos foram perseguidos pelos seus inimigos, (os pecadores) e até mortos. E Enoque era um deste que foi odiado pelos transgressores das leis de Deus e que, se possível, eles o matariam se Deus não intercedesse por ele, ou seja, Deus teve que retirá-lo do meio daquela geração e levá-lo para outro lugar, na terra, conservando sua vida. Exatamente por isso foi que o escritor de Hebreus disse:

"... Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus." (Hebreus 11:5)

Trasladado: adj. Mudado de um lugar para outro.

A Enoque Deus o transladou, ou seja, segundo o dicionário, ele foi levado de um lugar para o outro da terra para não ser morto, pois que estava sendo perseguido por aquela geração que se corrompia e que queriam matá-lo pela sua fidelidade para com Deus. Mas não foi achado! Porque Deus o "TRANSLADARA" (cf. Hebreus11:5).

Ora! Que verdade! Se não foi achado é porque foi procurado! E se foi procurado é porque estava sendo perseguido, e se perseguido, é por que, com certeza, estava em algum lugar da terra.  Só que ele obteve testemunho de haver agradado a Deus! E por isso Deus o transladou para algum outro lugar da terra.

Vejamos o versiculo seguinte do mesmo capitulo de hebreus:

"Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra" [Hebreus 11:13

Como vemos, o autor de Hebreus mesmo afirma "Todos estes morreram"! Vejamos outro exemplo da palavra arrebatamento:

"E, quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e não o viu mais o eunuco; e, jubiloso, continuou o seu caminho. E Filipe se achou em Azoto e, indo passando, anunciava o evangelho em todas as cidades, até que chegou a Cesaréia" [Atos 8:39-40]

Assim como Enoque e Elias, Filipe também foi arrebatado, mais não aos céus e sim para outra parte da Terra.Analisem os textos com coerência e não se apeguem a mitos, pois isso gera contradições e a biblia não tem contradições, sendo a palavra de Deus! "Ninguém subiu ao céu" (João 3:13)


por Ronaldo
Fonte: http://exegeseoriginal.blogspot.com.br

O Reino Milenial de Cristo

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