sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Expondo as Heresias da Igreja Católica: A MISSA





O escritor da carta aos Hebreus é inescapavelmente claro sobre a natureza singular do sacrifício de Cristo.

Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus; nem ainda para se oferecer a si mesmo muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no Santo dos Santos com sangue alheio. Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado. E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação. (Hebreus 9.24-28)

A Escritura não hesita na finalidade do sacrifício de Cristo em nosso favor. Ele veio para realizar uma oferta única pelo pecado, para nunca mais ser repetido. Foi um contraste com a aliança mosaica, que necessitava de um sistema de sacrifícios quase constantes. Mas nenhum dos sacrifícios do Antigo Testamento podia verdadeiramente expiar o pecado. Eles só podiam servir como uma lembrança da libertação de Deus e prefigurar o sacrifício final de Cristo, o qual iria vencer o pecado.

Com a prática da missa, a Igreja Católica Romana tem reinstituído um sistema antibíblico de sacrifícios repetidos, blasfemando de Cristo e pervertendo Sua obra na cruz.

De que maneira a missa é importante para o Catolicismo? O Catecismo da Igreja Católica se refere a ela como a “fonte e o ápice da vida cristã”. Ou seja, é a origem e o ponto alto da fé católica. Ela não é periférica – é o coração e a alma de todo o sistema.

Em seu livro The Faith of Millions, [A Fé de Milhões], John O'Brien, um padre católico, explica o procedimento da missa:

Quando o sacerdote pronuncia as tremendas palavras de consagração, ele chega até aos céus, faz Cristo descer do seu trono, e coloca-o em cima de nosso altar para ser oferecido novamente como vítima pelos pecados do homem. É um poder maior do que o de monarcas e imperadores; é maior do que o de santos e anjos, maior do que o dos Serafins e Querubins. Na verdade, é ainda maior do que o poder da Virgem Maria. Ao passo que a Bendita Virgem foi o agente humano pelo qual Cristo se encarnou uma única vez, o sacerdote faz Cristo descer do céu e torná-lo presente em nosso altar como a eterna vítima pelos pecados do homem, não uma, mas mil vezes! O sacerdote fala: aqui está! Cristo, o Deus eterno e onipotente, curva a sua cabeça em humilde obediência ao comando do padre.

Simplificando, a Igreja Católica não deixa Cristo fora da cruz. Na missa, a substância do pão e do vinho são, supostamente, transformados no corpo e no sangue de Jesus, tornando-o como um sacrifício incompleto e repetido pelos pecados. Ele não é Senhor e Salvador – Ele é uma vítima eterna, perpetuamente limitado ao altar pelo poder do sacerdote, visivelmente e universalmente simbolizado no crucifixo católico romano. 

Isso é uma negação direta do ensinamento de Paulo em Romanos 6.8-10:

Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos, sabedores de que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.

Ao negar o sacrifício singular de Cristo, o catolicismo impregna seu sacerdócio ilegítimo com poder e autoridade artificial, escravizando seus seguidores para um sistema redundante de ofertas ineficazes para o pecado dos ímpios. É essencialmente o paganismo regado com a terminologia cristã suficiente para enganar e iludir almas, convencendo-os de que a morte de Cristo na cruz não foi suficiente para realizar a salvação deles. Com efeito, a missa anula o verdadeiro significado da cruz.

J. C. Ryle explicou as implicações teológicas, espirituais e as imperfeições da missa católica:

A doutrina romana da presença real, se buscada até suas últimas consequências legítimas, obscurece toda a doutrina central do evangelho, prejudicando e comprometendo todo o sistema da verdade de Cristo. Se permitirmos por um momento que a Ceia do Senhor seja um sacrifício, e não um sacramento, permitirmos que cada vez que as palavras da consagração sejam usadas, o corpo e o sangue de Cristo estão presentes na mesa da comunhão sob a forma de pão e vinho, permitimos que todo aquele que come o pão e bebe o vinho consagrado realmente come e bebe o corpo e o sangue de Cristo. Se permitirmos por um momento essas coisas, veremos depois as consequências graves resultantes dessas premissas.

Vocês corromperam a bendita doutrina da obra definitiva de Cristo quando Ele morreu na cruz. Um sacrifício que precisa ser repetido não é algo perfeito e completo. Vocês corromperam a função sacerdotal de Cristo. Se há padres que podem oferecer um sacrifício aceitável a Deus além dEle, o grande Sumo Sacerdote, sua glória é usurpada. Vocês corromperam a doutrina bíblica do ministério cristão. Vocês engrandecem homens pecadores na posição de mediadores entre Deus e o homem. Vocês oferecem aos elementos sacramentais do pão e do vinho uma honra e veneração que eles nunca foram feitos para receber, e produzem uma idolatria abominável de cristãos fiéis. Por último, mas não menos importante, vocês derrubam a verdadeira doutrina da natureza humana de Cristo. Se o corpo nascido da Virgem Maria pode estar em mais lugares do que um, ao mesmo tempo, então não é um corpo como o nosso, e Jesus não era “o último Adão” de verdade da nossa natureza.

Em termos simples, a missa não tem nada a ver com o evangelho cristão, nada a ver com a vida cristã, e nada a ver com a igreja cristã. Ela rejeita a verdadeira natureza bíblica de Deus, Cristo, pecado, salvação, expiação e perdão. Ela rouba da cruz o seu significado e substitui com idolatria superficial, centrada no homem. É uma mentira, uma fraude e uma fabricação condenável que escraviza corações e prepara as pessoas para a condenação.


por John MacArthur
Fonte: Grace to You

O mundo e o diabo como tentadores



O mundo

O mundo instiga tanto convertidos como não convertidos a cometerem pecado. Ele coloca diante deles todos os tipos de entretenimento, na esperança de se beneficiarem de alguma forma, bem como amizade, amor, apreço e fama. Se isso não lograr êxito, ele irá ameaçar com o mal, infortúnio, opróbrio, perseguição, etc.

Ainda que uma pessoa mundana tente outra pessoa mundana ao pecado, a igreja em geral, e cada crente individualmente, é o seu foco principal. Os últimos são como ovelhas entre os lobos. Portanto, eles não devem confiar em ninguém, mas devem estar sempre vigilantes quando estiverem entre as pessoas do mundo.

O Senhor Jesus predisse que não temos que esperar nada do mundo, senão o mal das pessoas mundanas. No mundo tereis aflições (João 16.33). O Senhor Jesus também ensina que devemos estar em guarda com os homens (Mateus 10.17). Ademais, lemos ainda:

Prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza. 
(2Pedro 3.17)

Para finalizar, o Senhor Jesus aduziu este precioso conselho:

Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. 
(Mateus 10.16)


O diabo

Satanás também tenta o homem. Os não convertidos estão em seu poder. O diabo governa sobre eles, que são prisioneiros de sua vontade. Ele exerce todo o seu poder para fazer com que os crentes venham a cair em tentações. Outrossim, ele leva o nome de tentador (Mateus 4.3), inimigo (Mateus 13.39), adversário (1Pedro 5.8) e diabo (Tiago 4.7). Destarte, suas tentações mais sutis são referidas como ciladas (Efésios 6.11).

Ele procura descobrir aonde o crente é vulnerável; e, baseado nisso, apresenta suas tentações. Não seria razoável ele fomentar suas tentações com todos, uma vez que não seria muito eficaz. Ele conhece a estrutura do homem, bem como a sua vulnerabilidade; ele sabe qual é o pecado mais suscetível de ser cometido, sabe as circunstâncias e a ocasião em que iremos cometê-lo. Juntamente com isso, ele lança pensamentos e imagens em nossa mente, na tentativa de nos fazer cogitar tais pensamentos, estimulando nossos desejos pecaminosos através destas reflexões.

No momento oportuno, ele irá criar situações que sabe que temos caído frequentemente. Então, quando a alma estiver desesperada, prestes a ruir em pecado, ele tentará seduzi-la para um próximo pecado. Ele sabe como disfarçar bem o pecado de maneira sutil, apresentando-o de maneira tão desejável que a nossa vontade é completamente excitada. No início, o pecado estimula o homem, instando-o de tal modo para que não tenha tempo de direcionar um pensamento sequer com respeito a Deus. Uma vez que o pecado foi cometido, ele tenta levar a pessoa ao desespero, ao sugerir:

“Uma vida assim não pode coexistir com a graça. Você não é nascido de novo. Você não tem a fé verdadeira. Não há graça para você. Seu pecado é muito grande. Você deve ter cometido o pecado contra o Espírito Santo. Após isso, ele vai aterrorizá-lo de várias maneiras”.

Contudo, nós temos que saber isto: o diabo não pode coagir o homem a pecar. Tudo o que ele pode fazer é imbuir, seduzir, criar situações. Logo, o próprio homem é responsável pelos pecados que comete, não podendo, assim, culpar o diabo. Ademais, nem sempre o diabo é o tentador; antes, é o próprio homem que geralmente inicia o pecado.



por Wilhelmus à Brakel
Trecho extraído de The Christian’s Reasonable Service, volume 3, pág 576-578

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Por que não construímos templos?


A velha e nova aliança

  • Cremos que não apenas temos que ter a Bíblia como nossa base de fé, mas também precisamos fazer diferença entre as duas alianças.
  • Se fôssemos praticar tudo o que ensina o Velho Testamento estaríamos em grande confusão. Teríamos que sacrificar animais, guardar o sábado, apedrejar adúlteros e outras coisas mais. Então nossa regra de fé é baseada no NT, muito mais que no VT.
  • E precisamos entender quais coisas mudaram com a nova aliança.

Onde começa a nova aliança?

  • Começa quando Jesus a propõe na última ceia. Ali ela é virtualmente instaurada. Entra em vigor com sua morte, ressurreição, ascensão e com a descida do Espírito Santo.
  • Ou seja: Jesus viveu no período onde a velha aliança era vigente. Por isso ele chamou o templo de Jerusalém de "casa de meu pai" (Lc 2.49).
  • Jesus era judeu e viveu como tal, obedecendo toda a lei de Moisés.
  • Se o fato de que Jesus referendou o templo judaico fosse uma prova de que deveríamos ter templos ainda hoje, então também teríamos que praticar a circuncisão, pois Jesus foi circuncidado (Lc 2.21).
  • Então. Jesus referendou o templo como casa de seu Pai, porque ele era judeu e viveu no tempo e contexto da velha aliança.
  • Em conversa com a mulher samaritana ele disse que haveria uma mudança radical quanto ao lugar de culto. A mulher perguntou onde era o lugar certo para adoração (Jo 4.19). Jesus respondeu que esta questão de lugar para adoração estava para mudar. Disse que não seria mais uma questão de local, mas de atitude espiritual (Jo 4.21-24).

Como foi a prática da igreja logo após o pentecostes? Em Jerusalém

  • EM JERUSALÉM At 2.46; 5.42 – No templo e de casa em casa.
  • Aqui o Espírito Santo começa a dirigir a igreja a reunir-se nas casas. Ali poderia haver maior comunhão, entrelaçamento de vidas, ambiente informal mais propício ao evangelismo, etc.
  • Eles também iam diariamente ao templo. Mas em que parte do templo? Aquele templo não era como os templos modernos com bancos voltados para um púlpito. O templo judeu tinha o “Santo dos Santos”, onde somente o sumo sacerdote podia entrar, o “Lugar Santo”, onde entravam os demais sacerdotes, e o Átrio onde o povo podia entrar. Mas este átrio era exclusivo para o uso dos costumes judaicos. A igreja não se reunia ali. Onde então eles se encontravam? No pórtico de Salomão (At 5.12). Era um lugar público onde as pessoas podiam passear (Jo 10.23), e acorriam (At 3.11). Não era um lugar para o culto judaico. Era onde os cambistas vendiam os animais e Jesus derrubou as suas mesas. Ali, neste lugar público, a igreja costumava encontrar-se. Os apóstolos haviam visto o exemplo de Jesus que durante seus três anos de ministério esteve sempre onde o povo estava e não em lugares fechados.
  • Vemos, portanto, que a igreja em Jerusalém nunca usou um templo nos moldes como a igreja o faz nos dias de hoje. Nunca viu um lugar assim, não sentiu necessidade, nem sequer o imaginou. Impactaram Jerusalém sem comprar um único tijolo.

Resumindo: Eles se reuniam nas casas e em um lugar público chamado “Pórtico de Salomão”.


No mundo gentil (depois que a igreja se espalhou por vários países).

  • Nunca mais se houve falar em templos. Importante: nunca mais! Não há um só texto, uma única referencia, nem a construir, nem a comprar templos. Leia Atos e as cartas. Não se fala mais em templos.
  • Eles se reúnam basicamente nas casas (Rm 16.5, 10, 11; 1Co 16.15, 19; Fp 4.22, Cl 4.15; Fm 1.2)
  • Os apóstolos entenderam que era hora de aplicar a verdade completa que já estava anunciada no VT. At 7.48; 17.24
  • Não é de estranhar que nós demos muita importância àquilo que os apóstolos nunca deram? Eles nunca falaram. Nunca construíram. Nunca usaram. Nunca se preocuparam com isto! Porque nós nos preocupamos com algo que não existia na vida da igreja primeira que foi modelo para todas as gerações que viriam depois?

De onde surgiram os Templos?

  • Por séculos a igreja seguiu crescendo e se edificando sem nem mesmo pensar em construir templos.
  • No terceiro século, quando o Imperador Constantino decretou o cristianismo como religião oficial do estado romano e batizou todo o seu exército à força, a igreja deixou de ser um lugar de novo nascimento para os arrependidos e sedentos pela vida eterna, para ser uma religião formal, estatal, obrigatória e sem vida espiritual. Começou aí uma grande decadência, uma série de invenções e distorções humanas que afastaram a igreja do ensino de Jesus e dos apóstolos.
  • Uma dessas invenções foi o uso do templo. Era uma imitação do judaísmo e das religiões pagãs que tinham seus templos e lugares santos. Faz parte dos desvios da igreja que foram muitos.
  • Por ocasião da reforma, muitas coisas da fé antiga foram recuperadas. As principais delas foram a justificação pela fé (Lutero) e a santificação dos que foram chamados (puritanos, anabatistas, metodistas, etc.). Entretanto esta herança católica do uso dos templos nunca foi avaliada pela reforma.
  • Há ainda outros aspectos que nunca foram recuperados. Por séculos, a igreja ainda tem vivido à parte de verdades tais como: Evangelho do Reino (Mt 4.17, 23; 9.35; 24.14; Lc 4.43; 8.1; 16.16; At 8.12;19.8: 20.25); O corpo crescendo por meio das juntas e ligamentos (Ef 4.15-16; Cl 2.19); a pluralidade de ministérios (1Co 12.28; Ef 4.11); o que é um verdadeiro discípulo – seguidor – de Cristo (Lc 14.26, 27, 33; Jo 8.31; 13.34-35; 15.8) e muitas outras coisas mais.
  • Nós não somos e nem devemos ser seguidores de uma reforma religiosa, e muito menos do atual contexto evangélico decadente e imiscuído. Queremos seguir a Jesus e seus primeiros apóstolos. O que eles fizeram, queremos crer e fazer. O que eles não fizeram não queremos fazer, ainda que a igreja inteira o faça. Eles não usaram templos. Nós também não vamos usar.

Porque o Espírito Santo conduziu a igreja às casas e não aos templos?

  • Porque Deus não habita em templos feitos por mãos humanas.
  • Porque Deus revelou que não há mais um lugar de adoração.
  • Porque Deus quer verdadeiro amos entre seus filhos. Os templos são impessoais. As pessoas se reúnem ali e depois vão embora para suas casas sem participarem da vida uns dos outros. Ninguém sabe como os outros estão vivendo, seus problemas, aflições, necessidades. Não há serviço de uns para com os outros, oração, amparo, socorro aos necessitados. Cada um se encontra naquele lugar, tem momentos de vida muito “espiritual” e logo voltam para suas casas e vidinha independente. É cada um por si. Quando a igreja se reúne nas casas, os grupos são obrigatoriamente pequenos. Portanto há verdadeira comunhão, conhecimento, participação, mutua dependência, socorro, ensino para cada situação particular e dezenas de outras coisas mais.
  • Porque nos templos ninguém conhece como é a vida de cada um. É fácil demais ser espiritual ali. Mas ninguém sabe como está cada um, com sua esposa, seus filhos, seus pais. Desenvolve-se uma vida espiritual de fachada. Os templos trazem a vida de fé para fora da realidade diária das pessoas. Geram uma dicotomia entre a vida espiritual e domingueira e a vida diária e secular. Cooperam com a formação de “fariseus”. Ao reunirmos nas casas estamos casando o dia a dia com o culto a Deus, a vida real com a espiritual. Reunir nas casas coopera com a autenticidade.
  • Porque os templos são formais e frios. As casas são aconchegantes, lugar normal da vida, lugar onde Deus abençoa todos os dias e não apenas na reunião.
  • Os templos exigem um gasto irracional. Não sobram recursos para ajudar aos necessitados (como vemos em Atos). As casas, por outro lado, já estão construídas. Já têm banheiro, lugar para deixar um bebê dormindo, cadeiras, sofás, água para todos, etc. Os recursos podem então ser canalizados para necessidades reais e justa.


por Marcos Moraes
Fonte: www.fazendodiscipulos.com.br

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

E esse tal de feminismo?

Resultado de imagem para V-J Day in Times Square

A fotografia todo mundo conhece. V-J Day in Times Square é aquela famosa imagem de um marinheiro norte-americano beijando uma jovem enfermeira naquela famosa avenida de Nova York. Essa mesma que ilustra o texto. A foto correu o mundo em 1945 através de uma edição da Revista Time transformando o beijo de dois desconhecidos em símbolo da alegria popular pelo fim da II Guerra Mundial. Da foto nasceu uma escultura de 7 metros de altura que se encontra hoje instalada em San Diego, Estados Unidos. É uma bela foto e também uma bela escultura, mas … Em 2014 um grupo feminista francês chamado Osez Le Feminisme, abriu uma petição pública exigindo que a escultura icônica fosse removida de uma exposição por se tratar, segundo o grupo, do registro de uma agressão sexual, de um crime, uma vez que o marinheiro não tinha o direito de beijar a enfermeira, mesmo ela tendo comentado que havia gostado do beijo. Ces la vie! Reportagem aqui.

Por essas e outras histórias (e estórias), o feminismo – nome popular para o Movimento de Emancipação das Mulheres, entrou na pauta das discussões dos principais meios de produção de conhecimento, assim como entrou também nas discussões mais corriqueiras da cultura através dos principais jornais, revistas e desenhos infantis de nossa época. Feminismo é conversa séria de programas transmitidos no começo de uma tarde dominical como aconteceu no programa da Regina Casé que teve como pautas assuntos como assédio moral, violência física, mercado profissional, autonomia econômica, estética feminina depois de uma chamada da apresentadora de que “as mulheres estão cansadas de serem tratadas como cidadãs de segundo classe”.

Mas entender o feminismo significa ter presente os diferentes momentos pelos quais passou a construção de suas diferentes identidades. Historiadores não estão bem certos se podemos falar de um movimento unívoco com uma epistemologia própria ou se o feminismo na verdade seria um fenômeno com o agrupamento de muitos movimentos de diferentes ideias e ações. Para maioria, a segunda posição é a mais adequada, pois, segundo eles, poderíamos no máximo captar características comuns dos diferentes feminismos. Isso porque, mesmo havendo uma gramática de reivindicações parcialmente comum conforme a época e as principais vozes, há divergências no modo como as reivindicações poderiam ser alcançadas a partir do ponto da justificativa do problema. Há feminismos de orientação individualista, liberal, radical ou marxista. E o modo como se organizam e as bandeiras que levantam como problemas fundacionais mudam sutilmente sua identidade cultural.

No Brasil os feminismos de vieses marxista e psicanalíticos parecem sobressair sobre os demais. Inclusive, parecem mesmo se inter-relacionarem. Os argumentos giram no sentido da importância do gênero e da luta de classes, analisando os modos como dois eixos paralelos, economia (capitalismo) e família (patriarcado) estruturam a vida das mulheres. Uma perspectiva ético-racial também tem ganhado força nos últimos dias. Por sua vez, as feministas de tendências psicanalíticas centram suas discussões na sexualidade como uma poderosa força cultural e ideológica ao postularem que as mulheres são oprimidas pelo fato desta força cultural ideológica da diferença sexual estar inscrita nos corpos e no inconsciente.

Mesmo não havendo espaço aqui para detalhar os vários períodos e identidades do feminismo, vale destacar a importância da sua primeira fase, nascida ali no século XVIII com a Declaração dos direitos da mulher e da cidadã, de Olympe de Gouges. Este é um período onde as mulheres não podiam assinar contratos, herdar propriedades, contratar advogados, votar e ter direitos sobre os filhos. Pelas leis da Inglaterra, por exemplo, o marido e a mulher eram uma só pessoa jurídica e a existência legal da mulher estava constituída na pessoa do marido, cuja a asa, proteção e tampa, ela executava a maioria das coisas do domínio público. A complexificação da sociedade demandava maior participação das mulheres na cena pública e um “novo homem” se constituía em sociedade através da ideia de cidadão. Era mais do que necessário que as mulheres se apresentassem marcando que este “novo homem” na verdade era homem e mulher. Neste estágio inicial, o movimento das mulheres se concentrou no sufrágio e se manteve inter-relacionado ao Movimento de Temperança (movimento de mulheres conservadoras pouco comentado pelos compêndios feministas) e ao Movimento Abolicionista. Este talvez seja o momento mais profícuo e importante das reivindicações femininas como movimento. Era onde nascia o modelo de sociedade e cidadania tal como a conhecemos e onde a bandeira da igualdade não se articulava sobre um discurso de oposição entre homens e mulheres, tal como vemos nos últimos dias.

Na teologia, segundo Ivone Gebara, freira católica, filósofa e teóloga feminista brasileira, a teologia feminista se tornou parte de uma revolução cultural que, segundo ela, ainda está em seus primeiros passos, tendo se desenvolvido a partir da segunda metade do século 20 inicialmente em alguns países da Europa Ocidental e nos Estados Unidos e a partir de 1980 na América Latina, África e Ásia, muito na esteira do espírito revolucionário presente na Teologia da Libertação. A trabalho das teólogas feministas, parte do ponto de que há uma dominação do ídolo divino masculino que marca e limita a vida das mulheres e o principal desafio dessa teologia é introduzir a metodologia da suspeita e da desconstrução de conceitos teológicos (Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, Pecado, Bem e Mal, Encarnação, Redenção e outros) verificando a origem e a pertinência em relação à experiência histórica e feminina. Esse trabalho é feito através da investigação dos textos da Bíblia considerados Palavra de Deus e da denúncia do mau uso do texto em vista da execução de políticas que favorecem a uns e desfavorecem a outros. Tudo na redução dualista de uma oposição em eventos que sempre podem apontar alguma trapaça. Não pode dar certo algo que começa pela pura suspeita e desconstrução, pode?! Aqui estamos na segunda para a terceira fase do momento feminista. Onde o discurso começa a pesar pela radicalidade de algumas posições.

Vejamos o que falou a feminista cristã Mary Daly, na faculdade de teologia da Universidade de Harvard: “indo direto ao assunto, proponho que castremos o Cristianismo e joguemos fora os frutos da sua arrogância masculina: os mitos do pecado e da salvação, que são simplesmente sintomas diferentes da mesma doença… Minha opinião é que a ideia de que a salvação veio ao mundo exclusivamente através de um salvador masculino perpetua o problema da opressão dos homens sobre as mulheres… o que está acontecendo hoje é que as mulheres estão se rebelando para castrar o sistema masculino que as castra e coloca Deus como “Pai” de todas as pessoas”. Outra disse ainda: “se a religião cristã não dá às mulheres recursos espirituais e intelectuais para que elas sintam satisfação em ter um emprego fora de casa, então talvez precisemos eliminar as imagens de família que enchem a Bíblia – começando com Deus como Pai e sua semelhança terrena, o pai de família”. Essas duas falas se encontram no livro De Volta ao Lar: do feminismo a realidade de Mary Pride e as suas escolhas se apresentam como uma tentativa de chamar atenção para o perigo da adoção de certas posições sem uma crítica adequada do assunto.

Susan T. Foh, em seu livro Women and the Word of God: A Response to Biblical Feminism, traduz essas falas de forma bastante perspicaz. Diz ela: “a questão mais importante que as feministas evangélicas debatem é de que modo a Bíblia deve ser interpretada… Elas acham que já a Bíblia foi escrita numa cultura onde a liderança pertencia totalmente ao pai de família, essa cultura influenciou os escritores da Bíblia a ter preconceitos contra os direitos das mulheres… De acordo com essa maneira de ver, há falhas e contradições na Bíblia. Aliás, essa opinião exalta a razão humana, pela qual o ser humano decide o que é e o que não é a palavra de Deus…. Para resumir, as feministas evangélicas veem contradições irreconciliáveis nos ensinos da Bíblia sobre as mulheres. Elas resolvem essas contradições reconhecendo que a Bíblia reflete as limitações humanas… as feministas evangélicas não acreditam que Deus nos deu sua palavra, que é verdadeira e digna de confiança, padrão imutável de fé e prática. Para elas, a Bíblia é uma mistura de informações (parte é a pura Palavra de Deus e parte sãos somente conselhos de homens moldados por sua cultura machista), e Deus nos deu a liberdade para imaginar quais as partes em que devemos acreditar e obedecer. A razão humana se torna a autoridade suprema, o juiz da Bíblia”. Onde ficou o critério de verdade em posições como essas?

Assim, podemos ensaiar uma primeira pergunta: é possível ser uma feminista cristã? Primeira coisa é entendermos que as crenças e convicções dentro do feminismo são muitos amplas, variadas e em alguns momentos contraditórias para que nos permita um julgamento final. Ideologias feministas se mostraram boas, neutras ou ruins, dependendo da especificidade da reivindicação quando colocada diante das crenças fundamentais da bíblia e de uma boa teologia moral e prática.

As boas e neutras e que aparecem nas reivindicações feministas mais antigas são aquelas que dizem respeito às mulheres serem respeitadas por si mesmas, sustentarem seus filhos, a terem direito sobre eles e serem respeitadas na situação de viuvez ou divórcio. Ensinamentos e ações de Jesus sinalizaram o respeito que as mulheres deveriam receber. Ele perdoou as mulheres de má reputação (João 8:1-11), falou respeitosamente a mulher samaritana (João 4: 4-42) e interagiu com uma mulher impura (Mateus 9:20-22). Paulo também fez o reconhecimento de 10 mulheres em 26 pessoas que nomeou no capítulo 16 da carta aos Romanos, além de chamar primeiro Priscila, esposa de Áquila, para publicamente agradecer-lhes a própria vida. Tanto Paulo quanto Jesus realizando aqui ações em franco desacordo com o sistema religioso da época sem, no entanto, deixar de denunciar o pecado das condutas individuais das mulheres, assim também, como fazia com os homens. O que não ocorre em nossos dias, por exemplo. Falar de erro dentro de feminismo em vista de uma fala ou ação claramente demarcada é falta de sororidade ou método de desmerecimento do movimento. Pecado mortal e sem direito a perdão! Se houver ainda alguma dor ou trauma relacionado… esquece. Não há diálogo. Está tudo justificado, inclusive, com a imposição normativa do silêncio do outro. Faça da sua dor, a sua lutaé o mote. Mas quem sabe chegará o dia que descobrirão que a dor não é um bom juiz e que sexo masculino e abusador não são necessariamente uma e mesma coisa?

Entre as ideologias ruins, pode-se destacar a crença de que as mulheres são mais importantes do que os homens (feminismo radical/ Matriarcado) e a de que mulheres e homens não teriam identidades (feminismo queer) orientadas já no evento da criação de Adam/Adão (homem e mulher), lá nos primórdios da humanidade. Essas são prerrogativas inquestionavelmente anticristãs mesmo que hajam grupos propondo leituras mais pluralistas desses e de outros princípios. Será mesmo que tudo é construção social e a identidade de gênero, a orientação sexual, o sexo biológico e o papel de gênero são coisas não-coincidentes e más às engrenagens sociais? Alas do atual feminismo, ou do pós feminismo para alguns, dizem que sim, como é o caso de Judith Butler, mas antropólogos como Mary C. Kuhn e Steven L. Stiner, da Universidade do Arizona, acreditam que foi exatamente a divisão de tarefas entre homens e mulheres que fizeram com que o homo sapiens vencesse os neandertais na luta pela sobrevivência. Há benefícios fáticos na família tal como a conhecemos e exceções devem ser tratadas como exceções e não como regras. Isso vale para ciências, mas também vale para os comportamentos. Também não podemos mais desconsiderar as descobertas vindas de áreas associadas às ciências biológicas sempre muito pouco comentadas nas discussões de moralidade e política. Não se enganem, há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõem nossas vãs ciências sociais.

Com isso, assim como acontece a qualquer movimento, grupo político ou teoria, devemos julgar suas ações e mensagens por seus próprios méritos. Devemos julgar por aquilo que é dito em bloco e em seu próprio tempo, além claro, de julgar ações e mensagens individuais daqueles que postulam ser seus representantes. O que o feminismo diz defender em nossos dias? Quais os meios têm sido usados? Este é um dado importante. Avaliadas essas questões, se você acha que há ações e meios que possam ser legitimados em vista do tempo, das pessoas envolvidas e independentes da compreensão bíblica avaliada, testada, balizada e consensuada pela tradição, formada por homens e mulheres, sinto muito, mas talvez você esteja mais pautada por uma visão feminista de mundo do que uma visão cristã do mundo e do feminismo. Sabe aquela história de que ‘sou contra o aborto, mas acho que deveria ser legalizado de forma irrestrita por causa das mulheres pobres’? Enfim, vale pensar, repensar, avaliar, colocar diante da história chamada eternidade e pedir que Deus seja gracioso com todos nós. E se nosso comportamento nos revelar um referencial mais atrelado à queda do que à salvação em Cristo? Melhor será corrigir. Que sejamos luz e sal em um mundo gritando por soluções, mas perdido em suas discussões e problemas.



por Isabella Passos

E esse tal de feminismo?


A fotografia todo mundo conhece. V-J Day in Times Square é aquela famosa imagem de um marinheiro norte-americano beijando uma jovem enfermeira naquela famosa avenida de Nova York. Essa mesma que ilustra o texto. A foto correu o mundo em 1945 através de uma edição da Revista Time transformando o beijo de dois desconhecidos em símbolo da alegria popular pelo fim da II Guerra Mundial. Da foto nasceu uma escultura de 7 metros de altura que se encontra hoje instalada em San Diego, Estados Unidos. É uma bela foto e também uma bela escultura, mas … Em 2014 um grupo feminista francês chamado Osez Le Feminisme, abriu uma petição pública exigindo que a escultura icônica fosse removida de uma exposição por se tratar, segundo o grupo, do registro de uma agressão sexual, de um crime, uma vez que o marinheiro não tinha o direito de beijar a enfermeira, mesmo ela tendo comentado que havia gostado do beijo. Ces la vie! Reportagem aqui.

Por essas e outras histórias (e estórias), o feminismo – nome popular para o Movimento de Emancipação das Mulheres, entrou na pauta das discussões dos principais meios de produção de conhecimento, assim como entrou também nas discussões mais corriqueiras da cultura através dos principais jornais, revistas e desenhos infantis de nossa época. Feminismo é conversa séria de programas transmitidos no começo de uma tarde dominical como aconteceu no programa da Regina Casé que teve como pautas assuntos como assédio moral, violência física, mercado profissional, autonomia econômica, estética feminina depois de uma chamada da apresentadora de que “as mulheres estão cansadas de serem tratadas como cidadãs de segundo classe”.

Mas entender o feminismo significa ter presente os diferentes momentos pelos quais passou a construção de suas diferentes identidades. Historiadores não estão bem certos se podemos falar de um movimento unívoco com uma epistemologia própria ou se o feminismo na verdade seria um fenômeno com o agrupamento de muitos movimentos de diferentes ideias e ações. Para maioria, a segunda posição é a mais adequada, pois, segundo eles, poderíamos no máximo captar características comuns dos diferentes feminismos. Isso porque, mesmo havendo uma gramática de reivindicações parcialmente comum conforme a época e as principais vozes, há divergências no modo como as reivindicações poderiam ser alcançadas a partir do ponto da justificativa do problema. Há feminismos de orientação individualista, liberal, radical ou marxista. E o modo como se organizam e as bandeiras que levantam como problemas fundacionais mudam sutilmente sua identidade cultural.

No Brasil os feminismos de vieses marxista e psicanalíticos parecem sobressair sobre os demais. Inclusive, parecem mesmo se inter-relacionarem. Os argumentos giram no sentido da importância do gênero e da luta de classes, analisando os modos como dois eixos paralelos, economia (capitalismo) e família (patriarcado) estruturam a vida das mulheres. Uma perspectiva ético-racial também tem ganhado força nos últimos dias. Por sua vez, as feministas de tendências psicanalíticas centram suas discussões na sexualidade como uma poderosa força cultural e ideológica ao postularem que as mulheres são oprimidas pelo fato desta força cultural ideológica da diferença sexual estar inscrita nos corpos e no inconsciente.

Mesmo não havendo espaço aqui para detalhar os vários períodos e identidades do feminismo, vale destacar a importância da sua primeira fase, nascida ali no século XVIII com a Declaração dos direitos da mulher e da cidadã, de Olympe de Gouges. Este é um período onde as mulheres não podiam assinar contratos, herdar propriedades, contratar advogados, votar e ter direitos sobre os filhos. Pelas leis da Inglaterra, por exemplo, o marido e a mulher eram uma só pessoa jurídica e a existência legal da mulher estava constituída na pessoa do marido, cuja a asa, proteção e tampa, ela executava a maioria das coisas do domínio público. A complexificação da sociedade demandava maior participação das mulheres na cena pública e um “novo homem” se constituía em sociedade através da ideia de cidadão. Era mais do que necessário que as mulheres se apresentassem marcando que este “novo homem” na verdade era homem e mulher. Neste estágio inicial, o movimento das mulheres se concentrou no sufrágio e se manteve inter-relacionado ao Movimento de Temperança (movimento de mulheres conservadoras pouco comentado pelos compêndios feministas) e ao Movimento Abolicionista. Este talvez seja o momento mais profícuo e importante das reivindicações femininas como movimento. Era onde nascia o modelo de sociedade e cidadania tal como a conhecemos e onde a bandeira da igualdade não se articulava sobre um discurso de oposição entre homens e mulheres, tal como vemos nos últimos dias.

Na teologia, segundo Ivone Gebara, freira católica, filósofa e teóloga feminista brasileira, a teologia feminista se tornou parte de uma revolução cultural que, segundo ela, ainda está em seus primeiros passos, tendo se desenvolvido a partir da segunda metade do século 20 inicialmente em alguns países da Europa Ocidental e nos Estados Unidos e a partir de 1980 na América Latina, África e Ásia, muito na esteira do espírito revolucionário presente na Teologia da Libertação. A trabalho das teólogas feministas, parte do ponto de que há uma dominação do ídolo divino masculino que marca e limita a vida das mulheres e o principal desafio dessa teologia é introduzir a metodologia da suspeita e da desconstrução de conceitos teológicos (Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, Pecado, Bem e Mal, Encarnação, Redenção e outros) verificando a origem e a pertinência em relação à experiência histórica e feminina. Esse trabalho é feito através da investigação dos textos da Bíblia considerados Palavra de Deus e da denúncia do mau uso do texto em vista da execução de políticas que favorecem a uns e desfavorecem a outros. Tudo na redução dualista de uma oposição em eventos que sempre podem apontar alguma trapaça. Não pode dar certo algo que começa pela pura suspeita e desconstrução, pode?! Aqui estamos na segunda para a terceira fase do momento feminista. Onde o discurso começa a pesar pela radicalidade de algumas posições.

Vejamos o que falou a feminista cristã Mary Daly, na faculdade de teologia da Universidade de Harvard: “indo direto ao assunto, proponho que castremos o Cristianismo e joguemos fora os frutos da sua arrogância masculina: os mitos do pecado e da salvação, que são simplesmente sintomas diferentes da mesma doença… Minha opinião é que a ideia de que a salvação veio ao mundo exclusivamente através de um salvador masculino perpetua o problema da opressão dos homens sobre as mulheres… o que está acontecendo hoje é que as mulheres estão se rebelando para castrar o sistema masculino que as castra e coloca Deus como “Pai” de todas as pessoas”. Outra disse ainda: “se a religião cristã não dá às mulheres recursos espirituais e intelectuais para que elas sintam satisfação em ter um emprego fora de casa, então talvez precisemos eliminar as imagens de família que enchem a Bíblia – começando com Deus como Pai e sua semelhança terrena, o pai de família”. Essas duas falas se encontram no livro De Volta ao Lar: do feminismo a realidade de Mary Pride e as suas escolhas se apresentam como uma tentativa de chamar atenção para o perigo da adoção de certas posições sem uma crítica adequada do assunto.

Susan T. Foh, em seu livro Women and the Word of God: A Response to Biblical Feminism, traduz essas falas de forma bastante perspicaz. Diz ela: “a questão mais importante que as feministas evangélicas debatem é de que modo a Bíblia deve ser interpretada… Elas acham que já a Bíblia foi escrita numa cultura onde a liderança pertencia totalmente ao pai de família, essa cultura influenciou os escritores da Bíblia a ter preconceitos contra os direitos das mulheres… De acordo com essa maneira de ver, há falhas e contradições na Bíblia. Aliás, essa opinião exalta a razão humana, pela qual o ser humano decide o que é e o que não é a palavra de Deus…. Para resumir, as feministas evangélicas veem contradições irreconciliáveis nos ensinos da Bíblia sobre as mulheres. Elas resolvem essas contradições reconhecendo que a Bíblia reflete as limitações humanas… as feministas evangélicas não acreditam que Deus nos deu sua palavra, que é verdadeira e digna de confiança, padrão imutável de fé e prática. Para elas, a Bíblia é uma mistura de informações (parte é a pura Palavra de Deus e parte sãos somente conselhos de homens moldados por sua cultura machista), e Deus nos deu a liberdade para imaginar quais as partes em que devemos acreditar e obedecer. A razão humana se torna a autoridade suprema, o juiz da Bíblia”. Onde ficou o critério de verdade em posições como essas?

Assim, podemos ensaiar uma primeira pergunta: é possível ser uma feminista cristã? Primeira coisa é entendermos que as crenças e convicções dentro do feminismo são muitos amplas, variadas e em alguns momentos contraditórias para que nos permita um julgamento final. Ideologias feministas se mostraram boas, neutras ou ruins, dependendo da especificidade da reivindicação quando colocada diante das crenças fundamentais da bíblia e de uma boa teologia moral e prática.

As boas e neutras e que aparecem nas reivindicações feministas mais antigas são aquelas que dizem respeito às mulheres serem respeitadas por si mesmas, sustentarem seus filhos, a terem direito sobre eles e serem respeitadas na situação de viuvez ou divórcio. Ensinamentos e ações de Jesus sinalizaram o respeito que as mulheres deveriam receber. Ele perdoou as mulheres de má reputação (João 8:1-11), falou respeitosamente a mulher samaritana (João 4: 4-42) e interagiu com uma mulher impura (Mateus 9:20-22). Paulo também fez o reconhecimento de 10 mulheres em 26 pessoas que nomeou no capítulo 16 da carta aos Romanos, além de chamar primeiro Priscila, esposa de Áquila, para publicamente agradecer-lhes a própria vida. Tanto Paulo quanto Jesus realizando aqui ações em franco desacordo com o sistema religioso da época sem, no entanto, deixar de denunciar o pecado das condutas individuais das mulheres, assim também, como fazia com os homens. O que não ocorre em nossos dias, por exemplo. Falar de erro dentro de feminismo em vista de uma fala ou ação claramente demarcada é falta de sororidade ou método de desmerecimento do movimento. Pecado mortal e sem direito a perdão! Se houver ainda alguma dor ou trauma relacionado… esquece. Não há diálogo. Está tudo justificado, inclusive, com a imposição normativa do silêncio do outro. Faça da sua dor, a sua lutaé o mote. Mas quem sabe chegará o dia que descobrirão que a dor não é um bom juiz e que sexo masculino e abusador não são necessariamente uma e mesma coisa?

Entre as ideologias ruins, pode-se destacar a crença de que as mulheres são mais importantes do que os homens (feminismo radical/ Matriarcado) e a de que mulheres e homens não teriam identidades (feminismo queer) orientadas já no evento da criação de Adam/Adão (homem e mulher), lá nos primórdios da humanidade. Essas são prerrogativas inquestionavelmente anticristãs mesmo que hajam grupos propondo leituras mais pluralistas desses e de outros princípios. Será mesmo que tudo é construção social e a identidade de gênero, a orientação sexual, o sexo biológico e o papel de gênero são coisas não-coincidentes e más às engrenagens sociais? Alas do atual feminismo, ou do pós feminismo para alguns, dizem que sim, como é o caso de Judith Butler, mas antropólogos como Mary C. Kuhn e Steven L. Stiner, da Universidade do Arizona, acreditam que foi exatamente a divisão de tarefas entre homens e mulheres que fizeram com que o homo sapiens vencesse os neandertais na luta pela sobrevivência. Há benefícios fáticos na família tal como a conhecemos e exceções devem ser tratadas como exceções e não como regras. Isso vale para ciências, mas também vale para os comportamentos. Também não podemos mais desconsiderar as descobertas vindas de áreas associadas às ciências biológicas sempre muito pouco comentadas nas discussões de moralidade e política. Não se enganem, há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõem nossas vãs ciências sociais.

Com isso, assim como acontece a qualquer movimento, grupo político ou teoria, devemos julgar suas ações e mensagens por seus próprios méritos. Devemos julgar por aquilo que é dito em bloco e em seu próprio tempo, além claro, de julgar ações e mensagens individuais daqueles que postulam ser seus representantes. O que o feminismo diz defender em nossos dias? Quais os meios têm sido usados? Este é um dado importante. Avaliadas essas questões, se você acha que há ações e meios que possam ser legitimados em vista do tempo, das pessoas envolvidas e independentes da compreensão bíblica avaliada, testada, balizada e consensuada pela tradição, formada por homens e mulheres, sinto muito, mas talvez você esteja mais pautada por uma visão feminista de mundo do que uma visão cristã do mundo e do feminismo. Sabe aquela história de que ‘sou contra o aborto, mas acho que deveria ser legalizado de forma irrestrita por causa das mulheres pobres’? Enfim, vale pensar, repensar, avaliar, colocar diante da história chamada eternidade e pedir que Deus seja gracioso com todos nós. E se nosso comportamento nos revelar um referencial mais atrelado à queda do que à salvação em Cristo? Melhor será corrigir. Que sejamos luz e sal em um mundo gritando por soluções, mas perdido em suas discussões e problemas.



por Isabella Passos

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

SUPRALAPSARIANISMO


Os calvinistas acreditam que Deus determinou tudo o que acontece na história. A Confissão de Fé de Westminster diz: "O poder ilimitado, a sabedoria insondável e infinita bondade de Deus se manifesta na Sua providência para que isso se estende até a primeira queda, e todos os outros pecados dos anjos e homens". Uma vez que Deus decretou todas as coisas muitos se perguntam o que é a ordem desses decretos. Calvinistas estão localizados classicamente em duas posições: Supralapsarianismo e Infralapsarianismo.


O seguinte artigo explica Vincent Cheung e defende supralapsarianismo como a única visão lógica e glorificando a Deus. Gosto de ler.



Supralapsarianismo

Vincent Cheung


Quanto à finalidade da criação do homem, a Bíblia ensina que o homem foi criado pela vontade de Deus para a glória de Deus;

Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra eo poder, porque criaste todas as coisas, e por tua vontade foram criadas e têm o seu ser. (Apocalipse 4:11)
Direi ao norte, "Dar-lhes-se!", E para o sul, "Não mantê-los de volta." Trazei meus filhos de longe e minhas filhas das extremidades da terra - Todo aquele que é chamado pelo meu nome, a quem Eu criei para minha glória , a quem formei e fiz. (Isaías 43:6-7)
Nele fomos também escolhidos, tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas de acordo com o propósito da sua vontade, a fim de que nós, que foram os primeiros a esperança em Cristo, sejamos para o louvor da sua glória . (Efésios 1:11-12)
E eu vou endurecer o coração de Faraó, e ele os perseguirá. Mas eu vou ganhar glória para mim mesmo através do Faraó e todo o seu exército, e os egípcios saberão que eu sou o Senhor. (Êxodo 14:4)
E se Deus, querendo mostrar a sua ira e tornar conhecido o seu poder, suportou com grande paciência os vasos de sua ira - preparados para a destruição? O que se ele fez isto para tornar as riquezas de sua glória conhecidos aos vasos de sua misericórdia, que preparou de antemão para glória - mesmo nós, a quem também chamou, não apenas dentre os judeus, mas também dentre os gentios? (Romanos 9:22-24)

Algumas pessoas sugerem que a natureza do amor de Deus o obrigou a criar objetos de afeto para satisfazer uma necessidade nele se expressar em comunhão, generosidade e sacrifício. No entanto, é herético dizer que Deus precisa de alguma coisa. Como Paulo diz em Atos 17:25, "E ele não é servido por mãos humanas, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos vida, respiração e tudo o mais." Deus é eternamente auto-existente e, portanto, também auto -suficiente. Desde que o homem não é eterno, mas tem um tempo de origem antes que ele não existe, e uma vez que "para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia" (2 Pedro 3:8), se alguma vez Deus poderia existir sem o homem, ele poderia ter continuado a existir sem o homem para sempre. Por conseguinte, a criação de homem não era devido a qualquer necessidade de Deus. Além disso, mesmo antes da criação do homem, Deus já tinha criado os anjos, e antes disso, os membros da Trindade se amavam. Mesmo que o amor precisa de expressão, Deus ainda não tinha necessidade de criar o homem.

Pelo contrário, como as passagens acima indicam, Deus criou os eleitos e os réprobos porque ele quis manifestar-se e ser glorificado através deles. Embora os réprobos não conscientemente glorificar a Deus, ele glorifica a si mesmo através deles com o que ele faz com que eles fazem e o que ele faz com eles. Ele é glorificado pelos eleitos na sua salvação e pelos reprovados em sua condenação.

Isso nos leva a considerar a ordem dos decretos eternos. Se os itens no plano de Deus foram a serem estabelecidas na ordem em que ele decidiu-los, o que seria essa ordem? Claro, Deus é eterno e onisciente, de modo que não há um ponto em seu pensamento quando ele não sabe tudo, ou quando ele não decidiu tudo; Portanto, quando falamos de ordem na mente de Deus, estamos nos referindo a ordem lógica e não ordem cronológica.

O decreto para que Deus seja glorificado vem em primeiro lugar, e para conseguir isso, o decreto é feito de que Cristo iria subjugar todas as coisas e entregá-los para ser pai. A fim de conseguir isso, o decreto é feito de que Cristo iria salvar um povo escolhido fora da humanidade caída para se tornar seus co-herdeiros. A fim de conseguir isso, o decreto é feita de que a humanidade caída seria dividido em os eleitos e os réprobos. A fim de conseguir isso, o decreto é feita que a humanidade cairia em pecado. Então, a fim de conseguir isso, o decreto é feito de que Deus iria criar a humanidade. Esta é a ordem de propósito e design. A ordem é invertida em execução, para que ele começa com a criação e culmina na glória de Deus.

Podemos ilustrar isso com uma analogia da vida humana. Suponha que o meu objectivo é chegar no escritório. A fim de conseguir isso, a decisão é tomada que eu deveria dirigir meu carro em direção a esse local. A fim de conseguir isso, a decisão é tomada que eu deveria entrar em meu carro. A fim de conseguir isso, a decisão é tomada que eu deveria sair da minha casa. A fim de conseguir isso, é tomada a decisão de que eu deveria me vestir. A fim de conseguir isso, a decisão é tomada que eu deveria sair da cama. O objetivo final vem em primeiro lugar na ordem de decisões, e a primeira coisa que eu devo fazer para alcançar este objectivo vem por último na ordem. A ordem é invertida na execução, de modo que o último item na ordem de propósito e design torna-se agora o primeiro item. Assim, eu preciso primeiro sair da cama, em seguida, vestir-se, e, em seguida, sair da minha casa, e assim por diante. O resultado final é que eu chego no escritório, e meu propósito é realizado.

A natureza de propósito e design necessita de um esquema supralapsariano dos decretos eternos, em que o decreto de eleição e reprovação aparece antes do decreto para a queda da humanidade, e no qual o decreto para a queda da humanidade aparece antes do decreto de criação da humanidade. O esquema infralapsariano coloca o decreto de eleição e reprovação após o decreto para a queda da humanidade. Uma razão para isso é organizar os decretos de modo a que o decreto de reprovação se aplica aos pecadores reais, enquanto o supralapsariano diria que Deus decreta a queda da humanidade para que ele pudesse realizar o decreto da reprovação.

Supralapsarianismo é a ordem bíblica e racional. Infralapsarianismo confunde concepção lógica com a execução histórica, de modo que não só é contrária aos fatos, mas torna sem sentido alguns dos decretos divinos. Para qualquer decreto, deixa o propósito do decreto não especificada até a próxima decreto. Mas então não há nenhuma razão para a atual, de modo que se torna arbitrário. Assim infralapsarianismo é uma blasfêmia por implicação, uma vez que insulta a inteligência de Deus e nega a sua racionalidade.

Infralapsarianismo respondem que supralapsarianismo prejudica a justiça de Deus, mas para afirmar isso, eles contrabandear um padrão privado e não-bíblica da justiça, que rejeita a soberania absoluta de Deus e viola inferência lógica rigorosa, e, em seguida, avaliar os decretos eternos por ele. Sua tentativa de defender a subserviência de Deus a um nível humano da justiça acaba por ser uma subversão contra a sua justiça soberana e divina, e uma negação do mesmo uma simples capacidade de planeamento lógica e arranjo na mente de Deus. Daí a sua oposição comete um ato de blasfêmia.

Louis Berkhof, para explicar algumas das objeções contra supralapsarianism, escreve: "Apesar de suas pretensões aparentes, ele não dá uma solução do problema do pecado. Ele faria isso, se atreveu a dizer que Deus decretou para trazer o pecado no mundo por sua própria eficiência direta . "Mas eu ouso dizer isso. Na verdade, não me atrevo a negar isso, porque se o fizer, eu estaria dizendo que algum outro poder tem a capacidade de gerar e controlar o pecado pelo seu próprio "eficiência direta". Cedendo poder divino para os seres humanos e demônios, esta é a blasfêmia do dualismo.

Berkhof continua, "Alguns supralapsarianos, é verdade, não representam o decreto como a causa eficiente do pecado, mas ainda não quero que isso deve ser interpretado de tal forma que Deus torna-se o autor do pecado." Mas eu afirmo que Deus é o autor soberano e justo do pecado, pela mesma razão que eu simplesmente declarou. Para negar que Deus é o autor do pecado implica necessariamente algum tipo de dualismo, e isso equivale a uma rejeição do teísmo bíblico. O resultado, mais uma vez, é blasfêmia.

Mas Berkhof persiste: "É apontado que o esquema supralapsariano é ilógico na medida em que faz com que o decreto da eleição e preterição referem-se a não-entidades, isto é, para os homens que não existem, exceto possibilidades como nuas, mesmo na mente de Deus; que ainda não existe no decreto divino e portanto não são contemplados como criado, mas apenas como criável. "Esta é uma objeção perplexamente estúpida. Numa disposição lógica, o objectivo final é concebido em primeiro lugar, e, em seguida, cada um decreto, sucedendo-se para realizar o que vem antes. Assim, naturalmente, o decreto que diz respeito à criação dos homens seria precedido por um decreto que exige a criação de homens de realizar, mas ainda representa homens possibilidades como nuas. Uma mulher pode decidir colocar em um belo vestido para ela reunião de escola alta antes que ela compra o vestido. Na verdade, é porque ela decide usar um lindo vestido para a reunião que ela decide, então, comprar um.

Infralapsarianismo confunde a ordem de propósito e design com a ordem de execução. Ele reclama que em supralapsarianism, Deus decreta as identidades dos réprobos, sem vista à sua pecaminosidade. No entanto, a Bíblia afirma explicitamente este ponto de vista, que a reprovação é incondicional, e que Deus criou algumas pessoas para a salvação e todos os outros para a condenação "fora da mesma massa" (Romanos 9:21). Os reprovados não criou a si mesmos; Deus os criou, e criou-os como reprovados.

Sob infralapsarianismo, uma vez que o decreto de eleição e reprovação vem depois do decreto para a queda da humanidade, isso significa que no momento em que Deus decreta a queda da humanidade, ele faz isso sem saber por que ele decreta-lo ou o que ele iria fazer sobre isso . Se ele tem a redenção em mente, e, portanto, a distinção entre os salvos e os condenados, de modo que ele sabe por que ele está decretando a queda da humanidade, então, nesse ponto, ele já decidiu sobre a redenção e, portanto, isso se torna supralapsarianism. Isto significa que sob infralapsarianismo, no momento em que Deus decreta a queda da humanidade, ele faz isso apenas para que ele deseja a humanidade a cair.

Infralapsarianismo se esconde atrás de seu padrão humano da justiça, que Deus deve designar como reprovados somente aqueles que já são culpados, mas é melhor para Deus decreto que toda a humanidade deve cair em pecado, sem qualquer razão para isso e sem qualquer pensamento de redenção? Por outro lado, embora o supralapsarianismo diria que Deus poderia de fato decretar a queda da humanidade só porque ele deseja, no seu esquema, Deus decreta a queda da humanidade de modo que não seria pecadores para ele para salvar e condenar.

A principal objeção contra o regime supralapsarian equivale a uma oposição à ideia de que Deus poderia designar as identidades dos réprobos antes que ele decreta sua queda no pecado. Em supralapsarianism, Deus em primeiro lugar decreta que haveria réprobos, e então ele decreta a queda de modo a que estes réprobos poderia se materializar. Mais uma vez, a objeção é contra a reprovação incondicional. Para colocar de outra forma, a objeção é contra a soberania absoluta de Deus, ou o fato de que Deus é Deus.

Em seguida, a objeção contra a reprovação incondicional é que é injusto - ou seja, não de acordo com qualquer padrão declarado nas Escrituras, mas de acordo com a intuição pecaminosa do homem. Ele se sente desconfortável com a ideia! Em qualquer caso, no momento em que Deus executa punição sobre os réprobos, eles já caíram no pecado, para que Deus não de fato punir qualquer um que é sem pecado e inocente, isto é, exceto quando ele causou o sofrimento de Cristo. Mesmo assim, o castigo infligido foi apenas na mente de Deus, pois Cristo estava levando a culpa dos escolhidos (Isaías 53:10).

Novamente, a objeção contra supralapsarianism realmente equivale a uma negação de que Deus é Deus, e que ele não é um homem ou uma mera criatura. Algumas pessoas dizem que acreditam em Deus, mas não de fato acreditar. Este é um grande culpado por trás de sistemas teológicos falsos, tais como Liberalismo, Arminianismo, e inconsistente Calvinismo. Há, de facto, nenhuma objeção bíblica ou racional contra supralapsarianism. As pessoas simplesmente não querem permitir que Deus a soberania total sobre sua própria criação. Uma vez que abandonar suposições falsas e centrada no homem, a ofensa da soberania divina absoluta desaparece. Se vamos abandonar esses pressupostos é outra questão. A obra do Espírito na santificação é necessário para nós a abandonar todo o senso de autonomia humana e do pensamento centrado no homem, incluindo o tipo relativa e ilusória de "liberdade" que aparece com tanta frequência na forma popular do calvinismo.

Tal como acontece com muitas dessas controvérsias, a verdadeira questão neste desacordo entre supralapsarianism e infralapsarianismo é saber se estamos dispostos a "deixar" Deus ser Deus em seus próprios termos . A supralapsarianism consistente é a única posição que honra a Deus, a Escritura, e da lógica. E é a única posição centrada em Deus. Uma das coisas que aprendemos da doutrina é que Deus ativamente decretado e causou a queda da humanidade como um dos passos pelos quais ele iria cumprir o seu plano eterno. O pecado não foi um acidente, e redenção não foi uma mera reação da parte de Deus. Como diz a Escritura: "O Senhor faz tudo para seus próprios fins - até o ímpio para o dia do mal" (Provérbios 16: 4).Resultados assim SUPRALAPSARIANISMO em louvor e reverência a Deus.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Divórcio e Novo Casamento: Mateus 19:9


"Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério". Mateus 19:9

A questão abaixo veio de um leitor, pedindo mais luz sobre divórcio e novo casamento. O pedido é uma resposta às series de ensaios que apareceram primeiramente na revista Standard Bearer: "O Triste Caso de Bert Zandstra," "O Escândalo do Silêncio," e "O Novo Casamento da Parte Culpada." O pedido por mais luz questiona particularmente a Palavra de Jesus Cristo em Mateus 19:9.

A de outra forma excelente série sobre divórcio e novo casamento do Prof. Engelsma me deixou com uma dúvida lógica. A menos que eu esteja lendo Mateus 19:9 de uma forma totalmente incorreta, a exceção de "adultério" parece estar relacionada diretamente com a frase, "e casar de novo," em cujo caso a Confissão de Westminster está correta ao dizer: "no caso de adultério depois do casamento, à parte inocente é lícito propor divórcio, e depois de obter o divórcio casar com outrem, como se a parte infiel fosse morta" (CFW XXIV.V). Por outro lado, a visão do Prof. Engelsma de que o adultério é o único fundamento para a "separação" não parece levar em conta a frase, "e casar com outrem." Contudo (e esta é a minha dúvida), tanto 1 Coríntios 7:39 como Romanos 7:3 claramente implicam que a morte de um cônjuge é o único fundamento para o novo casamento.
O problema que tenho (e estou grandemente perturbado com tudo isto) é que estas passagens parecem apresentar uma contradição. Por um lado, divórcio e novo casamento são aparentemente permissíveis no caso de adultério. Por outro lado, o único fundamento para o novo casamento é a morte de um cônjuge. Embora os argumentos do Prof. Engelsma contra o divórcio no caso de adultério sejam convincentes, particularmente à luz dos nossos adultérios contra o Senhor, ainda estou confuso sobre como faria uma exegese de Mateus 19:9. Ou Engelsma está correto e a CFW está errada neste ponto (note: eu nem mesmo perguntei sobre a frase "não está sujeito à servidão" em I Coríntios 7:15!), ou a CFW está correta e Engelsma está impondo restrições extra-bíblicas sobre o divórcio e novo casamento. Contudo, se a CFW está correta, ainda terei dificuldade com I Coríntios 7:39 e Romanos 7:3.
Certamente não quero dar nenhum crédito aos Van-Tilianos que tão avidamente abraçam os "paradoxos da Escritura."
Se o Prof. Engelsma lançar mais luz sobre este assunto, eu apreciaria.
Virginia Beach, VA

A Escritura então se contradiz?

Há um texto na Bíblia que poderia parecer aprovar o novo casamento após o divórcio. Um texto! Se entendido como novo casamento aprovado, este texto aprovaria o novo casamento somente da "parte inocente", isto é, a pessoa casada cuja esposa (ou esposo) cometeu adultério. Todos os outros novos casamentos são proibidos, sendo considerados como adultério.

Este texto é Mateus 19:9:
"Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério."

Contra a aparente aprovação do novo casamento da "parte inocente" em Mateus 19:9, existem vários textos que claramente proíbem todos os novos casamentos após o divórcio, a despeito do fundamento do divórcio. Estas passagens condenam todo novo casamento após o divórcio como sendo adultério.

Marcos 10:11-12: "E ele lhes disse: Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera."
Lucas 16:18: "Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério."
1Coríntios 7:10-11: "Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher."
1Coríntios 7:39: "A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo em que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor."
Romanos 7:2-3: "Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for doutro marido; mas, morto o marido, livre está da lei e assim não será adúltera se for doutro marido."

A proibição de novo casamento nestas passagens é absoluta.

Romanos 7:2,3 e 1Coríntios 7:39 fundamentam a proibição absoluta na natureza do casamento, pois este é uma ligação para toda vida, em virtude da ordenação soberana de Deus como Criador e Governador deste mundo.

Um texto aparentemente conflita com esta proibição absoluta de novo casamento, por supostamente aprovar o novo casamento da "parte inocente."

Se Mateus 19:9 de fato permite o novo casamento da "parte inocente", ele contradiz fatalmente o ensino da Escritura sobre casamento, divórcio e novo casamento nas passagens citadas acima, especialmente I Coríntios 7:39.

Admissão da Contradição na Confissão de Westminster

Embora adote a posição de que Mateus 19:9 permite o novo casamento da "parte inocente", a Confissão de Fé de Westminster realmente admite esta permissão do novo casamento da "parte inocente", e, portanto, Mateus 19:9 (como os teólogos de Westminster explicam), contradiz I Coríntios 7:39. Ela faz esta admissão quando, tendo dito, "no caso de adultério depois do casamento, à parte inocente é lícito propor divórcio, e depois de obter o divórcio casar com outrem", ela adiciona: "como se a parte infiel fosse morta." Os representantes da Assembléia de Westminster reconheceram que sua permissão de novo casamento da "parte inocente," supostamente sobre a base de Mateus 19:9, contradizia a regra de I Coríntios 7:39 de que somente a morte dissolve o laço do casamento, de forma que uma pessoa casada esteja livre para casar com outra. Portanto, os teólogos de Westminster sentiram necessário confeccionar o estranho, assustador e obviamente falso decreto de que o adultério efetivamente torna o adultero—a "parte culpada"—morto no sentido de I Coríntios 7:39. Assim, eles tentaram conformar Mateus 19:9 (como eles o explicavam) com I Coríntios 7:39.

O problema com isto é que I Coríntios 7:39 não está se referindo a uma morte fictícia, virtual, "faz de conta" e irreal. O apóstolo não diz, "mas se ela ou alguém mais decidir considerar seu marido como morto, ela está livre para casar com quem quiser." A morte em I Coríntios 7:39, a qual é a única que dissolve o laço do casamento, de forma que a pessoa casada pode se casar com outra, é uma morte real e física—morte que quebra todos os laços terrenos, morte que coloca o corpo (que de outra forma deveria estar na cama com sua esposa) do homem na sepultura.

A explicação de Mateus 19:9 segundo a qual é permitido que a "parte inocente" case novamente, contradiz I Coríntos 7:39. Neste caso, a Escritura contradiz a Escritura.

Mateus 19:9 é Auto-Contraditório?

A questão piora ainda mais. Se Mateus 19:9 permite o novo casamento da "parte inocente," o texto é auto-contraditório. Ao invés de proibir o novo casamento, entre outros, da "parte culpada" como sendo adultério (isto é o que o texto expressamente ensina), o texto realmente abre a porta para o novo casamento da "parte culpada." Ele faz isto exatamente ao permitir o novo casamento da "parte inocente." Pois se a "parte inocente" pode casar novamente, este deve ser um caso no qual o laço do casamento entre a "parte inocente" e a "parte culpada" está dissolvido. Mas se o casamento está dissolvido, presumivelmente pelo adultério da "parte culpada," ele está dissolvido para a "parte culpada" tanto quanto para a "parte inocente." E se não há nenhum casamento, a "parte culpada" tem todo direito de casar novamente. Não estando casado, ela está livre para casar (novamente).

Assim, Mateus 19:9 contradiz a si mesmo e mergulha a questão de divórcio e novo casamento numa confusão e caos completo.

A Harmonia de Mateus 19:9 com Toda Escritura

Na realidade, não há nenhuma contradição entre Mateus 19:9, por um lado, e todos os textos proibindo o novo casamento, por outro lado. Mateus 19:9 meramente parece aprovar o novo casamento da "parte inocente." Para dizer de uma forma mais correta, a aprovação do novo casamento da "parte inocente" é uma inferência que alguns erroneamente extraem de Mateus 19:9.

O significado de Mateus 19:9 é que todo divórcio é proibido, exceto aquele devido à infidelidade sexual de um dos cônjuges. Lembrando da pergunta dos fariseus no versículo 3, o assunto principal da passagem é a legitimidade do divórcio. A frase, "não sendo por causa de prostituição," dá a única exceção bíblica à proibição de divórcio. Ele não dá uma exceção à proibição de novo casamento. Para dizer de uma forma diferente, as palavras "não sendo por causa de prostituição" dão o único fundamento bíblico para se divorciar da esposa (ou marido). Eles não dão um fundamento bíblico para o novo casamento após o divórcio.

Cristo menciona o novo casamento no texto. Ele menciona isto porque quase sempre o homem que divorcia de sua esposa, ou intenta casar com outra mulher ou eventualmente se casará com outra.

O que dizer sobre novo casamento após o divórcio? O que dizer sobre a permissibilidade do novo casamento após o divórcio em Mateus 19:9?

Não há nenhuma questão sobre o novo casamento do homem que divorcia de sua esposa injustamente, isto é, o homem cuja esposa não é culpada de prostituição. Jesus declara—na verdade, este é o seu propósito principal no texto—que tal pessoa comete adultério quando se casa novamente.

Mas o que dizer sobre o novo casamento do homem que divorcia de sua esposa sobre o fundamento da prostituição dela? O que dizer sobre o novo casamento da "parte inocente" em Mateus 19:9?

Se Mateus 19:9 fosse concluído com as palavras "... e casar com outra, comete adultério", haveria alguma escusa para a incerteza de se o texto permite o novo casamento da "parte inocente" ou não. Mesmo então, a igreja teria que levar em conta o ensino claro e explícito da Escritura (em outros lugares) de que todo novo casamento após o divórcio é proibido. A Escritura interpreta a Escritura. A passagem duvidosa deve ser explicada à luz das passagens mais claras.

Mas Mateus 19:9 não termina dessa forma! Há uma segunda parte: "e o que casar com a repudiada também comete adultério." A repudiada é a mulher da primeira parte do texto cujo marido se divorciou injustamente dela e se casou com outra, cometendo adultério. Ela é a "parte inocente". Todavia, quem quer que se case com ela comete adultério. Certamente, ela também comete adultério, se ela casar novamente.

Mateus 19:9 condena o novo casamento da "parte inocente" como sendo adultério.

Por quê?

Porque a esposa (ou marido) está ligada pela lei ao seu marido (ou sua esposa) enquanto seu marido (ou sua esposa) viver. Somente a morte dissolve o laço. O adultério não dissolve o laço do casamento. Enfaticamente, o adultério não tem o poder para dissolver o laço do casamento.

Mateus 19:9 está em perfeita harmonia com tudo da Escritura na questão vitalmente importante do casamento, divórcio e novo casamento.

O divórcio é permitido sobre o fundamento da prostituição.

Todo novo casamento após o divórcio é proibido como sendo adultério, incluindo o novo casamento da "parte inocente".

A razão é que a ordenança honorável de casamento da parte de Deus é um laço para a vida toda, indissolúvel.

Que os santos pratiquem isso!

Que a igreja proclame isso!

E defenda-a com disciplina!



por David Engelsma
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte: Capítulo 5 do livro Until Death Do Us Part

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