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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

16 argumentos que mostram que Cristo não morreu pela salvação de todos os homens



1. Dois argumentos baseados na natureza do novo concerto

Argumento 1 - Em Mateus 26:28 o Senhor Jesus Cristo fala de "o meu sangue, o sangue do Novo Testamento". Este novo "testamento", ou "concerto" é um novo acordo, ou contrato, que Deus fez para salvar os homens. O sangue de Cristo derramado em Sua morte, é o preço desse acordo, e diz respeito somente àqueles a quem o acordo se aplica.

Este novo acordo, ou aliança, é diferente do velho acordo que Deus fez com os homens. Pelo velho acordo (ou concerto) Deus prometeu salvar todos os que guardassem as Suas leis: "o homem que fizer estas coisas viverá por elas". (Romanos 10:5; Levítico 18:5). Mas, em razão dos homens serem pecadores, eles não podem guardar as leis de Deus. Portanto, o velho acordo ficou sem efeito.

No novo acordo, Deus promete colocar Suas leis em nossas mentes e escrevê-las em nossos corações (Hebreus 8:10). É claro, então, que esse acordo diz respeito somente àqueles em cujos corações e mentes Deus realmente faz isso. Desde que Deus, obviamente, não faz isso para todos os homens, todos os homens não podem estar incluídos no acordo pelo qual Cristo morreu.

Alguns têm sugerido que Deus iria escrever Sua lei em nossas mentes se apenas crêssemos. Mas, fé é a mesma coisa que ter a lei de Deus escrita em nossos corações!

Então, falar como alguns, significa dizer: "se a lei está em nossos corações (isto é, como ela é, em todos os crentes), Deus promete que Ele irá escrever Sua lei em nossos corações" - o que é uma tolice! A natureza do novo concerto deixa claro que a morte de Cristo não foi por todos os homens.

Argumento 2 - O evangelho - em outras palavras, as novas sobre o novo concerto - tem estado no mundo desde os tempos de Cristo. Contudo, nações inteiras têm vivido sem qualquer conhecimento dele. Se o objetivo da morte de Cristo era salvar todos os homens, sob a condição de que eles cressem, então o evangelho devia ter sido anunciado a todos os homens.

Se Deus não providenciou para que todos os homens ouvissem o evangelho, então, ou deveria ser possível que todos os homens fossem salvos sem fé e sem conhecimento do evangelho, ou o propósito de salvar todos os homens falhou, uma vez que nem todos os homens ouviram o evangelho. A primeira afirmativa não pode ser verdadeira, pois a fé é uma parte da salvação (ver Parte Dois, capítulo cinco). A última afirmativa também não pode ser verdadeira; seria próprio da sabedoria de Deus enviar Cristo para morrer a fim de que todos os homens fossem salvos, sem, contudo, certificar-Se de que todos os homens ouvissem o evangelho? Seria a benignidade de Deus demonstrada através de tal comportamento?

Isso seria como se um médico dissesse que tem um remédio que curaria a doença de todos. E, no entanto, escondesse, deliberadamente, tal conhecimento de muitas pessoas. Poderíamos realmente argumentar, nesse caso, que o médico pretendia, genuinamente, curar a doença de todos?

Há muitos versículos bíblicos que deixam claro que milhões jamais ouviram uma palavra sobre Cristo. E não podemos apresentar outra razão para isso, senão a razão que o próprio Jesus deu: "Sim, ó Pai, porque assim te aprouve". (Mateus 11:26). Tais versículos como Salmo 147: 19-20; Atos 14: 16; Atos 16: 6-7; confirmam os fatos de nossa experiência comum de que o Senhor não tomou qualquer providência para assegurar que todos ouvissem o evangelho. Precisamos concluir que não é propósito de Deus salvar todos os homens.

2. Três argumentos baseados nas descrições bíblicas da salvação

Argumento 3 - As Escrituras descrevem o que Jesus Cristo obteve com Sua morte como "redenção eterna" (isto é, nossa libertação do pecado, da morte e do inferno, para sempre). Ora, se esta bênção foi comprada para todos os homens, então todos os homens têm esta redenção eterna automaticamente; ou ela está à disposição de todos os homens na dependência do cumprimento de certas condições.

De acordo com nossa experiência, não é verdade, de maneira alguma, que todos os homens têm redenção eterna. Portanto, seria a redenção eterna disponível sob certas condições?

Pergunto, Cristo satisfez essas condições por nós, ou apenas nos tornamos merecedores do cumprimento dessas condições se outras condições forem cumpridas por nós? A primeira dessas afirmativas - que Cristo realmente cumpriu todas as condições necessárias quanto ao dom da redenção eterna - significa que todos os homens têm realmente essa redenção; o que, como já temos visto, não concorda com nossa experiência a respeito dos homens! Temos que dizer, portanto, que se Cristo não cumpriu as condições para que todos os homens obtivessem a redenção, Ele deveria ter cumprido essas condições apenas por aqueles que cumpririam outras condições. Estamos agora andando em círculos, fazendo com que aquelas condições que foram cumpridas dependam de que outras condições sejam cumpridas! Estes argumentos demonstram quão irracional é supor que Cristo morreu a fim de obter a salvação eterna para todos os homens.

Se insiste ainda que a redenção eterna é obtida sob o cumprimento de certas condições, então, todos os homens deveriam ser notificados. Mas, esse conhecimento lhes tem sido sonegado, como vimos na Terceira Parte, capítulo um.

Além disso, se a obtenção da redenção eterna depende do homem cumprir condições, então ou eles têm ou não têm o poder para fazer isso. Se são capazes por si mesmos de cumprir as condições necessárias, então temos que dizer que todos os homens podem, por si mesmos, crer no evangelho. Mas isto é bastante contrário às Escrituras, as quais mostram que os homens estão mortos em pecado e, portanto, não podem cumprir quaisquer condições.

Se concordamos que os homens não podem, por si mesmos, cumprir as condições para a obtenção da salvação eterna, então, ou Deus intenta dar-lhes esta habilidade, ou não. Se Ele realmente intenta isto, então, por que não o faz? Assim, todos os homens seriam salvos.

Se, entretanto, Deus não pretende dar a todos os homens a capacidade de crer, e, contudo, Cristo morreu para que todos os homens tenham a salvação eterna, então, Deus está requerendo dos homens que tenham habilidades as quais Ele recusa dar-lhes. Isto não seria uma loucura? É como se Deus prometesse dar a um homem morto o poder de vivificar-se a si mesmo, mas ao mesmo tempo não tenha a intenção de lhe dar o poder prometido!

Argumento 4 - A Bíblia descreve cuidadosamente aqueles pelos quais Cristo morreu. Lemos que toda a raça humana pode ser dividida em dois grupos, e que Cristo morreu apenas por um desses grupos.

Os versículos bíblicos que mostram que Deus dividiu os homens em dois grupos são:

Mat. 25:12 e 32 Jo. 10:14,26
Jo. 17:9, 1Ts. 5:9
Rom. 9:11-23


Daí aprendemos que há aqueles a quem Deus ama, e aqueles a quem Ele odeia; aqueles a quem Ele conhece, e aqueles a quem Ele não conhece.

Outros versículos deixam claro que Cristo morreu apenas por um destes dois grupos. É-nos dito que Ele morreu por:

Seu povo - Mt. 1:21
Suas ovelhas - Jo. 10:11,14
Sua igreja - At. 20:28
Seus eleitos - Rom. 8:32-34
Seus filhos - Heb. 2:13

Acaso não deveríamos concluir, de tudo isso, que Cristo nã morreu por aqueles que não são Seu povo, ou Suas ovelhas, ou Sua Igreja? Ele não pode, portanto, ter morrido por todos os homens.

Argumento 5 - Não devemos descrever a salvação de nenhuma maneira diferente daquela que a Bíblia a descreve. E a Bíblia não diz, em lugar algum, que Cristo morreu "por todos os homens", ou por cada homem em particular. Ela diz que Cristo deu Sua vida "em resgate de todos"; entretanto, isso não pode provar que signifique mais que "todas as Suas ovelhas" ou "todos os Seus eleitos". Se estudarmos cuidadosamente qualquer versículo que emprega a palavra "todos" e o examinarmos em seu contexto, logo estaremos convencidos de que, em lugar algum, as Escrituras dizem que Cristo morreu por todos os homens, sem exceção de nenhum.

(Na Quarta Parte, capítulos três e quatro, vamos considerar, detalhadamente, muitos versículos bíblicos nos quais as palavras "mundo" e "todos" são usadas em conexão com a morte de Cristo.)

3. Dois argumentos baseados na natureza da obra de Cristo

Argumento 6 - Há muitos versículos bíblicos que falam do Senhor Jesus Cristo tornando-Se responsável por outros na Sua morte; por exemplo:

Ele morreu por nós - Rom. 5:8
Foi feito maldição por nós - Gál. 3:13
Foi feito pecado por nós - 2Co. 5:21

Tais expressões deixam claro que qualidade de substituto de outro.

Ora, se Ele morreu em lugar de outros, segue-se que todos aqueles cujo lugar Ele tomou devem estar agora livres da ira e do julgamento de Deus. (Deus não pode punir justamente Cristo e aqueles a quem Ele substituiu!) Contudo, está claro que nem todos os homens estão livres da ira de Deus (ver João 3:36). Portanto, Cristo não pode ter sido o substituto de todos os homens.

Se insiste ainda que Cristo realmente morreu como um substituto de todos os
homens, então devemos concluir que Sua morte não foi um sacrifício bastante suficiente, pois nem todos os homens são salvos do pecado e do julgamento!

De fato, se Cristo realmente morreu em lugar de todos os homens, então, ou Ele Se ofereceu a Si mesmo como um sacrifício por todos os pecados deles (neste caso, todos os homens são salvos), ou foi um sacrifício por alguns dos pecados deles apenas (neste caso, ninguém é salvo, pois alguns pecados permanecem). Nem uma nem outra dessas declarações pode ser verdadeira, como nós já temos visto neste livro (Primeira Parte, capítulo três). Deve ser evidente que não podemos dizer, de maneira alguma, que Cristo morreu por todos os homens.

Argumento 7 - As Escrituras descrevem a natureza da obra que Cristo realizou, como a obra de um mediador e de um sacerdote:

Ele "é Mediador dum novo Testamento" (Hebreus 9:15). Ele age como um mediador sendo o sacerdote daqueles que Ele leva a Deus. Que Jesus Cristo não é o sacerdote de todos é óbvio, tanto pela experiência como pelas Escrituras; nós já discutimos isso na Segunda Parte, capítulo dois.

4. Três argumentos baseados na natureza da santidade e da fé

Argumento 8 - Se a morte de Cristo é o meio pelo qual aqueles por quem Ele morreu são purificados do pecado e são santificados, então Ele deve ter morrido somente por aqueles que realmente estão limpos de pecados e santificados. É óbvio que nem todos os homens são santificados. Portanto, Cristo não morreu por todos os homens.

Talvez eu deva provar que a morte de Cristo é, de fato, o meio para obter a purificação e a santidade. Vou fazer isso de duas maneiras:

Primeira, o padrão de adoração do Velho Testamento destinava-se a ensinar verdades a respeito da morte de Cristo. O sangue dos sacrifícios do Velho Testamento fez com que aqueles por quem era derramado se tornassem adoradores aceitáveis a Deus. Se foi assim, quanto mais o sangue de Cristo deve realmente purificar do pecado aqueles por quem Ele morreu? (Hebreus 9: 13-14).

Segunda, há versículos bíblicos que declaram com clareza que a morte de Cristo faz realmente as coisas que ela intencionava fazer; o corpo do pecado é destruído, para que não mais sirvamos ao pecado (Romanos 6:6); temos redenção através do Seu sangue (Colossenses 1: 14); Ele Se deu a Si mesmo para nos remir e nos purificar (Tito 2: 14). Estes versículos, e muitos outros, enfatizam que a santidade é o resultado certo nas vidas daqueles por quem Cristo morreu. Visto que todos os homens não são santos, Cristo não morreu por todos os homens.

Alguns sugerem - inutilmente! - que a morte de Cristo não é a única causa dessa santidade. Dizem que ela somente se torna verdadeira ou real quando o Espírito Santo a traz, ou quando é recebida por fé. Mas a obra do Espírito Santo, e o dom da fé, são também o resultado ou o fruto da morte de Cristo! Assim sendo, essa sugestão não altera o fato que a verdadeira santidade é o resultado certo somente nas vidas daqueles por quem Cristo morreu. O fato do juiz dar permissão ao carcereiro para destrancar a porta da prisão, não é a causa do prisioneiro ser posto em liberdade; a causa é que alguém pagou seus débitos por ele.

Argumento 9 - A fé é essencial à salvação. Isso é claro nas Escrituras (Hebreus 11:6) e a maioria das pessoas aceita o fato. Mas, como já temos visto, tudo que é necessário para a salvação foi obtido para nós por Cristo.

Ora, se esta fé essencial é obtida para todos os homens por Cristo, então é nossa com ou sem certas condições. Se é sem condições, então todos os homens a têm. Mas isso é contrário à experiência, e também às Escrituras (2 Tessalonicenses 3:2). Se a fé é dada somente sob certas condições, então eu pergunto: sob que condições?

Alguns dizem que a fé é dada sob a condição de que nós não resistamos à graça de Deus. Contudo, não resistir significa, realmente, obedecer. Obedecer significa crer. Portanto, o que estes amigos realmente estão dizendo é: "a fé é concedida somente àqueles que crêem" (isto é, àqueles que têm fé!). Isso é completamente absurdo.

Por outro lado, alguns argumentam que a fé não é obtida para nós pela morte de Cristo. Então, seria a fé um ato de nossa própria vontade? Mas isso é bastante contrário àquilo que muitos versículos bíblicos ensinam, e ignora o fato de que os incrédulos estão mortos em pecados, incapazes de realizar qualquer ato espiritual (I Coríntios 2:14). Portanto, volto à posição de que a fé é obtida por Cristo. 

A fé é uma parte essencial da santidade. No Argumento 8, mostrei que a santidade é obtida para nós pela morte de Cristo. Portanto, Ele também obteve a fé para nós. Negar isso é dizer que Ele obteve apenas uma santidade parcial, isto é, uma fé deficiente. Ninguém sugere isso seriamente. Mais ainda, Deus escolheu Seu povo, como nos é dito, a fim de que ele fosse santo; Deus "nos elegeu ... para que fôssemos santos" (Efésios 1 :4). Repetindo, a fé é uma parte essencial da santidade. Ao eleger Seu povo para ser santo, necessariamente Deus decidiu que ele teria fé.

Era parte do pacto entre Deus, o Pai, e Deus, o Filho, que todos aqueles por quem Cristo morreu tivessem as bênçãos que o Pai tencionava dar-lhes. A fé é uma das bênçãos que o Pai dá (Hebreus 8:10,11).

As Escrituras afirmam claramente que a fé é obtida para nós por Jesus Cristo, que é "o autor e consumador da fé" (Hebreus 12:2). Declarações como esta e as declarações dos três parágrafos acima, que acabamos de ler, confirmam, todas elas, que a morte de Cristo obtém fé para Seu povo. Visto que não são todos os homens que a têm, Cristo não pode ter morri do por todos os homens.

Argumento 10 - O povo de Israel era, de muitas maneiras, uma espécie de ilustração da Igreja de Deus do Novo Testamento (I Coríntios 10:11). Seus sacerdotes e sacrifícios eram exemplos daquilo que Jesus viria fazer pela Igreja de Deus. Jerusalém, a cidade deles, é usada como uma figura do céu do crente (Hebreus 12:22).

Um verdadeiro israelita é um crente (João 1:47) e um verdadeiro crente é um israelita (Gálatas 3:29). Portanto, eu argumento da seguinte maneira:

Se a nação dos judeus foi escolhida por Deus, entre todas as nações do mundo, para ilustrar Suas relações com a Igreja, segue-se, então, que a morte de Cristo foi somente pela Igreja e não pelo. mundo todo. A maneira como Deus tratou o Seu povo escolhido no Velho Testamento é uma ilustração de que a salvação obtida por Cristo não é para todos os homens, mas é apenas para o Seu povo escolhido.

5. Um argumento baseado no significado da palavra "redenção"

Argumento 11 - A maneira como a Bíblia descreve uma doutrina deve nos ajudar a entender a doutrina. Uma palavra bíblica que é usada para descrever a salvação obtida por Cristo é a palavra redenção. Exemplo: " ...temos a redenção pelo seu sangue"(Colossenses 1:14). Essa palavra significa "libertar uma pessoa do cativeiro através do pagamento de um preço". A pessoa não está redimida a não ser que seja libertada. Por isso, a própria palavra nos ensina que Cristo não pode ter obtido a redenção para aqueles que não estão livres. A redenção universal (assim chamada!) que finalmente deixa alguns ainda no cativeiro é uma contradição de termos.

O sangue de Cristo é realmente chamado de preço, e de resgate, em alguns versículos bíblicos (vide Mateus 20:28). Ora, o propósito de um resgate é obter a libertação daqueles pelos quais o preço é pago. É inconcebível que um resgate seja pago e a pessoa ainda continue prisioneira. Por conseguinte, como pode ser argumentado que Cristo morreu por todos os homens, quando nem todos os homens são salvos? Somente os que estão realmente livres do pecado podem ser aqueles por quem Cristo morreu. "Redenção" não pode ser "universal", como "romano" não pode ser "católico"! A redenção tem que ser particular, visto que somente alguns são redimidos.

6. Um argumento baseado no significado da palavra “reconciliação

Argumento 12 - Uma outra palavra que a Bíblia usa para descrever aquilo que
Cristo obteve mediante Sua morte, é a palavra reconciliação: "...inimigos... vos reconciliou." (Colossenses 1:21). Reconciliação quer dizer restaurar as relações de amizade entre duas partes que anteriormente eram inimigas. Na salvação, da qual a Bíblia nos fala, Deus é reconciliado conosco e nós somos reconciliados com Deus. 

Estas duas coisas têm que ser verdadeiras; a reconciliação de uma parte e da outra são dois atos separados, mas ambos são necessários para tornar uma reconciliação completa. É uma tolice sugerir que Deus, por intermédio da morte de Cristo, agora está reconciliado com todos os homens, mas que somente alguns homens estão reconciliados com Ele. Espero que ninguém sugira que Deus e todos os homens estão reconciliados desta maneira. Isso seria uma reconciliação capenga! Não há verdadeira reconciliação a menos que ambas as partes estejam reconciliadas uma com a outra.

O efeito da morte de Cristo foi a reconciliação tanto de Deus com os homens como os homens com Deus; "fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho" (Romanos 5:10) e "nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação."(Romanos 5:11). Ambas as reconciliações são, também, mencionadas em II Coríntios 5:19-20 - "Deus ... reconciliando consigo", e "vos reconcilieis com Deus"

Ora, como esta dupla reconciliação pode ser "reconciliada" com a noção de que
a morte de Cristo é para todos os homens, eu não posso entender! Porque, se todos os homens são, pela morte de Cristo, assim duplamente reconciliados, como pode acontecer que a ira de Deus esteja sobre alguns? (João 3:36). Sem dúvida alguma, Cristo somente pode ter morri do por aqueles que estão realmente reconciliados.

7. Um argumento baseado no significado da palavra " satisfação"

Argumento 13 - E verdade que a palavra satisfação não é usada na versão inglesa da Bíblia, com referência à morte de Cristo. Mas, aquilo que a palavra significa, isto é, "um pagamento total daquilo que é devido a um credor por um devedor" é um pensamento frequentemente usado no Novo Testamento, quando se refere à morte de Cristo.

Em nosso caso, os homens são devedores a Deus, pois falharam em obedecer aos Seus mandamentos. A satisfação requerida para pagar nosso pecado é a morte - "o salário do pecado é a morte" (Romanos 6:23). As leis de Deus nos acusam, expressando a justiça e a verdade de Deus. Perante elas estamos convictos de que somos seus transgressores, merecendo, portanto, morrer. A salvação só é possível se Cristo pagar nosso débito e, assim, satisfazer a justiça de Deus. Sua morte é chamada de uma"oferta" (Efésios 5:2) e de "propiciação" (l João 2:2). A palavra oferta significa um sacrifício de expiação ou um sacrifício para fazer reparação devido o pecado.

Propiciação significa uma oferta para satisfazer a justiça ofendida. Dessa forma, podemos usar corretamente a palavra satisfação para abranger todo o ensino bíblico quanto ao significado da morte de Cristo.

Ora, se Cristo pela Sua morte realmente fez uma satisfação por alguns, então Deus precisa agora estar completamente satisfeito com eles. Deus não pode requerer licitamente um segundo pagamento de qualquer espécie. Então, como pode ser que Cristo tenha morrido por todos os homens e ainda muitos vivam e morram como pecadores sob a condenação da lei de Deus? Reconciliem essas coisas aqueles que podem! Afirmo que somente os que estão realmente livres do débito nesta vida podem ser aqueles pelos quais Cristo pagou a satisfação.

8. Dois argumentos baseados no valor da morte de Cristo

Argumento 14 - O Novo Testamento fala, frequentemente, do valor da morte de Cristo, com a qual Ele pôde comprar e obter certas coisas. Exemplo: é dito que a redenção eterna é obtida "por seu próprio sangue" (Hebreus 9:12); é dito que a Igreja de Deus foi resgatada "com seu próprio sangue." (Atos 20:28); e os cristãos são chamados "povo adquirido" (I Pedro 2:9).

Cristo por Sua morte, então, comprou para todos aqueles por quem Ele morreu, todas aquelas coisas que a Bíblia salienta como resultados de Sua morte. O valor da Sua morte comprou a libertação do poder do pecado e da ira de Deus, da morte e do poder do diabo, da maldição da lei e da culpa do pecado. O valor da Sua morte obteve a reconciliação com Deus, paz e redenção eterna. Estas coisas são agora dons gratuitos de Deus, porque Cristo as comprou. Se Cristo morreu por todos os homens, por que então todos os homens não têm essas coisas? Será que o valor da Sua morte não é suficiente?

Será que Deus é injusto por não dar a todos aquilo que Cristo comprou? Tem que ser óbvio que Cristo não pode ter morrido para adquirir essas coisas para todos os homens, e sim somente para aqueles que realmente desfrutam delas.

Argumento 15 - Há frases que são frequentemente empregadas para se fazer referência à morte de Cristo, tais como: morrendo por nós; suportando nossospecados; sendo nossa segurança. O significado evidente de tais frases é que Cristo, em Sua morte, foi um substituto de outros para que eles pudessem ser livres.

Se, em Sua morte, Cristo foi um substituto de outros. como podem eles mesmos morrerem também, carregando ainda seus próprios pecados? Assim sendo, Cristo não pode ter sido um substituto a favor deles. Daí, fica claro que Ele não pode ter morrido por todos os homens.

De fato, dizer que Cristo morreu por todos os homens é a maneira mais rápida de provar que Ele não morreu por ninguém. Porque se Ele morreu em lugar de todos, e, contudo, nem todos são salvos, então Ele falhou em Seu propósito.

9. Um argumento geral baseado em versículos específicos das Escrituras 

Argumento 16 - Há um grande número de versículos bíblicos que eu poderia usar para argumentar que Cristo não morreu pelos pecados de todos os homens. Vou selecionar apenas nove, e, com eles, encerrar nossos argumentos nesta parte.

1. Gênesis 3: 15. Este é o primeiro versículo bíblico no qual Deus indica que há uma diferença entre o povo de Deus e seus inimigos. "...sua semente" (da mulher) significa Jesus Cristo e, portanto, também todos os crentes em Cristo. (Isto é claro a partir do fato de que a profecia sobre a semente da mulher é cumprida em Cristo e em Seu povo). "...tua semente" (da serpente) significa todos os homens incrédulos do mundo (Vide João 8:44). Desde que Deus prometeu somente inimizade entre a semente da serpente e a semente da mulher, é óbvio que Cristo, a semente da mulher, não morreu pela semente da serpente!

2. Mateus 7:23. Cristo aqui declara que há pessoas que Ele jamais conheceu. Contudo, em outro lugar (João 10:14 a 17) Ele diz que conhece todo o Seu povo. Será que Ele não conhece todos aqueles por quem morreu? Se há alguns que Ele não conhece, então Ele não pode ter morrido por eles.

3. Mateus 11:25-27. Conforme estas palavras, é claro que há alguns dos quais Deus esconde o evangelho. Se é a vontade do Pai que o evangelho não seja revelado a eles, Cristo não pode ter morrido por eles. E nós devemos notar que Cristo, aqui, agradece ao Pai por fazer esta diferença entre homens - uma diferença que somente alguns homens ainda se recusam a acreditar!

4. João 10:11, 15-16, 27-28. Destes versículos fica bastante claro que:

I. Nem todos os homens são ovelhas de Cristo.
II. A diferença entre os homens um dia será óbvia.
III. As ovelhas de Cristo são identificadas como "aquelas que ouvem a voz de Cristo"; outros não a ouvem.
IV. Alguns que ainda não são identificados como ovelhas já estão escolhidos e se tornarão conhecidos ("outras ovelhas").
V. Cristo morreu, não por todos, mas especificamente por Suas ovelhas.
VI. Aqueles por quem Cristo morreu são os que Lhe foram dados pelo Pai. Ele não pode, então, ter morrido por aqueles que não Lhe foram dados.

5. Romanos 8:32-34. Destes versículos entendemos com clareza que a morte de Cristo pertence somente ao povo eleito de Deus e, também, que a intercessão de Cristo é somente em favor desse mesmo povo.

6. Efésios 1: 7. A partir deste versículo, podemos dizer que se o sangue de Cristo foi derramado por todos, então todos devem ter esta redenção e este perdão. Mas, certamente, nem todas as pessoas os possuem.

7. II Coríntios 5:21. Portanto, em Sua morte Cristo foi feito pecado por todos aqueles que nEle foram feitos justiça de Deus. Se Ele foi feito pecado por todos, então, por que todos não são feitos justiça?

8. João 17:9. A intercessão de Cristo não é por todos os homens, e, portanto, nem a Sua morte o foi. (Ver Segunda Parte, capítulos quatro e cinco).

9. Efésios 5:25. Cristo ama a Igreja e isto é um exemplo de como um homem deve amar a sua esposa. Mas se Cristo amou outros tanto quanto a Sua Igreja, até ao ponto de morrer por eles, então os homens podem certamente amar outras mulheres além de suas esposas!

Pensei que poderia acrescentar outros argumentos - mas, considerando aquilo que já disse, estou certo de que o que já foi argumentado é bastante para satisfazer os que se satisfarão com argumentos; no entanto, aqueles que são obstinados não se satisfarão ainda que eu inclua outros argumentos. Portanto, encerro meus argumentos aqui


Por John Owen

Fonte: John Owen, Por quem Cristo morreu, págs. 49-70. Editora PES - 1986.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Eleição Divina, a escolha da Graça!


Por Hernandes Dias Lopes

Na igreja protestante, há dois segmentos: o Calvinismo e o Arminianismo. O Calvinismo enfatiza a eleição divina; o Arminianismo o livre arbítrio humano. O Calvinismo ensina que Cristo morreu para efetivar nossa salvação; o Arminianismo ensina que Cristo morreu para possibilitar a nossa salvação. Para um arminiano Deus escolhe o homem para a salvação, quando este crê; para um calvinista o homem crê porque foi escolhido. Vamos, examinar, agora, à luz de Efésios capítulo 1, versículo 4, a doutrina da eleição: “Assim como nos escolheu, nele, [em Cristo], antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele…”.
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Em primeiro lugar, o autor da eleição. Deus é o autor da eleição e não o homem. Foi Deus quem nos escolheu e não nós a ele. Na verdade, jamais poderíamos escolher a Deus. Estávamos mortos em nossos delitos e pecados. Éramos ímpios, fracos, pecadores e inimigos de Deus. Por isso, a escolha de Deus é incondicional. Deus não nos escolheu por causa dos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos. Deus não nos escolheu porque éramos bons, mas apesar de sermos maus. Deus não nos escolheu porque cremos em Cristo; cremos em Cristo porque Deus nos escolheu (At 13.48). A fé não é causa da eleição, mas seu resultado. Deus não nos escolheu porque éramos santos; Deus nos escolheu para sermos santos. A santidade não é causa da eleição, mas sua consequência. Deus não nos escolheu por causa da nossas boas obras; Deus nos escolheu para as boas obras. Somos feitura de Deus, criados em Cristo Jesus para as boas obras.
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Em segundo lugar, o tempo da eleição. O apóstolo Paulo diz que Deus nos escolheu antes da fundação do mundo. Não havia em nós qualquer mérito que justificasse essa escolha, uma vez que Deus colocou o seu coração em nós antes de nós colocarmos nosso coração nele. Sua escolha foi livre, soberana, incondicional e cheia de graça. Ele não deixaria de ser Deus pleno e feliz em si mesmo se não tivesse nos escolhido. Mas, ele, por amor, nos amou com amor eterno e nos atraiu para si com cordas de amor. E isso, desde os refolhos da eternidade. Ainda não havia estrelas brilhando no firmamento. Ainda os anjos de Deus não ruflavam suas asas cumprindo as ordens suas ordens. Ainda o sol não havia dado a sua claridade, e Deus já havia nos amado e nos escolhido para a salvação.
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Em terceiro lugar, o agente da eleição. O apóstolo Paulo diz que Deus nos escolheu em Cristo. Ele é o amado de Deus, o escolhido do Pai. Nele somos amados. Nele somos eleitos. Nele somos perdoados. Nele somos remidos. Nele somos salvos. Não há salvação fora de Cristo. Não há nenhum outro nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos. Jesus é único caminho para Deus. Ele é o único Mediador entre Deus e os homens. Jesus é a porta do céu. Não há eleição fora de Cristo. Vivemos pela sua morte. Somos purificados do pecado pelo seu sangue. O mesmo Deus que escolheu nos salvar, elegeu também nos salvar por intermédio de Cristo. Ninguém pode ser salvo e ninguém pode confirmar sua vocação e eleição, a menos que se renda a Cristo e o confesse como Salvador e Senhor.
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Em quarto lugar, o propósito da eleição. O apóstolos Paulo afirma, categoricamente, que Deus nos escolheu em Cristo, para sermos santos e irrepreensíveis. Se o autor da eleição é Deus, se a causa da eleição é a graça divina, se o agente da eleição é Cristo, o propósito da eleição é a santidade. Deus não nos escolheu para vivermos no pecado; mas para sermos libertos do pecado. Cristo não morreu para que aqueles que permanecem em seus pecados tenham a vida eterna; ele morreu para que todo o que nele crê seja santo com Deus é santo. Se a santidade não é a causa da eleição, é sua evidência mais eloquente. Ninguém pode afirmar que é um eleito de Deus, se não há evidências de santidade em sua vida. Por isso, a Palavra de Deus é oportuna em nos exortar: “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição…” (2Pe 1.10).

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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O ensino precioso da Depravação Total


A Total Depravação antes de ser o primeiro ponto da TULIP, é um ensinamento bíblico, uma verdade que contrasta efusivamente com a visão que a grande maioria tem do ser humano. A visão influenciada pela ideia (Pelagiana) de que o homem precisa de uma receita apenas, pois o problema dele é temporário ou remediável vem nos forçar a ir contra as Escrituras. Uma enfermidade moral resultando uma parcialidade corrompida, isto é, podendo ainda ser “ele” responsável pelas suas escolhas e decisões. Estamos convictos que esse pensamento é uma heresia, não pós-moderna, pelo contrário, bem antiga.

“A expressão ‘pecado original’ não significa que o pecado faça parte da natureza humana como tal, pois ‘Deus fez o homem reto’ (Ec 7.29). Mais exatamente, ‘pecado original’ significa que a pecaminosidade marca a cada um desde o nascimento, na forma de um coração inclinado para o pecado, antes de quaisquer pecados de fato cometidos. Essa pecaminosidade íntima é a raiz e a fonte desses pecados atuais. Ela nos foi transmitida por Adão, nosso primeiro representante diante de Deus. A doutrina de pecado original nos diz que nós não somos pecadores porque pecamos, mas pecamos porque somos pecadores, nascidos com uma natureza escravizada ao pecado.” [1]

Segundo o autor Gise Van Baren:

O que nós devemos entender por 'depravação total'? 'Depravação' significa perversidade, corrupção, o mal inato do homem não regenerado. Adicionar a palavra 'total' a depravação, é enfatizar sem nenhuma sombra de dúvida, a verdade que não há absolutamente nenhuma bondade no homem natural, no homem que é nascido do Adão caído.” [2]

As Escrituras Sagradas afirma com clareza a condição humana caída.

Efésios 2.1 Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados”.

Colossenses 2.13 e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos”.

O Apóstolo Paulo é claro, oferecendo a realidade do nosso estado antes da regeneração ou novo nascimento. Estávamos mortos, isto é, mortos por conta dos nossos pecados, corrompidos totalmente, de fato, depravados. Todavia, esse homem foi criado à imagem (Ec 7.29) e semelhança de Deus (Gn 1.26-27). Deus deu uma ordem (Gn 2.16-17) ao homem e através dessa obediência o homem poderia obter vida. De forma consciente o homem falhou desobedecendo a Deus (Gn 3.6), rebelando-se contra o seu Criador. Pecado esse conhecido como a "Queda do Homem", trazendo uma trágica realidade: o homem está morto espiritualmente e sofreu uma ruptura na ligação da sua alma com Deus o que mais adiante resultou em morte física.

Romanos 5.12 Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram”.

Adão como representante de toda a raça humana, afetado pelo pecado e pelo pecado a morte, condicionando assim toda a humanidade a um estado de destituição para com o Criador. Com isso tornando o homem objeto da justa ira de Deus, e por conta desse pecado a morte passa a todos os homens. A humanidade recebeu essa herança da culpa do pecado e por isso todos nascem totalmente depravados e espiritualmente mortos. Significando uma natureza má, não de forma intensiva e sim extensiva, no que se define todo o nosso ser, isto é, intelecto, emoções e vontades, no qual, estão corrompidos pelo pecado.

Romanos 3.10-18 Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.

Eclesiastes 7.20 Pois não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque”.

Salmos 14.1-3 “Diz o néscio no seu coração: Não há Deus. Os homens têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras; não há quem faça o bem. O Senhor olhou do céu para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento, que buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um”.

Compare com o salmo 53 e perceba que é o único Salmo que se repete, gerando uma inabilidade total para reconciliar-se com o Seu Criador, esse homem depravado, por si só, é completamente incapaz de crer em Cristo verdadeiramente. 

Vejamos o que mais uma vez Paulo diz:

Romanos 3.23 Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.

Esse estado "destituído" do homem para com Deus o torna eternamente morto, se Deus não tomar a iniciativa de salvá-lo, ele continuará assim. Impossível ao homem fazer algo de si mesmo que contribua para a sua salvação. Essa doutrina chamada por alguns da incapacidade humana ensina que de fato, torna-se impossível que um pecador escolha a Deus. Devendo isso preceder a obra vivificadora e regeneradora do Espírito Santo. O próprio Cristo afirma que a eleição é incondicional, a graça é irresistível.

 João 6.44 “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia”.

Essa obra chamada "regeneração" antecede o arrependimento, confissão e crença genuína no Evangelho. O próprio Espírito Santo cumpre a sua função de convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo. (João 16.8)

Na Confissão de Fé de Westminster, encontramos a seguinte afirmação:

O homem, por sua queda em um estado de pecado, perdeu completamente toda a capacidade de desejar qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação; portanto como homem natural inteiramente contrário ao bem e morto em pecado, ele não é capaz, por sua própria força, de converter-se ou mesmo preparar- se para isso”. [3]

Quando Deus converte um pecador e o transfere para o estado de graça, Ele o liberta de sua natural escravidão ao pecado, e somente por Sua graça, Ele permite que ele livremente deseje e faça o que é espiritualmente bom [...].

No Catecismo de Heidelberg observamos:

“Somos então tão corruptos ao ponto de sermos totalmente incapazes de fazer qualquer bem que seja, e inclinados para todas as perversidades?" Resposta: "Certamente nós somos, exceto se formos regenerados pelo Espírito de Deus”. [4]

Na Confissão Belga há uma declaração:

Tornando- se ímpio, perverso e corrupto em todas as suas práticas, ele perdeu todos os dons excelentes, que tinha recebido de Deus. Nada lhe sobrou destes dons, senão pequenos traços, que são suficientes para deixar o homem sem desculpa.” [5]

As Escrituras Sagradas, inerrante e suficiente, afirma fazendo assim das confissões e catecismo relevante:

Tito 3.3-5 Porque também nós éramos outrora insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias paixões e deleites, vivendo em malícia e inveja odiosos e odiando-nos uns aos outros. Mas quando apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador e o seu amor para com os homens, não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo.

Ao declarar a depravação em sua totalidade, queremos afirmar três coisas:

Primeiro, todos os homens, exceto Cristo, são depravados e transgressores (Sl 142-3; Sl 53.2-3)

Segundo, em cada parte, são depravados. Seus atos, emoções, vontades, corações, pensamentos são comprometidos pela sua condição diante de Deus.

Terceiro, de forma completa em cada parte, os homens são depravados. Não há uma parcialidade, cada parte do homem é totalmente depravada e não há nenhum bem em parte alguma.

Com isso veremos a necessidade da Cruz, revelação da Sua Graça, que impossibilita o homem a fazer qualquer coisa para concertar sua real situação para com o Criador de todas as coisas, para a Sua Glória.

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Notas:
[1] Bíblia de Estudo de Genebra, Editora: Cultura Cristã. 
[2] BAREN, Gise Van. Depravação Total. Fireland Missions: janeiro de 2013 
[3] Confissão de Fé de Westminster - Capítulo IX: III-IV.
[4] As três formas de Unidade das Igrejas Refromadas – A Confissão Belga, O catecismo de Heidelberg e Os Canones de Dort. Editora: Puritanos, 2009. (Parte 1, Dia do Senhor 3, Pergunta 8. Ref.: Gn 6.5; Jó 14.4; Is 53.6; Jó 3.3-5.)
[5] As três formas de Unidade das Igrejas Refromadas – A Confissão Belga, O catecismo de Heidelberg e Os Canones de Dort. Editora: Puritanos, 2009. (Confissão Belga - artigo XIV.)


_______________________________Por Morgana Mendonça Santos
Fonte: Bereianos

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Porque Deus não salva todos?

Para responder essa pergunta, primeiro, precisamos responder outra famosa questão: Deus deseja salvar a todos? Creio que a resposta bíblica é um sonoro “Não!”, pois se Ele quisesse, definitivamente, todos seriam salvos[1]:

Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado (Jó 42:2). Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes? (Dn 4:35). No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada. (Sl 115:3; cf Ef 1:11).

Sabemos que Deus faz tudo que quer e que nada pode impedi-lO de cumprir Seus propósitos. Logo, se o plano dEle para a humanidade fosse levar todos os homens à salvação, Ele assim faria e nada – nem mesmo a escolha dos homens – impediriam Sua vontade. Assim, resumo meu argumento assim:

1. Deus faz tudo o que quer;
2. Nem todos serão salvos;
3. Logo, Deus não quer salvar todos.


Assim, aquele que discordar da afirmativa 3 só terá motivos para isso se considerar ou o ponto 1 e/ou o ponto 2 como errados. No primeiro caso, estamos tratando com alguém que nega a Onipotência de Deus; no segundo estamos tratando com um universalista – e em ambos os casos, temos estamos tratando com um herege.

Alguém pode tentar argumentar que Deus só pode fazer o que é logicamente possível e, com isso, tentar insinuar que Ele não poderia obrigar pessoas a livremente serem salvas. Eu concordo plenamente com esse conceito de onipotência: Deus só pode criar o que é logicamente possível – não existem coisas como um solteiro-casado, um círculo-quadrado ou um triângulo de dois lados; assim, Deus não pode criar essas coisas. Assim sendo, se o homem tem livre-arbítrio, Deus não pode fazer com que eles sejam salvos. Concordo, mas isso só leva a questão um pouco mais “para trás”: Se Deus queria que todos fossem salvos, por que Ele criou um mundo com livre-arbítrio? Se o propósito de Deus é a salvação de todos, ele poderia ter criado os homens literalmente impecáveis – assim como será nos céus. Então, se Deus deu um poder de decisão para o homem, essa é uma grande prova que Ele não desejava que todos fossem salvos. Então:

1. Deus sabia que nem todos seriam salvos se Ele entregasse o livre-arbítrio para o Homem;
2. Deus entregou livre-arbítrio ao Homem;
3. Logo, Deus não quer salvar todos.


Eu não acredito que a premissa 2 seja verdadeira, mas para os que acreditam, cabe a eles negar a primeira premissa para provar que a conclusão (3) está errada. Agora, deixe fazer algumas considerações sobre este tema.

Muitos ficam fortemente escandalizados quando estão frente a declarações como estas. Somos acostumados a pensar que o Plano Áureo de Deus no universo é o benefício do homem. Por exemplo, muitos daqueles que pregam sobre missões fazem um desserviço por motivar as pessoas com uma paixão pelo homem, ao invés de uma paixão por Deus que transborda aos outros. Como diz John Piper: “As missões não representam o alvo fundamental da igreja, a adoração sim. As missões existem porque não há adoração, ela sim é fundamental, pois Deus é essencial e não o homem”[2] .

Não é raro ouvirmos alguns filósofos, ao defenderem que vivemos no melhor mundo possível que Deus poderia criar, atribuírem isso a levar o maior número de pessoas a Cristo. William Lane Craig, em um debate com o famoso ateu Christopher Hitchens, declarou: “O propósito de Deus para a história humana é trazer o número máximo de pessoas, livremente, ao Seu Reino para encontrar salvação e vida eterna”. Essa declaração parece óbvia e inegável, mas a pergunta que faço é: o que a Bíblia diz sobre isso? Qual a resposta bíblica concernente ao propósito-mor de Deus para a humanidade?

Observando toda a Escritura, só posso concordar que a resposta para esse questionamento seria que, como diz John Piper, “o alvo principal de Deus é manter e demonstrar a glória do seu nome”[3], o que também é expresso por Jonathan Edwards: “A grande finalidade das obras de Deus, expressas na Bíblia de modo diverso, é, de fato, apenas uma; e essa finalidade única é mais apropriada e compreensivelmente chamada de A Glória de Deus”[4] . Essas não são apenas opiniões pessoais, mas considerações pautadas numa gama imensa de textos bíblicos[5] , como Isaías 48:

Por amor do meu nome retardarei a minha ira, e por amor do meu louvor me refrearei para contigo, para que te não venha a cortar. Eis que já te purifiquei, mas não como a prata; escolhi-te na fornalha da aflição. Por amor de mim, por amor de mim o farei, porque, como seria profanado o meu nome? E a minha glória não a darei a outrem (v. 9-11).

Essas são palavras fortes: “Por amor do meu nome… por amor do meu louvor… Por amor de mim, por amor de mim… como seria profanado o meu nome? E a minha glória não a darei a outrem”. Se é por amor dEle próprio que Deus age, como podemos pôr os homens como o fim principal das ações do Senhor? Acho que um texto que mostra de um modo claro como o propósito final de Deus não é salvar o maior número de pessoas possível é Mateus 11:

Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza. […] E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje (v. 21,23).

Existe um ensino que, devido ao atual crescimento da filosofia molinista[6] , tem se propagado: se o Evangelho não chegou a um determinado lugar, é porque Deus sabia que aquelas pessoas não creriam na pregação. Creio que essa é uma explicação superficial. No texto citado, Jesus diz que se milagres tivessem ocorridos em Tiro, Sidom e Sodoma, eles teriam se arrependido e o julgamento não teria sido necessário. Deus sabia o que fazer para que eles cressem e Ele não fez. O mesmo acontece com os Fariseus. Veja a explicação de Jesus para o porquê de ele usar parábolas:

E ele disse-lhes: A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão de fora todas estas coisas se dizem por parábolas, para que, vendo, vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados (Mc 4:11,12).

Creio que não podemos entender isto satisfatoriamente se não tivermos em mente que o propósito final de Deus não é o homem, mas Ele próprio. Deus fará tudo para o louvor de Sua glória (Ef 1:6,12,14) e não para que o homem seja beneficiado. O problema é que nós pensamos que Deus deveria, sim, salvar aqueles homens e muitos outros que existiram no mundo. Como pode Deus deixar que homens pereçam se Ele podia salvar quem Ele bem entender? Isso não seria injusto ou malévolo?

Primeiro, precisamos lembrar que Deus tem toda a sabedoria.

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém (Rm 11:33-36).

Como podemos questionar ou acusar a Deus? Ele age como acha melhor para Seu Supremo propósito e nós, como seres desconhecedores dos intentos de Deus, não podemos questioná-lo. “Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição?” (Rm 9:19-22).

Segundo, nossos padrões de justiça não podem ser aplicados a Deus. Se nós tivéssemos a oportunidade de salvar alguém da perdição do Inferno e não o fizéssemos, estaríamos cometendo um pecado terrível. Isso é certo. O erro está em tentar aplicar isto a Deus. Sabemos que o Senhor manda que não nos vinguemos, mas Ele vinga-se; Ele manda que não matemos, mas Ele mata; Ele manda que perdoemos todos, mas Ele não fará isso. Isso seria hipocrisia? Logicamente, não. Ele não é um homem nos dando regras que Ele próprio não segue, Ele é um Deus Soberano que não tem nossa mesma natureza e, por isso, vive em padrões que não podemos viver.

Sobre este ponto, precisamos considerar a justiça de Deus em não salvar todos. Muitos consideram que Deus deve salvar os homens e que Ele seria injusto em não fazê-lo. O que nos esquecemos de considerar é que o ser humano é mal e depravado (!), sendo merecedor do inferno. O livro de Provérbios diz claramente que aquele que justifica o ímpio é abominável ao Senhor (17:15), assim, se Deus simplesmente perdoasse os homens, Ele estaria cometendo uma abominação. É unicamente porque a culpa dos filhos dEle foi castigada em Cristo que podemos ser salvos de um modo justo, pois nossos pecados não ficaram impunes. Assim, se Deus escolhe deixar alguém continuar seguindo sua própria vontade (que é a de ir contra Deus, segundo Rm 8:5-8), Ele não está sendo injusto, pois os ímpios irão para onde escolheram ir: para longe de Deus.

Terceiro, Deus quer manifestar Sua glória tanto na salvação quando na condenação dos homens. Paulo explicita isso de um modo que poucos pregadores modernos têm coragem:

“Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece. Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer […]. E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição?” (Rm 9:14-18,22).

Resumindo: Deus não salva todos porque a salvação dos homens não é Seu propósito final. Sua glória é o propósito final de tudo. Assim, Ele planeja manifestar Sua majestade tanto na salvação quando na condenação. Ele não é injusto em fazer isso porque nossos padrões não são aplicáveis a Ele e os homens merecem ir mesmo para o inferno.

Referências


[1] Alguns tentam usar I Tm 2:3-4 para defender que Deus quer salvar a todos. O problema aqui é que esses se esquecem de considerar o contexto da argumentação de Paulo, em que ele fala sobre homens de todos os tipos, e não todos os homens. Argumentei mais sobre isto em “Em Defesa da Expiação Eficaz”, que pode ser lido em teologiaevida.com
[2] PIPER, John. Alegrem-se os Povos: A Supremacia de Deus em missões. Editora Mundo Cristão, 2001.
[3] Idem.
[4] EDWARDS, Jonathan. The Dissertation Concerning the End for Which God Created the Worlf, The Works of Jonathan Edwards, vol. 1, organizado por Sereno Dwight (Edinburgo: Banner of Truth Trust), p. 119.
[5] Outros textos que embasam esta consideração são: Ef 1:4-6,12,14; Is 43:6,7,25; 49:3; Jr 13:11; Sl 25:11; 106:7,8; Rm 1:22,23; 3:23,25,26; 9:17,22,23; 11:36; 15:7; Êx 14:4,17,18; Ez 20:14; 36:22,23,32; 2Sm 7:23; 1Sm 12:20-22; 2Rs 19:34; 20:6; Jo 5:44; 7:18; 13:31,32; 16:14; 17:1,24; Mt 5:16; 1Pe 2:12; 4:11; 1Co 6:20; 10:31; Fp 1:9,11; At 12:23; 2Ts 1:8-10; Hb 2:14 e Ap 21:23.
[6] O Molinismo é a doutrina que afirma que Deus sabe o que qualquer pessoa livremente faria em qualquer situação onde Ele a criasse e, com isso, põe as pessoas em certas situações para influenciá-las até o limite de aquelas pessoas cederem ou não a tal influência.


Por Yago Martins
Fonte: Voltemos ao Evangelho

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Justificação!


Se obtem somente pela fé

Nós todos eramos inimigos de Deus nas nossas obras más e na nossa mente e isto porque nós todos caminhavamos segundo as concupiscências da carne; mas quando Deus manifestou o seu amor por nós, Ele nos justificou, isto é nos fez justos aos seus olhos, cancelando-nos todos os nossos pecados. E pela justificação nós fomos reconciliados com Deus e tornamo-nos seus amigos segundo está escrito: "A sua amizade está com os sinceros" (Pv. 3:32). E esta justificação que nós obtivemos a recebemos por fé, e portanto por graça e não por obras. As seguintes Escrituras o testificam de forma clara.

Paulo diz aos Romanos: "Sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo..." (Rm. 5:1), e: "Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus " (Rm. 3:23,24), e ainda: "Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira." (Rm. 5:8,9); as palavras "justificados pelo seu sangue" significam que nós somos justificados pela fé no sangue de Cristo. E ainda aos Romanos Paulo diz: "Se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e o dom da justiça, reinarão em vida por um só - Jesus Cristo" (Rm. 5:17). Notai as palavras "o dom da justiça"; elas mostram que a justiça de Deus (a justificação) se obtém gratuitamente por Deus sendo um dom de Deus. Ela se pode obter exactamente crendo no Filho de Deus: todo o mérito pessoal é portanto excluído. Um outro versículo da carta aos Romanos que testifica que para ser justificado é necessário só crer em Cristo é aquele que diz que "o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê." (Rm. 10:4).

Paulo diz aos Gálatas: "Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei." (Gl. 2:16); e: "A lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados" (Gl. 3:24); e ainda: "Tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os Gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti" (Gl. 3:8) (e isto aconteceu porque nós fomos benditos por Deus pela fé em Cristo que é descendência d`Abraão). E ainda aos Gálatas estão estas palavras: "Se fosse dada uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei. Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes" (Gl. 3:21,22). E na "promessa" está também a justiça de Deus (portanto a justificação); a quem é dada? A quem crê ou a quem faz obras? A quem crê porque ela foi prometida pela fé em Jesus.

* "O justo viverá pela sua fé" (Hb. 2:4): estas palavras Deus dirigiu ao profeta Habacuc, preanunciando desta maneira que Ele justificaria os homens pela fé, "pela fé a circuncisão, e por meio da fé a incircuncisão" (Rm. 3:30).

Estas outras Escrituras ao invez confirmam que  aqueles que se  baseiam sobre as obras da lei não são justificados e não serão justificados diante de Deus.

* "Pelas obras da lei nenhuma carne será justificada" (Gl. 2:16);

* "O homem não é justificado pelas obras da lei" (Gl. 2:16);

* "Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé" (Gl. 3:10,11);

* "Nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado" (Rm. 3:20).

Para demonstrar-vos como não se é justificado por obras mas somente por fé vos recordo o exemplo de Abraão nosso pai. Ora, Abraão, segundo o que diz a Escritura, foi justificado por Deus pela sua fé na promessa feita a ele por Deus (cf. Gn. 15:6), e esta justificação a obteve depois que ele saíu de Ur dos Caldeus (cfr. Gen. 12:4) e depois que ele deu o dizimo do melhor dos despojos a Melquisedeque, sacerdote do Deus altíssimo (cf. Gn. 14:20).
Portanto, atentemos bem para as seguintes coisas:

Ø Abraão não foi justificado por Deus quando ou porque obedeceu as ordens de Deus: "Sai da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei..." (Gn. 12:1). Certo, na epistola aos Hebreus está escrito que "pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança.." (Hb. 11:8), mas permanece o facto que não foi este acto de obediência de Abraão que lhe imputou a justiça;

Ø Abraão não foi justificado por Deus quando ou porque deu o dízimo a Melquisedeque; certo, ele fez algo de bom que Deus se agradou (aquele seu dízimo o recebeu no céu um do qual se testifica que vive), mas isso não obstante, não foi em virtude daquela boa obra que Abraão foi justificado por Deus;

Ø Abraão foi justificado por Deus porque creu na promessa de Deus segundo o que está escrito "Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça" (Rm. 4:3; Gn. 15:6); por isto também Abraão não tinha nada do que se gloriar diante de Deus.

Mas há um outro exemplo de um homem justificado por Deus pela graça mediante a sua fé, sem as obras da lei; é aquele do publicano que Jesus disse que tinha subido ao templo para orar assim como um Fariseu. Ele "nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador" (Lc 18:13), e por se ter humilhado diante a Deus, pela a sua fé foi justificado conforme está escrito: "Digo-vos que este desceu justificado para sua casa..." (Lc 18:14). Ao contrario, o Fariseu que dava graças a Deus por não ser roubador, injusto e adúltero como os outros homens, e fazia notar a Deus que ele pagava os dízimos de tudo o que possuia, que jejuava duas vezes na semana e que não era como aquele publicano, não foi justificado. Não é esta uma inequivoca confirmação que a justificação se obtem somente mediante a fé pela graça de Deus sem as obras? Certo que o é. Erram então grandemente todos aqueles que afirmam que para ser justificado por Deus não é suficiente a fé em Deus.

Mas porque a justificação não se pode obter pelas obras justas da lei? O motivo pelo qual a justiça não se pode obter por meio das obras da lei é porque a lei foi dada para dar aos homens o conhecimento do pecado (cf. Rm. 3:20) e para fazer abundar o pecado (cf. Rm. 5:20), e não para fazer justos os homens. Deus, para fazer justos os homens, deu o seu Unigénito Filho, e de facto é através do Filho que veio a graça e que nós fomos justificados.

Ora, vimos que a Escritura diz que pelas obras da lei o homem não pode ser justificado pelos seus pecados, porque a lei não tem o poder de justificar o pecador; vejamos portanto por perto algumas destas obras da lei que não justificam quem as cumpre. Na lei é dito: "As primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à casa do Senhor, teu Deus" (Ex. 23:19); "Vendo extraviado o boi ou ovelha de teu irmão, não te esconderás deles; restitui-los-às sem falta a teu irmão" (Dt. 22:1); "todo o credor, que emprestou ao seu próximo uma coisa, o quite; não a exigirá do seu próximo ou do seu irmão, pois a remissão do Senhor é apregoada " (Dt. 15:2); "Quando no teu campo segares a tua sega, e esqueceres um molho no campo, não tornarás a tomá-la; para o estrangeiro, para o órfão, e para a viúva será, para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda a obra das tuas mãos. Quando sacudires a tua oliveira, não tornarás atrás de ti a sacudir os ramos; para o estrangeiro, para o órfão, e para a viúva será. Quando vindimares a tua vinha, não tornarás atrás de ti a rebuscá-la; para o estrangeiro, para o órfão, e para a viúva será." (Dt. 24:19-21). Estas  são algumas das boas obras que Deus prescreveu na lei de Moisés porque  há muitas mais. Elas são todas obras justas; no entanto por elas não se pode ser justificado dos proprios pecados! Não é bastante clara a Escritura a tal respeito? Certo que o é para nós. Mas não para alguns que ao invez dizem que se é justificado pelas proprias obras. Mas estes perecem por falta de conhecimento das Escrituras porque se as conhecessem e as interpretassem correctamente não diriam tais coisas. Está escrito claramente em Isaías que toda a justiça do homem é "como trapo da imundícia" (Is. 64:6), portanto não importa quantas obras justas fazem os homens para serem justificados diante de Deus, se eles não se arrependem e não crêem no evangelho continuam a ser considerados pecadores aos olhos de Deus e isto porque não é com as mãos que se faz qualquer coisa para obter justiça mas "com o coração se crê para a justiça" (Rm. 10:10), como diz Paulo aos Romanos. É demasiado simples para ser verdade!’, nos exclamam os que pensam serem justificados pelas obras. Certo que aos olhos deles é demasiado simples não crêem que seja verdade; lhes é continuamente dito que se é justificado fazendo sacríficios e lhes é mantida escondida a palavra que diz: "Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o impio, a sua fé lhe é imputada como justiça" (Rm. 4:5); notai que "àquele que não pratica" significa ‘a quem não se apoia sobre as obras justas para a sua salvação’. O que se pode portanto esperar que nos digam? Saibam tais que "se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde" (Gl. 2:21).


Explicação das palavras de Tiago sobre o valor das boas obras

Tiago, o irmão do Senhor, disse: "Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaac? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus. Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé." (Tg. 2:21-24).

Vamos explicar estas suas palavras. Antes de tudo dizemos que Tiago escreveu estas palavras para crentes e não para incrédulos de facto pouco antes diz: "Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas...." (Tg. 2:1); digo isto para fazer-vos compreender que aqueles a quem estas palavras foram dirigidas tinham a fé e por isso estavam já justificados segundo o que está escrito: "Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo" (Gl. 2:16). Mas porque é que Tiago lhes falou desta maneira? Porque alguns crentes embora tendo a fé recusavam fazer as boas obras pensando que também sem as obras a sua fé seria suficiente a salvá-los da ira de Deus, iludindo-se assim a si mesmos. (Recordai-vos de facto que aqueles a quem escreveu Tiago eram crentes que matavam, invejavam, contendiam, que estavam a tornar-se inimigos de Deus porque tinham querido tornar-se amigos do mundo, crentes ricos materialmente que passavam por cima dos direitos dos seus empregados, crentes que tinham grande atenção para as pessoas ricas e desprezavam o pobre, e que murmuravam uns contra os outros; portanto é perfeitamente compreensível o duro discurso de Tiago).
E então Tiago primeiro os reprovou dizendo: "Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver  as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? " (Tg. 2:14), e ainda: "Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?" (Tg. 2:20) fazendo-lhes perceber que só a fé nada lhes valeria, e depois dando-lhes os exemplos de Abraão e de Raabe para confirmar que as obras têm que acompanhar a fé para que esta tenha valor. O discurso de Tiago versa sobre o facto que se alguém diz ter fé, isto é de ter crido em Cristo Jesus, mas não tem as obras a sua fé é sem valor, ou, como diz num outro lugar é morta. São palavras duras aquelas de Tiago, mas elas nos fazem compreender quanto são importantes as boas obras para nós crentes; cuidai que Tiago não disse de todo que a justiça se obtém pelas obras da lei ou que o homem pecador é perdoado ou recebe a vida eterna em virtude das suas boas obras; atribuir este significado às suas palavras significaria dizer que Tiago tinha subvertido o Evangelho porque constrangia os Gentios a viverem como Judeus dizendo-lhes que se é justificado pelas obras da lei. O seu discurso ao invez tem como finalidade desencorajar qualquer crente de pensar que depois de ter crido e se recusa a fazer boas obras será agradável o mesmo aos olhos de Deus e será salvo na mesma. Portanto, se a fé em Deus sem as obras não tem valor como não tem valor o facto de também os demónios crerem que há um só Deus, é necessário concluir que a fé que tem valor é aquela que tem as boas obras, e de facto isto é confirmado pelo apóstolo Paulo que diz aos Gálatas: "Aquilo que tem valor é a fé que opera pelo amor" (cf. Gl. 5:6), e aos  Coríntios: "A observancia dos mandamentos de Deus é tudo" (1 Co. 7:19). O parágrafo feito por Tiago é verdadeiramente apropriado; porque se alguém reflectir bem também os demónios crêem que há um só Deus como o cremos nós; e se é por isto eles, quando Jesus estava sobre a terra, demonstraram também saber que Jesus era o Filho de Deus, o Santo de Deus e o Cristo de facto disseram a Jesus: "Tu és o Filho de Deus!" (Mc. 3:11), e ainda: "Bem sei quem és: o Santo de Deus" (Mc. 1:24), e Lucas diz que eles "sabiam que ele era o Cristo" (Lc 4:41). Mas não é porque os demónios crêem que há um só Deus, ou porque sabem que Jesus é o Cristo e o Filho de Deus,  que isso significa que eles serão salvos do fogo eterno; de todo, porque nós sabemos também que eles sabem que um dia serão lançados no fogo eterno para serem atormentados pela eternidade porque disseram a Jesus: "Vieste aqui atormentar-nos antes de tempo?" (Mt 8:29); esta é a sorte que lhes está reservada. Assim não é porque alguém creu em Cristo que se pode permitir recusar fazer boas obras, porque em tal caso nada lhe valeria ter um dia crido.

Voltamos às boas obras; elas servem para fazer e manter viva a nossa fé no Senhor de facto se um crente cessa ou se recusa a fazer boas obras por certo a sua fé morrerá e será como uma lâmpada fundida que não pode dar luz. Tiago o disse claramente: "como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta" (Tg. 2:26); para que serve um corpo sem o espírito nele? Para nada, porque não pode falar, não pode mover-se, não pode ajudar ninguém. Para que serve a fé sem as obras? Para nada, porque não opera nada em prol daqueles que são necessitados; ela é morta. Também Paulo falou de uma maneira similar a Tiago quando disse aos Romanos: "Se viverdes segundo a carne, morrereis" (Rm. 8:13); portanto as referidas palavras de Tiago encontram uma confirmação também nos escritos de Paulo. Se um crente de facto começa a caminhar segundo a carne (refutando assim cumprir boas obras) morre espiritualmente, se bem que diga de ter fé, de crer em Deus, de crer que Jesus é o Filho de Deus, etc.

Tiago deu o exemplo de Abraão para explicar como o patriarca foi justificado pelas suas obras e não pela sua fé somente. Ora, para evitar mal entendidos começamos por dizer que Abraão, segundo o que diz a Escritura, quando creu na promessa lhe feita por Deus a sua fé lhe foi imputada como justiça conforme está escrito: "E creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça" (Gn. 15:6), portanto ele recebeu o perdão dos seus pecados pela sua fé, por graça. Não fez nenhuma obra meritória ou boa obra para obter a justiça, porque também ele foi justificado por Deus pela fé. De facto Paulo diz que "se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus" (Rm. 4:2) porque a Escritura diz que ele creu a Deus e esta sua fé lhe foi imputada como justiça. Portanto, Abraão teve fé em Deus, mas o patriarca demonstrou de ter fé em Deus seja quando creu com o seu coração na promessa que Deus lhe havia feito e seja quando ofereceu o seu filho Isaac sobre o altar como lhe tinha ordenado para fazer Deus. Vós sabeis de facto que diversos anos depois de Abraão ter crido, Deus colocou à prova Abraão ordenando-lhe a ir sobre um monte e oferecer em holocausto o seu filho Isaac.E Abraão obedeceu a Deus, considerando que Deus o teria ressuscitado dos mortos para cumprir a promessa que tinha feito (cfr. Hb. 11:17-19). Portanto ele creu que teria recuperado o seu filho mediante uma ressureição, e que não o perderia porque Deus  lhe tinha que manter as promessas feitas. E por esta sua fé ele agradou a Deus de facto quando ele estava para degolar Isaac o anjo de Deus lhe disse: "Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus" (Gn. 22:12) e lhe jurou também por si mesmo que o abençoaria e lhe multiplicaria a sua descendência como as estrelas do céu. Tiago diz que Abraão foi justificado por obras quando ofereceu o seu filho e isto é verdadeiro porque Abraão mediante aquela obra que cumpriu demonstrou temer a Deus e de crer firmemente na sua promessa. Portanto podemos dizer que Abraão demonstrou com os factos a fé que ele tinha em Deus; e por isto foi chamado amigo de Deus. Como Abraão também nós que crêmos seremos chamados amigos de Cristo se fazemos o que ele nos manda fazer segundo está escrito: "Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando" (João 15:14); mas se nós dizemos crer em Cristo Jesus e depois recusamos observar as suas palavras como poderemos demonstrar que cremos nele e pretender ser chamados amigos de Cristo e de Deus? Nos meteremos ao mesmo nível de tantas pessoas do mundo que se dizem Cristãs, dizem crer em Jesus, mas sendo incapazes de realizar qualquer boa obra demonstram que não crêem nele. Como a fé de Abraão foi completa pelas suas obras, assim também a nossa fé será completa pelas nossas boas obras. O apóstolo Pedro explica isto na sua segunda epistola desta forma: "Fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Pe. 1:10,11). Fazendo o quê? Aquilo do qual ele falou um pouco antes: isto é acrescentando à fé a virtude, a ciência, a temperança, a paciência, a piedade, o amor fraterno e a caridade (cf. 2 Pe. 1:5-7). Portanto também Pedro cria que acrescentando à nossa fé as boas obras (de facto a piedade, o amor fraterno e a caridade como se manifestam na prática se não fazendo boas obras no relacionamento com aqueles de dentro primeiro, e depois com aqueles de fora?) nos será concedida a entrada no reino de Deus, ou dito de uma outra forma, fazemos segura a nossa vocação e eleição. Reflitámos: porque é que depois de ter crido se sente a necessidade de fazer boas obras?  Sim,  está-se seguro de ter sido perdoado pelo Senhor, sim,  está-se seguro de ser um filho de Deus, de ter a vida eterna; mas não obstante isso em nós surge o grande desejo de nos pôr a fazê-las para fazer segura a nossa eleição, porque sentimos que dizendo só que cremos sem fazer nada em benefício dos santos para a glória de Deus, não fazemos firme a nossa eleição. E depois, tende sempre presente que as boas obras levam o próximo, que as vê fazer, a glorificar Deus de facto Jesus disse: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus" (Mt 5:16); e portanto constituem uma forma de honrar Deus e a sua doutrina. Ao  contrário o recusar completar boas obras  leva o nosso próximo a blasfemar o nome de Deus e a sua doutrina conforme está escrito: "o nome de Deus é blasfemado entre os Gentios por causa de vós" (Rm. 2:24).

Para concluir dizemos isto: a fé tem necessidade das boas obras para ser completa, mas isto não significa que a fé não é suficiente para ser justificado porque a Escritura afirma que "o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo" (Gl. 2:16). Longe de nós por isso de nos pôr-mos a fazer como fizeram os crentes da Galácia que depois de ter começado com o Espírito quiseram alcançar a perfeição com a carne, depois de ter aceitado Cristo o tinham renunciado porque queriam ser justificados pela lei (cf. Gl. 5:4), o que fez indignar e preocupar Paulo que os admoestou severamente e lhes disse que estava de novo em dores de parto por eles até que Cristo fosse formado neles (cf. Gl. 4:19). Irmãos, cuidai de vós mesmos, e tende sempre presente que querer ser justificado pelas obras é uma ofensa a Cristo porque se anula a sua obra espiatória. Sede zelosos nas boas obras mas não penseis que essas possam acrescentar algo mais aos méritos de Cristo.


por www.portoghese.lanuovavia.org

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